OCDE defende seguro privado para catástrofes, Governo articula com setor
A OCDE recomendou hoje a Portugal a introdução de um seguro privado obrigatório que cubra catástrofes naturais, tendo o Governo sinalizado que está em articulação com o setor para desenvolver soluções neste sentido.
O diretor de Estudos da OCDE, Luiz de Mello, defendeu hoje a "necessidade de reforçar as políticas de adaptação às alterações climáticas", na apresentação do `Economic Survey` que a organização elaborou sobre Portugal, realizada em Lisboa.
O responsável salientou que "uma parte significativa da população está exposta a fenómenos extremos como incêndios florestais e cheias", sendo que a "maior parte do custo financeiro destas catástrofes naturais tem recaído sobre o Estado".
Luiz de Mello considera que o seguro privado poderia desempenhar um "papel de maior destaque", sugerindo que Portugal "poderia ponderar a introdução de um seguro privado obrigatório que cubra catástrofes naturais, o que reduziria a exposição financeira do seguro público e criaria um incentivo mais forte para prevenir danos".
O secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, também presente nesta apresentação, admitiu que este é um "tipo de apólice que é complicado", representando uma "clara falha de mercado porque é muito difícil medir este risco: as alterações climáticas estão em processo e o histórico não nos ajuda muito a estimar os riscos, nomeadamente dos incêndios".
O Governo "está em articulação com o regulador e com a indústria seguradora, para tentar desenvolver mecanismos que permitam a adoção massiva de seguros de catástrofe", assegurou o responsável.
"O mesmo se aplica à questão dos sismos, é um risco muito difícil de medir, está muito mal coberto", assumiu, salientando que "é um desafio e um tema para o qual o Governo está a olhar com muita atenção" e vai "caminhando no sentido de, junto com a indústria, providenciar soluções privadas e públicas que permitam mitigar esse risco".