Privatizações da REN e da EDP investigadas na “Operação Monte Branco”
O Departamento Central de Investigação e Ação Penal continua no terreno com a “Operação Monte Branco” para investigar as privatizações da EDP e da REN. Em causa está a conduta de alguns assessores financeiros do Estado que conduziram o processo, sob os quais recaem suspeitas de tráfico de influências, abuso de informação e ganhos ilícitos. A investigação recolheu escutas telefónicas a banqueiros, que acabaram por desencadear as buscas efetuadas na Caixa Banco de Investimento e no BES Investimento. O Diário Económico revela que o Ministério Público já tem os contratos de venda das duas empresas, cedidos pela Parpública, sendo que o DCIAP esclareceu que as privatizações das duas empresas não estão em risco.
Um comunicado emitido ontem pela Procuradoria-Geral da República revela que com as diligências executadas até agora ”o DCIAP pretende esclarecer e investigar a intervenção e conduta de alguns dos assessores financeiros do Estado nos processos de privatização da EDP e da REN” e que “não está em causa o sentido da decisão final assumida naquelas privatizações, mas tão só a investigação criminal de condutas concretas de alguns intervenientes naqueles dossiers”.
Foi por isso que na passada segunda-feira, os procuradores do Ministério Público estenderam as buscas à Parpública, entidade que gere as participações do Estado nas empresas, onde solicitaram os documentos relativos à privatização da EDP e da REN. Os contratos já chegaram às mãos dos procuradores, que agora vão investigar a venda de 21,35 por cento da EDP aos chineses da Three Gorges e do negócio que culminou com a compra de 40 por cento da REN pela State Grid e pela Oman Oil.
Os responsáveis pela assessoria do Estado nas duas privatizações foram a Caixa BI e a Perella Weinberg Partners, empresa contratada por ajuste direto pela Parpública em agosto de 2011. Os compradores foram assessorados pelo BESI. O Jornal de Negócios escreve esta quarta-feira que os investigadores suspeitam da prática criminosa de “inside trading” durante o processo. Os assessores do Estado terão sabido com antecedência o valor das propostas para a compra da EDP e da REN, pelo que terão dado ordens subsequentes para a compra de ações.
De acordo com o mesmo diário, as ordens foram emitidas a sociedades ligadas à Akoya Asset Management.
Canals quer pulseira eletrónica
Segundo o Correio da Manhã, uma peça fundamental neste capítulo da investigação será o suíço Michel Canals, líder da Akoya, que está a ser investigada no âmbito da operação Monte Branco por suspeita de branqueamento de capitais e fuga ao fisco, numa fraude de muitos milhões de euros. Canals, que está em prisão preventiva desde 19 de maio, na sequência de uma confissão de Duarte Lima, foi ouvido a seu próprio pedido durante a tarde de ontem no DCIAP. O banqueiro suíço, segundo o matutino, está a colaborar com as autoridades neste caso porque quer ver revista a medida de coação e sair com pulseira electrónica já a 19 de agosto.
Dias depois da mediática detenção de Michel Canals, foi revelado pela revista Sábado que ainda no decorrer do processo Monte Branco, iniciado em junho de 2011, tinham sido escutadas conversas telefónicas de banqueiros portugueses. Surgiram na altura os nomes de José Maria Ricciardi, líder do BESI, e de Ricardo Salgado, presidente do grupo Espírito Santo, que prontamente negaram qualquer envolvimento no caso.
Depois da ronda de buscas ao BESI, confirmada pelo banco através de um comunicado, a nota da PGR acabou por ilibar a instituição das suspeitas, uma vez que o serviço de assessoria do BESI esteve do lado dos compradores.