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NTGroup diz que não participou nas reuniões finais sobre compra de fragatas

NTGroup diz que não participou nas reuniões finais sobre compra de fragatas

A empresa NTGroup (NTG) assegurou esta quinta-feira que não integrou a "equipa formal de negociação intergovernamental", nem participou nas reuniões finais para aquisição de três fragatas por Portugal a Itália, frisando que não reclama qualquer pagamento ao Estado português.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Nuno Patrício - RTP

Em comunicado sobre a aquisição das três fragatas "FREMM EVO" por Portugal a Itália, a empresa destacou ainda que não foi afastada pelo Governo português das reuniões.

"Essa circunstância não significa, contudo, que a NTG não tenha desenvolvido trabalho relevante na criação e no desenvolvimento da oportunidade, nem permite retirar conclusões sobre os direitos decorrentes da atividade anteriormente desenvolvida ou da relação comercial mantida com a Fincantieri [o fabricante italiano]", adianta.

Para a NTG, "a presença nas negociações finais não constitui, por si só, condição necessária para o reconhecimento desses direitos", considerando ainda que "a sua contribuição para a criação e o desenvolvimento da oportunidade foi material, documentada e direta, mantendo integralmente reservados todos os seus direitos".

Em causa está uma notícia publicada em 7 de agosto pelo jornal online 24Horas sobre a aquisição de três fragatas ao fabricante italiano Fincantieri, por 3,9 mil milhões de euros, na qual é referido que um alegado afastamento à última hora da empresa portuguesa NTG, que participaria como intermediária da operação, levou essa empresa a perder 90 milhões de euros em comissões.

O ministro da Defesa anunciou depois da notícia que ia processar judicialmente o jornal 24Horas devido a essa notícia, bem como o presidente do Chega, André Ventura, e o deputado Pedro Frazão pelas declarações, nas redes sociais, sobre o caso.

A empresa destacou que "não reclama, nem reclamou, qualquer pagamento ao Estado português", vincando que a situação em causa "é exclusivamente de natureza comercial entre a NTG e a Fincantieri".

"Por razões de confidencialidade e atendendo à natureza juridicamente sensível do assunto, não comentará contratos, condições remuneratórias ou valores avançados por terceiros", sublinhou.

A NTG explicou que desenvolveu em Portugal durante vários anos "um trabalho continuado de apresentação, promoção e posicionamento das soluções navais da Fincantieri", que incluíram desde 2020 "contactos institucionais, apresentações e iniciativas junto das entidades portuguesas relevantes, contribuindo para a divulgação da solução FREMM EVO e para o posicionamento da Fincantieri no mercado português".

A empresa portuguesa garantiu ainda que irá continuar "a defender os seus legítimos interesses pelas vias adequadas".

Também em comunicado divulgado hoje, após a nota da NTG, o Ministério da Defesa lamentou e deplorou "todas as afirmações e imputações falsas feitas nos últimos dias a este propósito, nomeadamente sobre um afastamento da empresa determinado pelo ministério e alusões destino de comissões".

O ministério liderado por Nuno Melo disse ainda esperar "em nome da verdade e da decência, a retratação de todos quantos as proferiram".

"Como afirmado permanentemente pelo Ministério da Defesa Nacional, no que respeita a este investimento, os contactos e negociações só acontecem a nível dos estados de Portugal e Itália e apenas ao nível das direções-gerais de armamento dos 2 países, sem intervenção da tutela política", pode ler-se na nota do Ministério.
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