Oxford Economics revê em alta previsão de inflação em Moçambique para 5,6%
A consultora Oxford Economics reviu hoje em alta a previsão de crescimento dos preços em Moçambique, antecipando agora uma inflação de 5,6% este ano, que deverá aumentar para 8,4% em 2027.
"Os recentes desenvolvimentos externos e internos não são um bom presságio para as perspetivas de inflação de Moçambique para 2026", escrevem os analistas num comentário à inflação de fevereiro, que subiu 3,2% face ao período homólogo do ano passado.
"Projetávamos que a taxa global permaneceria em 4,8% em 2026, devido a uma moeda relativamente estável e taxas de juro mais elevadas, mas as inundações devastadoras em janeiro destruíram grandes extensões de terras agrícolas e danificaram infraestruturas cruciais, o que deverá levar a um aumento significativo na inflação dos preços dos alimentos e dos transportes, elevando a inflação geral este ano", argumentam os analistas.
Na nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, o departamento africano desta consultora britânica acrescenta ainda que espera que o acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) deva exigir "uma desvalorização cambial acentuada e no início, em vez da desvalorização gradual" que era a previsão anterior.
Assim, concluem, "os efeitos de transmissão da rápida desvalorização da moeda elevarão a inflação, que deverá subir de 4,4% em 2025 para 5,6% em 2026, antes de atingir um pico de 8,4% em 2027, quando o impacto da desvalorização se fizer sentir em toda a sua força".
A atualização da previsão da inflação surge depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano ter apresentado os dados relativos a fevereiro, que mostram um aumento de 3,2% face ao período homólogo de 2025, e uma subida de 0,68% face à inflação registada em janeiro.
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de fevereiro do INE indica que Moçambique "registou um aumento de preços na ordem de 0,68%", face a janeiro (1,26%), novamente influenciado pelo setor da alimentação e bebidas não alcoólicas, ao contribuir no total da variação mensal com 0,37 pontos percentuais positivos.
O relatório destaca a variação mensal por produto, nomeadamente o aumento dos preços do carvão vegetal (9,8%), tomate (5,5%), carapau (3,1%), couve (8,0%), alface (17,6%), óleo alimentar (1,9%) e cimento (1,2%).
"Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,43 pontos percentuais positivos", refere o IPC, sendo que desde meados de janeiro, até ao início de fevereiro, a circulação nas estradas Nacional 1 e 2, de Maputo para norte e sul, respetivamente, esteve totalmente cortada, devido às cheias - que afetaram quase 725 mil pessoas -, comprometendo as cadeias de abastecimento e disparando os preços.
O IPC de fevereiro refere que a inflação acumulada de dois meses de 2026 cifra-se nos 1,94%, enquanto a variação homóloga está nos 3,20%.
Os preços em Moçambique aumentaram 3,23% em 2025, segundo dados anteriores do INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo.
A inflação acumulada de 2024, segundo dados anteriores do INE, fixou-se nos 4,15%, que compara com os 5,3% de 2023, mas abaixo do pico de quase 13% atingido em julho de 2022.
O Governo previa para 2025 uma inflação em torno de 7% em Moçambique, tal como a estimativa para 2026.