Protestos pela habitação não deixam a rua e voltam ao Rossio de Lisboa

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Protestos pela habitação não deixam a rua e voltam ao Rossio de Lisboa

A madrugada foi marcada por duas cargas políciais, no Porto e em Lisboa, com um resultado de dezenas de feridos, de acordo com os organizadores do protesto, número mais reduzido nas contas da polícia. Esta tarde, como prometido, os manifestantes regressam ao seu posto de contestação das políticas da habitação.

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Um novo protesto foi marcado para as cinco da tarde deste domingo na Praça D. Pedro IV, em Lisboa.



Foto: Camila Vidal - RTP Antena1

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CGTP acusa Governo de limitar direito de manifestação

A CGTP denunciou hoje a ação repressiva do Governo, acusando-o de "clara orientação para a limitação das liberdades, nomeadamente do direito de manifestação, com uma interpretação restritiva da lei, que não tem paralelo nos últimos 50 anos".

Em comunicado, a central sindical reagiu às cargas policiais ocorridas nas manifestações pela habitação, na última madrugada, da Praça D. João I, no Porto, e na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, onde decorriam duas acampadas, culpando o Governo pelo sucedido.

"A CGTP-IN denuncia a política de direita do Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, que agrava a situação dos trabalhadores, dos jovens, dos reformados, da população, nega direitos e acentua a exploração ao serviço da acumulação de lucro do grande capital", lê-se no comunicado.

Neste contexto, a CGTP considera que "a ação repressiva" do Governo, "em vez da resposta aos problemas do país, está a promover uma clara orientação para a limitação das liberdades, nomeadamente do direito de manifestação, com uma interpretação restritiva da lei, que não tem paralelo nos últimos 50 anos e que contraria os direitos inscritos na Constituição da República Portuguesa".

"Nos acontecimentos recentes, em Lisboa e no Porto, nem sequer pode ser invocado como justificação para a intervenção repressiva, a realização de ações de violência provocatória", continua a nota de imprensa.

A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 11 feridos, cinco em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto). Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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Há 27 feridos na carga policial desta noite em Lisboa

Os números são do Hospital de São José e do Hospital de Santa Maria, contrariando os números anunciados durante a madrugada pelas forças policiais.

Em São José deram entrada 24 feridos, 19 deles graves e cinco ligeiros. Entretanto já todos tiveram alta.

O Hospital de Santa Maria confirma três feridos ligeiros, também eles já com alta confirmada.
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RTP /

Esquerda condena carga policial. André Ventura defende polícia

André Ventura classifica os manifestantes de vândalos e arruaceiros. À esquerda condena-se a carga policial.

José Luís Carneiro diz que foi uma intervenção desproporcionada e exige responsabilidades do primeiro-ministro.
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Autarca do Porto apela "à serenidade, ao bom senso e ao equilíbrio de todas as partes"

Pedro Duarte acaba de dizer que lamenta os incidentes da madrugada no Porto. O presidente da câmara apela à serenidade e volta a lembrar que está disponível para uma reunião com os manifestantes

Para o autarca, os acontecimentos da madrugada passada são "situações e imagens que ninguém gosta de ver".

"Eu particularmente não gosto mesmo nada de ver".

Pedro Duarte apelou, contudo, "à serenidade, ao bom senso e ao equilíbrio de todas as partes".

"Nós na Câmara Municipal já manifestamos disponíveis para receber os manifestantes".

Considerando a questão da Habitação "muito importante", Pedro Duarte disse ainda que "há uma obrigação por parte de quem tem responsabilidades públicas" de ouvir as pessoas e tentar encontrar soluções.
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Lusa / Adicionar como fonte informativa

Mais de 200 profissionais da Justiça assinam carta aberta pelo direito à manifestação

Mais de 200 profissionais da Justiça de todo o país já assinaram uma carta aberta pelo direito de manifestação, reagindo à resposta das autoridades sobre as manifestações em defesa da habitação realizadas em várias cidades.

Advogados, juristas, estudantes de Direito e outros profissionais da Justiça manifestam "profunda preocupação perante os discursos e práticas que, nos últimos tempos, têm colocado em causa o pleno exercício dos direitos de reunião e manifestação e de outras liberdades e direitos fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o direito à habitação".

Enquanto profissionais da Justiça, os subscritores consideram ser seu "dever defender o respeito efetivo pelas liberdades democráticas" e exigir "o apuramento de responsabilidades sempre que se verifiquem violações de direitos fundamentais".

O direito de manifestação - assinalam - "não constitui uma concessão do poder político, mas um direito fundamental cujo exercício não depende de autorização", sendo também uma das conquistas fundamentais do regime democrático instaurado com o 25 de Abril de 1974.

Ora, os direitos fundamentais "não podem ser esvaziados através de interpretações restritivas ou de práticas que, sob a invocação da manutenção da ordem pública, comprometam o seu exercício efetivo", constatam.

Os signatários manifestam-se ainda preocupados com a "tentativa de deslegitimar a contestação social ou de transformar o exercício de direitos fundamentais num problema de segurança pública", recordando que "muitas das conquistas sociais e laborais que hoje integram o nosso património democrático resultaram da organização, mobilização e luta coletiva".

Realçando "a expressiva adesão" à carta - que se mantém aberta a assinaturas através do formulário https://forms.gle/kjE7jZVYQbLP5mrJ9 -, "registada num curto espaço de tempo", os profissionais do Direito constatam que ela resulta da "preocupação existente no setor perante discursos e práticas que têm colocado em causa o pleno exercício dos direitos de reunião e manifestação".

Apelando a uma "reflexão coletiva", os subscritores lembram que "uma democracia não se mede apenas pelos direitos que proclama, mas também pela forma como os respeita e garante, sobretudo quando são exercidos para contestar decisões dos poderes instituídos".

A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.

De acordo com a PSP, em Lisboa há a registar sete feridos e 31 detidos por desobediência, mas, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos.

"Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", lê-se na publicação da Acampada de Lisboa na rede social Instagram.

No Porto, de acordo com a PSP, a intervenção causou oito feridos, número que a Acampada sobe para 37.

Lusa

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Ventura defende polícia e volta a criticar silêncio de Montenegro

O Chega defendeu hoje a intervenção da polícia na última madrugada sobre os manifestantes pela habitação, sustentando que "o Estado se não podia acobardar", e voltou a criticar o silêncio do primeiro-ministro, acusando-o de se esconder.

João Marques - RTP

Num vídeo enviado aos jornalistas, André Ventura diz que a ação da polícia na última madrugada "para a reposição da ordem pública" não podia "deixar de acontecer".

"O país, os seus centros urbanos, não podem ficar à mercê da desobediência de um conjunto muito minoritário de vândalos e provocadores sobre os moradores, sobre as forças da ordem, sobre as instituições do país. A polícia não tinha outro caminho se não fazer o que fez, repor a legalidade e repor a ordem", defende.

O líder do Chega considera que "uma minoria, sobretudo infiltrados pela extrema-esquerda e por alguns arruaceiros internacionais e nacionais, estavam a provocar deliberadamente, de forma intencional, as autoridades para que este momento chegasse".

"Este é um daqueles momentos em que as autoridades não se podiam nem deviam a acobardar, em que o Estado não podia nem devia acobardar", sustenta, dizendo estar "incondicionalmente ao lado" da polícia.

O líder do Chega volta a criticar o silêncio do primeiro-ministro e acusou Luís Montenegro e o PSD de andarem escondidos, instando-o a "dar a cara" perante "um país que anda completamente à deriva nestas últimas semanas".

Ventura indica igualmente que o Chega vai "trabalhar no parlamento para resolver o problema da habitação, com medidas concretas e reais para as pessoas, não para o mercado, para as pessoas".

"A causa da habitação é uma causa que tem que ser de todos e pela qual o Chega tem lutado muito, evitando rendas a subir descontroladamente, evitando e obrigando o Governo a não avançar com cauções ilimitadas, garantindo a proteção daqueles que são mais velhos e têm que ter uma casa. Tudo isso é o que tem que ser feito, é o que nós estamos a fazer, mas não é ocupando, destruindo monumentos, insultando as instituições, dizendo que se quer roubar os tribunais, destruindo o património e agredindo a polícia", defende.

Nesta posição em vídeo, o presidente do Chega critica também a esquerda por apoiar as manifestações e acusou o PS de irresponsabilidade, argumentando que "esses partidos estão a fazer um enorme dano à democracia, às instituições e à segurança".

"Quem se coloca hoje ao lado daqueles provocadores está a colocar-se contra a ordem, contra o Estado de Direito, contra o país. O Chega nunca aceitará fazer isso", afirma.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.

De acordo com a PSP, em Lisboa há a registar sete feridos e 31 detidos por desobediência, mas, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos.

"Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", lê-se na publicação da Acampada de Lisboa na rede social Instagram.

No Porto, e ainda de acordo com a PSP, a intervenção causou oito feridos, número que a Acampada sobe para 37, dos quais sete em estado grave.

 

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Luís Neves defende a ação da polícia

O ministro da Administração Interna diz que a policia agiu consoante a lei. Luís Neves garante que a ação não teve carga policial. Apesar de lamentar os feridos e de reconhecer a crise da habitação como uma causa justa, o MAI diz que não viu nenhuma atuação "desproporcional".

Em resposta à questão sobre a origem da ordem para a atuação das forças da ordem, Luís Neves sublinhou que as intervenções policiais, em Lisboa e no Porto, foram decisões da PSP. O ministro da Administração Interna acrescentou que sempre que exista violação da lei é "desejável que tudo se faça" para repor a ordem pública.

"Nenhuma força de segurança precisa de indicações para cumprir a lei. Cada força de segurança tem a sua autonomia técnica, tática e operacional. Naturalmente, estamos a falar do cumprimento da lei, nunca na História foi preciso que uma força precisasse de qualquer indicação para a fazer cumprir", afirmou Luís Neves, em declarações aos jornalistas em Celorico de Basto, à margem da cerimónia comemorativa do Dia Distrital dos Bombeiros de Braga.

"Quando existe uma violação da lei, é normal, é aceitável, é desejável que tudo se faça para que essa ordem pública seja reposta. Portanto, sempre que haja uma situação de ilegalidade, estamos a falar da ocupação do espaço público, o espaço público que é de todos, tem de ser usufruído por todos, esse espaço tem de ser restituído à liberdade e foi isso que as forças de segurança fizeram", sublinhou o ministro que tutela a Administração Interna.

Acerca da possibilidade de a operação da polícia ter sido desproporcional, o ministro explica: "Eu acompanhei a ação [policial]. Só vi, uma única vez, face a uma manifesta oposição, a que um bastão tenha sido utilizado. O que eu vi e acho que vimos todos foi força física para fazer cumprir a lei e o estado de direito".
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Livre considera intervenção policial "absolutamente inaceitável" em democracia

A porta-voz do Livre considera que esta noite "foi especialmente violenta" e que um estado democrático é "absolutamente inaceitável". perante uma "manifestação pacífica".

"O que aconteceu esta madrugada foi absolutamente inaceitável", afirmou à RTP Notícias Isabel Mendes Lopes. "Numa democracia, nós não podemos assistir a cenas como o que aconteceu hoje em Lisboa e no Porto".

A porta-voz do Livre sublinhou que a "democracia perde-se quando há violência de Estado sobre os cidadãos".

O pior, segundo Isabel Mendes Lopes, é ter sido uma "violência planeada e que foi deliberada".

Faltam explicações do primeiro-ministro e uma posição assumida pelo presidente da República, considerou ainda.

"Tudo isto foi planeado para avançar contra manifestantes pacíficos".

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"Enxovalho para a democracia". BE condena "violência policial" e critica Governo

O Bloco de Esquerda aponta responsabilidades ao Governo e acusa o primeiro-ministro de responder à crise na Habitação com "violência policial".

"Luís Montenegro respondeu à força grande, democrática e pacífica das ruas com violência policial, batendo, perseguindo, encurralando", acusou o coordenador do Bloco de Esquerda. "Toda a nossa solidariedade com quem foi agredido e perseguido nesta madrugada, só por se ter manifestado pacificamente".

A polícia, disse ainda José Manuel Pureza, "bateu a mando do Governo de Luís Montenegro".

Entre as críticas, o bloquista apontou que este executivo é "tão forte a mandar bater, tão em choque com a Constituição, a fazer da repressão a frio a sua única resposta à crise descontrolada da Habitação".

"Um Governo assim é um enxovalho para a democracia", continuou. "Este Governo não representa o povo português".
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PCP diz que "Governo não pode usar a polícia para reprimir manifestantes"

O PCP condena a operação policial e afirma que o Governo "não pode usar a polícia para reprimir" manifestações pacíficas.

João Ferreira considera que o problema "da Habitação em Portugal atingiu uma dimensão tal" que é "um problema nacional, um problema de todos".

O que se reflete nas dezenas de milhares de pessoas que se têm manifestado, assumiu: "é compreensível que as pessoas se manifestem", principalmente quando o Governo, "em lugar de encontrar medidas para resolver o problema, avança com propostas que o vão agravar".

Por isso, o representante comunista acredita que o Executivo tem, perante as reivindicações, "que olhar ao problema e avançar com medidas para resolver".

"Não é perseguir manifestantes, mandar a polícia reprimir manifestações, fazer interpretações altamente restritivas do direito e da liberdade de manifestação", continuou. "O Governo não pode usar a polícia para reprimir manifestantes que se manifestaram sempre ordeiramente, pacificamente".

"A solução é responder aos problemas", repetiu.
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Carga policial em Lisboa e no Porto. Protesto pela Habitação termina com confrontos

Foi uma madrugada violenta em Lisboa e no Porto. A carga policial aconteceu em simultâneo no Rossio e na Praça D. João I. E provocou feridos. Há também 31 detidos.

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