Pânico volta a pairar sobre as bolsas mundiais

As bolsas mundiais estão a abrir em queda acentuada, em comparação com os valores de negociação no fecho de ontem. O índice referência da bolsa portuguesa, PSI 20, abriu a perder 6,63 por cento, nos 6.234,96 pontos, após ter fechado quinta-feira em terreno positivo. O director do FMI sustentou que quando a crise passar "as regras do jogo" vão ter de mudar.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
As perdas na Bolsa de Tóquio foram as mais graves dos últimos 21 anos, mas todas os mercados asiáticos registaram perdas na ordem dos dez por cento Everett Kennedy Brown/EPA

O índice referência da bolsa portuguesa, PSI 20, abriu a perder 6,63 por cento, nos 6.234,96 pontos, após ter fechado quinta-feira em terreno positivo.

Os mercados financeiros de Londres, Frankfurt e Paris também abriram a sessão com perdas de dez por cento.

O Footsie 100 registava a pior queda dos últimos seis anos, tendo atingido perdas de 10,20 por cento, com 3.873,99 pontos, ficando abaixo da barreira dos quatro mil pontos pela primeira vez desde Julho de 2002.

O Dax perdia também mais de dez por cento poucos minutos após o início das negociações. Em Madrid, o Ibex 35 registava uma descida de 8,22 por cento, para 9.088,9 pontos.

As primeiras negociações no CAC 40 indicavam uma perda de 8,83 por cento, para 3.138,64 pontos.

A bolsa de Tóquio encerrou a negociação com uma queda de 9,62 por cento, com 8.276,43 pontos, a mais forte queda desde Outubro de 1987 e a terceira maior perda desde a criação do índice Nikkei em 1950.

O Banco do Japão interveio no mercado pelo 18.º dia consecutivo, ao efectuar três operações de injecção de capital durante a mesma sessão. O banco central japonês começou por injectar 15 mil milhões de euros quando as perdas atingiam os 10 por cento e depois procedeu a mais duas operações, totalizando 34 mil milhões de euros. O objectivo desta intervenção é resolver a falta de liquidez dos bancos comerciais, devido à crise financeira, para que estes possam cumprir as suas obrigações.

A companhia de seguros japonesa "Yamato Life Insurance" pediu a protecção da lei de falências por dívidas que ascendem a dois mil milhões de euros.

Os restantes mercados asiáticos, Sidney, Manila e Seul perderam entre 8,3 e 4,1 por cento. As negociações em Banguecoque foram suspensas a meio da sessão, quando as perdas ascendiam a dez por cento. Hong Kong, Singapura e Xangai seguiam no vermelho.

Os mercados accionistas russos não chegaram a abrir esta sexta-feira por ordem das entidades reguladoras.

A bolsa de Nova Iorque fechou no vermelho, pelo sétimo dia consecutivo. O índice Dow Jones atingiu a terceira maior queda da história, ao desvalorizar 7,33 por cento, o valor mais baixo desde Maio de 2003. O índice Nasdaq também encerrou num mínimo de cinco anos e meio, com perdas de 5,47 por cento.

G7 debate crise financeira

Os ministros das Finanças e os directores dos bancos centrais dos países mais ricos do mundo vão analisar as medidas a adoptar individualmente e tentar definir soluções colectivas, de acordo com o secretário norte-americano do Tesouro.

As conclusões só serão conhecidas durante a noite (em Lisboa), mas o Presidente dos EUA vai dirigir uma mensagem "de confiança" aos americanos no momento em que tiver início a reunião.

O Japão está preparado para propor, nesta cimeira, a criação de um fundo de 146 mil milhões de euros destinado aos países mais pequenos afectados pela crise, assim como uma reunião extraordinária, se as conclusões não forem satisfatórias.

Director do FMI exige alteração das “regras do jogo”

“Esta crise é uma falha na supervisão, uma falha da regulação, uma falha da crença que o mercado se pode regular autonomamente”, sublinhou ontem o director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em entrevista ao canal televisivo “France 2”, Dominique Strauss-Kahn exige que quando a crise for superada deverá ser retida a “lição”: “temos de ter mais Estado e mais poder público e, a nível internacional, isto significa mais instituições internacionais”.

“Não aceitarei que, quando a crise estiver ultrapassada, voltemos ao sistema do ‘business as usual’. Temos de mudar o funcionamento do sistema, temos de mudar as regras do jogo, temos de mudar a regulação”, sustentou.

Strauss-Kahn confirmou a reactivação do fundo de empréstimo de emergência para ajudar na resolução da crise financeira dos Estados que o solicitarem.
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