PR moçambicano prevê arranque da construção de megaprojeto de gás da Exxon num ano
O Presidente moçambicano perspetivou hoje o arranque dentro de cerca de um ano da construção do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Rovuma LNG, em Cabo Delgado, liderado pela petrolífera norte-americana ExxonMobil.
"O nosso Governo, em colaboração com as concessionárias, tem estado a tomar medidas com vista a assegurar a sustentabilidade das medidas de segurança, na província de Cabo Delgado e no país em geral. Pelo que, reafirmamos o nosso compromisso (...) de assegurar que, num breve trecho, dentro dos próximos 12 a 18 meses, voltaremos a este local para testemunhar o início de construção do Rovuma LNG", disse Daniel Chapo.
A posição foi assumida precisamente em Afungi, Cabo Delgado, na retoma oficial do megaprojeto de GNL de 20 mil milhões de dólares (17,5 milhões de euros) liderado pela TotalEnergies, quase cinco anos depois de acionada a cláusula de `força maior`, devido aos ataques de extremistas, levantada em outubro pelo consórcio da Área 01 da Bacia do Rovuma.
A ExxonMobil anunciou em 20 de novembro que levantou a declaração de `força maior` para o megaprojeto de gás natural em Cabo Delgado, passo essencial para a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês), prevista para 2026.
A confirmação da decisão foi feita por fonte oficial da petrolífera, que suspendeu o projeto de gás Rovuma LNG, um dos maiores em África, avaliado em 30 mil milhões de dólares (25,9 mil milhões de euros), na sequência dos ataques em 2021.
"Levantámos a declaração de força maior para o projeto Rovuma LNG", disse um porta-voz da ExxonMobil, recordando estar associado ao megaprojeto da TotalEnergies na mesma área, com partilha prevista de infraestruturas em Afungi, distrito de Palma.
O Presidente moçambicano afirmou em 12 de novembro que a ExxonMobil deverá avançar antes de julho de 2026 com a FID: "Nas nossas conversações em Houston [EUA, em 29 de outubro], com ExxonMobil, ficou claro que basta retomar-se o projeto da Total [que prevê partilha de infraestruturas], eles também vão começar a trabalhar connosco para que nos meados do próximo ano [2026], mais tarde julho/julho, possa haver decisão de investimento da Exxon".
A Lusa já noticiara que a ExxonMobil admitia seguir a retoma da TotalEnergies, no Rovuma LNG, devido a melhorias ao nível da segurança.
"Estamos a analisar e a tentar fazer o mesmo e, por isso, diria que o projeto está agora a avançar e sentimo-nos muito bem com isso (...) e estamos a trabalhar em estreita colaboração com a Total", disse o diretor-executivo da petrolífera norte-americana em 31 de outubro.
Darren Woods acrescentou que "a situação de segurança melhorou drasticamente", aludindo aos ataques que se registam em Cabo Delgado há oito anos e que em 2021 levaram a TotalEnergies a acionar a cláusula de `força maior` para suspender a construção do complexo em Afungi, o qual partilhará infraestruturas com o da ExxonMobil, ambos em terra, operando a partir da Bacia do Rovuma.
O consórcio, além da ExxonMobil, integra os italianos da Eni e os chineses da China National Petroleum Corporation (CNPC), que detêm uma participação de 70% no Contrato de Concessão de Exploração e Produção da Área 4.
A ExxonMobil chegou a prever a aprovação da FID para final de 2025 e depois para início de 2026, e o arranque da exportação de GNL em 2030, com capacidade prevista para a designada Área 4 da Bacia do Rovuma de 18 milhões de toneladas por ano (mtpa), a maior projetada em África.
Já o projeto da Área 1, liderado pela TotalEnergies, em fase de retoma, prevê o arranque das entregas de GNL em 2029 e uma capacidade de 13 mtpa.
Atualmente, mas no `offshore` da mesma bacia, o consórcio liderado pela Eni já produz, através da plataforma flutuante Coral Sul, cerca de sete mtpa, que arrancou em 2022. Aquele consórcio assinou em outubro a FID para a segunda plataforma do género, a Coral Norte, que vai duplicar a produção de GNL a partir de 2028, um investimento de 7,2 mil milhões dólares.