Preço do petróleo toca 80 dólares, gás e ouro sobem e bolsas recuam
A guerra no Médio Oriente fez subir hoje os preços do gás e do petróleo, que negoceia em torno dos 80 dólares por barril, enquanto as bolsas mundiais recuam e o ouro avança.
Mas, "para um evento de tal magnitude e sem precedentes, as reações dos mercados financeiros permanecem moderadas por enquanto", avalia, a diretora de pesquisa da XTB, Kathleen Brooks.
O principal movimento é o aumento do preço dos hidrocarbonetos, enquanto o Estreito de Ormuz, via essencial do comércio mundial, é agora evitado pelas principais companhias marítimas mundiais devido ao conflito.
O contrato de futuros do TTF holandês, considerado a referência europeia para o gás, registava às 08:40 GMT um aumento de 24,89%, para 39,91 euros.
No que diz respeito ao petróleo, o barril de Brent do Mar do Norte disparou 9,98%, para 80,14 dólares. O barril de WTI norte-americano subiu 9,21%, para 73,19 dólares.
Este aumento do petróleo provocou uma subida do dólar, moeda internacional utilizada no mercado petrolífero: subiu 0,93%, para 1,1703 dólares por euro.
O ouro, valor refúgio em caso de incertezas, ganhou 2,53%, para 5.412,75 dólares a onça.
"Há alguns anos, um conflito prolongado no Médio Oriente, no qual os Estados Unidos e o Irão se atacavam diretamente uns aos outros e aos aliados dos Estados Unidos, teria provocado o caos nos mercados", diz Kathleen Brooks.
Os efeitos nos mercados não são "insignificantes, mas certamente não são uma derrota", acrescentou.
As bolsas recuaram: Paris perdia 1,92%, Frankfurt 2,09%, Londres 1,04%, Milão 2,23% e Madrid 2,96%.
Na Ásia, Tóquio cedeu 1,35%. Hong Kong perdeu 2,14%.
"Observamos um mercado ordenado: os preços recuam, mas não há qualquer pânico, os mercados parecem (...) contar com um conflito limitado no tempo", observa Jochen Stanzl, da CMC Markets.
Os investidores estão preocupados com as "perturbações nas cadeias de abastecimento", com "o risco de uma inflação mais elevada", explica a diretora de estratégias de investimento da Hargreaves Lansdown, Kat Hudson.
As ações das grandes petrolíferas disparam em toda a Europa, beneficiando da subida dos preços do petróleo.
Por volta das 08:30 (hora de Lisboa), a TotalEnergies subia 3,97% na Bolsa de Paris. Noutros locais da Europa, a Eni subia 3,53% em Milão, a Shell 5,32% e a BP 4,70% em Londres. A Repsol ganhava 4,29% em Madrid. A Equinor disparava 7,81% em Oslo.
Já as ações das empresas do setor aéreo e do turismo caem nas bolsas europeias.
No setor aéreo, por volta da mesma hora, a AirFrance-KLM caía 7,24% em Paris, a Lufthansa recuava 5,77% em Frankfurt e a Easyjet 4,22% em Londres.
No setor do turismo, a Accor caía 9,50% em Paris e a TUI 7,00% em Frankfurt.
Por outro lado, as ações relacionadas com a indústria da defesa beneficiaram da escalada militar.
Em Paris, a Thales subia 5,61% e a Dassault Aviation 2,95%. Em Londres, a BAE Systemes avançava 7,20% e, em Estocolmo, a Saab 4,76%.