Processamento de grafite é oportunidade para Moçambique fornecer ao mundo minérios transformados
O chefe do Estado moçambicano disse hoje que a nova fábrica de processamento de grafite é uma oportunidade para Moçambique se consolidar no mercado global como fornecedor de minérios transformados, onde há alta procura de "grafite de alta pureza".
"Esta fábrica constitui uma oportunidade concreta para Moçambique de se consolidar no fornecimento global de produtos minerais transformados dentro do nosso país, rompendo com o modelo histórico de simples exportação de matéria-prima bruta", disse Daniel Chapo, ao inaugurar a primeira fábrica de produção e processamento de grafite no país.
Erguida no distrito de Nipepe, a cerca de 400 quilómetros da cidade de Lichinga, capital da província de Niassa, no norte de Moçambique, a fábrica ocupa uma área de 2.469 hectares de capital chinês, avaliada em cerca de 200 milhões de dólares (165,7 milhões de euros), com uma capacidade de produção e processamento anual de 200 mil toneladas de grafite.
Esta infraestrutura emprega neste momento 1.090 trabalhadores, devendo alcançar mais de 2.000 empregados quando alcançar a sua máxima capacidade de produção, conforme informação da empresa.
Para o Presidente moçambicano, a inauguração da fábrica é um indicador claro de busca de soberania económica, estando-se a apostar na transformação das potencialidades em riqueza para as populações.
"Hoje, a província de Niassa, o distrito de Nipepe e Moçambique entram no mapa industrial do mundo. Mais do que inaugurar uma unidade de produção, celebramos aqui a visão de um país que deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima bruta aos países estrangeiros, e passa a afirmar-se como produtor, transformador e exportador do valor acrescentado de matéria-prima", disse Chapo.
Para o chefe do Estado, a implantação daquela unidade industrial visa facilitar o processamento do minério local para obter "grafite puro e de qualidade internacional" que responda a exigências internacionais com base na eficiência produtiva, responsabilidade económica e no impacto económico e social, pedindo apoio local à unidade fabril.
"Ao apostar no processamento local, Moçambique posiciona-se de forma estratégica no contexto global de crescente procura por grafite de alta pureza, essencial em setores que demandam o futuro, como o armazenamento de energia ao nível das baterias, a mobilidade elétrica e eletrónica e outras aplicações tecnológicas avançadas ao nível do mundo", disse.
O Presidente moçambicano defendeu ainda que a exploração e transformação de recursos deve respeitar as comunidades locais, incluindo os seus hábitos e culturas, preservando a dignidade humana e assegurando uma partilha justa e digna dos benefícios de exploração, rumo ao desenvolvimento sustentável das comunidades, elogiando a construção de 125 casas melhoraras para o reassentamento, além de um mercado local, centro de saúde e posto policial.
"Moçambique quer investimento responsável, transparente e comprometido com a proteção da vida, da natureza, do trabalhador e da dignidade das comunidades locais", disse Chapo, prometendo reformas profundas no setor de energia e recursos minerais.
Nas mesmas declarações, mostrou-se preocupado com as irregularidades na atividade mineira na província de Niassa, prometendo esforços idênticos aos aplicados em Manica, centro do país, com a suspensão das atividades.
"Estamos a disciplinar o licenciamento mineiro, mantendo encerrado o cadastro mineiro para garantir o cumprimento das obrigações técnicas e fiscais e eliminar áreas improdutivas que prejudicam o interesse nacional. Estamos preocupados com a província de Niassa, mais concretamente na zona de Lupilichi, onde temos a ocorrência de ouro e a mesma desorganização se verifica", avisou, pedindo um setor mineiro mais organizado e transparente.