Economia
Portugal já libertou reservas de petróleo ao abrigo de compromisso assumido em março
O Ministério do Ambiente e Energia esclareceu hoje que Portugal já libertou a totalidade das suas reservas estratégicas de petróleo no âmbito do compromisso assumido a 11 de março, estando esse processo "integralmente concluído".
"Portugal não vai libertar novas reservas estratégicas de petróleo. Portugal já libertou a totalidade das reservas correspondentes ao compromisso assumido a 11 de março, encontrando-se esse processo integralmente concluído", sublinhou o ministério num esclarecimento enviado hoje à agência Lusa.
Na quarta-feira, a Lusa noticiou que 12 países da União Europeia (UE), incluindo Portugal, iam colocar no mercado cerca de 42,6 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, quase metade dos quais de gasóleo, com base num comunicado divulgado no final de uma reunião dos ministros da Energia da UE, no Luxemburgo, citado pela agência AFP.
Nesse documento, subscrito pelos 12 países, era anunciado que seriam libertados 42,6 milhões de barris até ao final de janeiro de 2027, dos quais 20,5 milhões de gasóleo, na sequência de um compromisso assumido no âmbito do G7.
No esclarecimento hoje divulgado, o Ministério do Ambiente e Energia salienta que a reunião no Luxemburgo "teve como objetivo instar os países que ainda não cumpriram esse compromisso, posição que Portugal apoiou".
"Estamos a fazer tudo o que podemos para estabilizar os mercados do gasóleo à medida que o inverno se aproxima", afirmou o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, no final do encontro.
Em Portugal, a associação das empresas petrolíferas (Epcol) afirmou também na quarta-feira à Lusa que não antevê riscos iminentes de rutura no abastecimento de combustíveis durante o próximo inverno, apesar da incerteza quanto à evolução dos preços devido à situação geopolítica.
Segundo o porta-voz da associação, João Reis, a segurança do abastecimento nacional beneficia da combinação entre capacidade de refinação, infraestruturas logísticas, importações e reservas estratégicas.
Os preços da energia dispararam desde o início da guerra no Irão, com o litro de gasóleo a ultrapassar os 2,30 euros em vários países da UE.
Perante esta situação, e sob pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, os países do G7 decidiram, no início de outubro, recorrer às reservas estratégicas para libertar "até 100 milhões de barris" de gasóleo e petróleo bruto "nos próximos quatro meses", numa tentativa de aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis.
Além de Portugal, os países que assumiram este compromisso são a Alemanha, França, Grécia, Dinamarca, Bélgica, Lituânia, Luxemburgo, Letónia, Suécia, Países Baixos e Itália.
Embora nem todos integrem o G7, os 12 países são membros da Agência Internacional de Energia (AIE), que também tinha apelado ao recurso às reservas estratégicas antes do inverno.
A UE tem vindo a garantir que está atenta ao impacto da crise nos orçamentos das famílias europeias, embora tenha afastado, para já, preocupações com a segurança do abastecimento.