Politécnico de Viseu apresenta ferramenta RISKMAP que monitoriza situações de risco no património

Politécnico de Viseu apresenta ferramenta RISKMAP que monitoriza situações de risco no património

O Instituto Politécnico de Viseu IPV), com outras duas entidades, está a desenvolver a ferramenta digital RISKMAP que permite monitorizar e identificar diferentes riscos em património, adiantou hoje à agência Lusa o responsável pelo projeto, o professor Ricardo Almeida do IPV.

Lusa /

O Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, e o edifício da reitoria da Universidade do Porto são dois casos que já estão a ser trabalhados pelo projeto que tem coordenação científica no Departamento de Engenharia Civil do IPV e que está a ser desenvolvido em consórcio com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e a Universidade de Aveiro (UA), contando ainda com apoio institucional da Museus e Monumentos de Portugal (MMP).

"É uma ferramenta digital que é um boneco, ou um modelo virtual do edifício onde tem acesso em tempo real ao que está a acontecer, ou seja monitorização em tempo real que tem um sistema automático de alertas que informa o ou os locais que estão em risco para a probabilidade de acontecer algum tipo de problema", adiantou Ricardo Almeida.

Segundo este docente do IPV, responsável pelo projeto RISKMAP - AI-Based Tool for Buildings Degradation Risk Mapping (RISKMAP - Ferramenta baseada em IA para mapeamento de risco de degradação de edifícios), "associado a esses alertas, vão aparecer sugestões de medidas de mitigação desses problemas".

Ricardo Almeida disse que a ideia é que esta ferramenta digital possa "ajudar na gestão dos edifícios com interesse patrimonial", nomeadamente na sua avaliação.

Na base do RISKMAP está a "recolha de imagens, fotografias, imagens termográficas e com uma rede de sensores que consegue criar essa tal ferramenta para a identificação de riscos e patologias" no património.

"A ferramenta tem recurso à inteligência artificial (IA), mas cabe sempre ao gestor do edifício decidir o grau de intervenção da IA na solução dos riscos detetados, que poderá ser em exclusivo da IA, da decisão humana ou mista", especificou.

Na base da ferramenta, como "alvo de estudo", estão o Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, e o edifício da reitoria da Universidade do Porto, dois "exemplos que estão a ser trabalhados mas que podem ser aplicados em qualquer património".

"Não faz sentido num edifício corrente, porque há um investimento associado a estes instrumentos, mas num edifício com valor patrimonial, num emblemático, aí sim, faz sentido. Esse é o foco deste projeto", rematou.

Há já mais de quatro meses que a equipa de docentes e investigadores começou a desenvolver a ferramenta e tem um total de 36 meses, ou seja, três anos, para a concluir.

Esta sexta-feira, o RISKMAP vai ser apresentado no Museu Nacional Grão Vasco, altura em que haverá uma demonstração de um "resultado preliminar de um dos trabalhos desenvolvidos, como o do nível da qualidade de ar no interior" do edifício, indicou.

Ricardo Almeida acrescentou ainda que a ferramenta "estará aberta a incluir mais ou menos indicadores de risco, embora tenha sido criada numa lógica de manutenção do edifício, mas é sempre possível tirar partido da infraestrutura que vai ficar criada e introduzir algoritmos adicionais para detetar outros riscos, até mais imprevisíveis".

O RISKMAP resulta de "um trabalho de investigação que decorre há muito tempo", tem em Ricardo Almeida o investigador principal e no IPV a liderança, mas inclui também a Universidade de Aveiro e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Para a sua concretização está ainda "prevista a contratação de bolseiros, estudantes de mestrado e de doutoramento" das três instituições de educação, "e que só é possível, porque o projeto foi a concurso e foi selecionado com um financiamento de 210 mil euros" de fundos europeus, num investimento total de quase 250 mil euros.

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