Receios de recessão global deixam bolsas em queda livre

O temor de uma recessão de alcance global está a empurrar os mercados accionistas internacionais para um quadro de queda livre. Tomadas pelo pânico, as bolsas europeias encerraram as sessões de sexta-feira em forte quebra, com Madrid e Londres a registarem as maiores desvalorizações. Na Ásia, a bolsa japonesa encerrou com a pior quebra dos últimos 21 anos.

Carlos Santos Neves, RTP /
“É o pânico. Tudo se torna absurdo. As pessoas vendem mesmo as vacas sagradas”, afirmou à agência France Presse um executivo da Global Equities Frank Rumpenhorst, EPA

Nenhuma praça accionista conseguiu furtar-se aos receios de uma recessão mundial. Pequenos accionistas e empresas estão a encaixar perdas de monta e os analistas descrevem o cenário actual como uma fase de pânico.

Os mercados permanecem insensíveis a todas as medidas de resposta à crise financeira - sucessivos apelos à calma, operações de socorro a instituições bancárias, garantias de protecção de depósitos, cortes das taxas de juro directoras dos bancos centrais e injecções de liquidez.

Em Madrid, o índice Ibex 35 terminou a sessão a cair 9,14 por cento. O Footsie 100, índice principal da bolsa londrina, caía 8,85 por cento no momento do fecho da negociação.

A vaga depressiva condicionou também a bolsa de Paris, com o CAC 40 a desvalorizar 7,73 por cento, e a praça de Frankfurt, onde o Dax terminou em baixa de 7,01 por cento.

As desvalorizações foram transversais às bolsas de Amesterdão, Milão, Bruxelas e dos países nórdicos, cujas perdas se situaram nos 5,5 por cento, em média.

Em Itália, o organismo regulador da bolsa adoptou uma medida sem precedentes para domar as operações especulativas que agravam a instabilidade, interditando as transacções a descoberto (short selling) até ao final do mês. A medida repetiu-se na Dinamarca.

Moscovo optou por manter encerrados o RTS e o Micex.

“É o pânico. Tudo se torna absurdo. As pessoas vendem mesmo as vacas sagradas”, afirmou à agência France Presse o director de vendas da Global Equities em Paris, Xavier de Villepion.

Na Ásia, as principais bolsas viveram também um dia de pesadelo. O índice Nikkei, de Tóquio, fechou a perder 9,62 por cento, registando a pior desvalorização em mais de duas décadas. Xangai recuou 3,57 por cento e Hong Kong 7,19 por cento.

A bolsa de Nova Iorque fechou a negociação sem uma tendência clara, depois de uma sessão marcada pela volatilidade. O índice Dow Jones desvalorizou 1,31 por cento, ao passo que o tecnológico Nasdaq ganhou 0,27 por cento. Isto depois de o Presidente norte-americano ter reeditado o discurso de confiança com um apelo à rejeição da “incerteza e do medo”.

Euronext Lisboa em forte queda

Depois de ter experimentado uma recuperação ténue na véspera, o índice de referência da bolsa portuguesa fechou a sessão de hoje a desvalorizar 5,94 por cento para os 6.281,03 pontos.

Todos os papéis que formam o índice PSI 20 acabaram o dia no vermelho.

No fecho da sessão de sexta-feira, a Galp Energia perdia quase 12 por cento e a EDP Renováveis registava uma quebra de 9,396 por cento.

A PT encabeçou as desvalorizações no sector das telecomunicações, com uma quebra de 9,163 por cento. Já a Sonaecom perdeu 8,154 por cento e a Zon 0,413 por cento.

No sector da banca, a maior queda coube ao BES, cujos títulos desvalorizaram 6,380 por cento. Seguiram-se o BCP, a cair 4,615 por cento, e o BPI, que fechou a sessão em baixa de 3,261 por cento.
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