Quatro mil empresas reportam perto de mil milhões de euros em prejuízos

Quatro mil empresas reportam perto de mil milhões de euros em prejuízos

No que diz respeito a danos em habitações próprias, o Governo tem registo de mais de 11 mil pedidos de apoio.

Carlos Santos Neves - RTP /
Pedro Castanheira e Cunha - Lusa

Foram já reportados ao Governo, na sequência das intempéries que assolaram Portugal continental, pedidos de apoio de quatro mil empresas com prejuízos calculados em cerca de mil milhões de euros. Os números foram esta terça-feira aventados pelo ministro da Economia. Manuel Castro Almeida pediu transparência e garantiu que todos os danos serão verificados caso a caso para evitar eventuais aproveitamentos.

“A nível das empresas, já há muitas candidaturas, estamos a falar de mais de quatro mil empresas que se candidataram, num valor que anda já a chegar aos mil milhões de euros, já passa os 900 milhões, e já estão na conta das empresas mais de 200 processos”, indicou o ministro durante uma deslocação a Sobral de Monte Agraço.
Telejornal | 17 de fevereiro de 2026

Relativamente a habitações próprias, ainda segundo o governante, foram submetidos mais de 11 mil pedidos de apoio: “Já começaram a ser feitos pagamentos quer pela CCDR Centro, quer pela CCDR de Lisboa e Vale do Tejo”.

“Nós demos prioridade, evidentemente, às pessoas, depois às fábricas, onde estão os empregos das pessoas, mas agora é a altura de podermos avaliar muitos prejuízos que as câmaras tiveram”, prosseguiu o ministro da Economia.Manuel Castro Almeida visitou Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e Marinha Grande, concelhos que ainda estão a levar a cabo o levantamento de prejuízos causados pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta.


O ministro assinalou “prejuízos enormes” em estradas, redes de abastecimento de água e de saneamento e outros equipamentos públicos que são “incompatíveis com os orçamentos municipais”.

“Vamos ter que ajudar e estamos a ver agora quais são os termos mais justos e mais equitativos de poder dar essa ajuda que os municípios precisam”, enfatizou.
“Justiça e equidade”

Em Sobral de Monte Agraço, o ministro da Economia apelou a “justiça e equidade” na análise dos pedidos de apoio remetidos pelas câmaras municipais.

Em Arruda dos Vinhos, durante a manhã, Castro Almeida colocara já a tónica na necessidade de travar pedidos fraudulentos, apelando à transparência.

“Não podemos também permitir abusos. Temos que estar atentos porque às vezes há pessoas que tentam atirar o barro à parede a ver se têm uma ajuda do Estado mesmo quando não seja devida”, afirmou o ministro.

“Há casos de pessoas, por exemplo, que quando apresentam relato de danos nas suas casa, o dano consiste numa rachadela na parede”, exemplificou.
"Um passo mais à frente"

Já depois da deslocação a Sobral de Monte Agraço, na Marinha Grande, onde se reuniu com associações empresariais, o titular da pasta da Economia deu conta de um encontro "muito proveitoso".

"Já desde há uns dias que está criada uma linha de crédito para que as empresas desta região possam concorrer e habilitar-se com fundos para fazer a recuperação. Mas nós não queremos que as empresas se limitem a recuperar e a pôr tudo como estava, como dinheiro dos seguros e a linha de crédito", acrescentou.
"O que nós queremos agora é criar uma nova oportunidade de as empresas poderem dar um passo mais à frente, irem mais adiante e ficarem mais fortes, saírem mais fortes desta crise e sinto que há vontade dos empresários de aproveitar essa oportunidade. O Governo decidiu criar um fundo adicional e abriu um concurso específico para esta região aqui de Leiria, Coimbra, que foi afetada por esta tempestade, para que possam concorrer as empresas que, além de repor a situação em que estavam, queiram investir mais", continuou o ministro.

A linha, precisou o ministro da Economia, "vai permitir investir mais 400 milhões de euros nas empresas, com fundos a fundo perdido de 150 milhões de euros".

c/ Lusa
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