Região de Leiria defende equilíbrio entre ambiente e bem-estar humano na alta velocidade

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria considera ser imprescindível a garantia de "um equilíbrio entre os ecossistemas e o bem-estar humano" na futura linha de alta velocidade que vai atravessar quatro dos seus 10 concelhos.

Lusa /

No parecer da comunidade emitido na fase de consulta pública do estudo de impacto ambiental do troço entre Soure e Carregado da linha de alta velocidade Lisboa - Porto, que terminou na sexta-feira, lê-se que este projeto é "uma oportunidade única para transformar estruturalmente o território e impulsionar a Região de Leiria em termos de atração de pessoas e investimento".

"Contudo, torna-se imprescindível garantir um equilíbrio entre os ecossistemas e o bem-estar humano, assegurando a qualidade ambiental e a coerência territorial da infraestrutura", defende a CIM no documento enviado hoje à agência Lusa.

A CIM integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

O troço Soure - Carregado, que contempla uma estação em Leiria, atravessa os concelhos de Rio Maior, Azambuja, Alenquer, Cadaval, Caldas da Rainha, Alcobaça, Porto de Mós, Leiria, Marinha Grande e Pombal.

Assinalando que o documento se refere ao estudo prévio, pelo que "limita a precisão dos impactes avaliados", a comunidade nota, por outro lado, que "o enfoque principal está na infraestrutura, sem explorar suficientemente os impactos económicos e sociais da localização" da futura estação na zona da Barosa, concelho de Leiria.

Por outro lado, "não reflete uma abordagem integrada com outros atores-chave, essenciais para uma resposta territorial mais abrangente", sustenta.

O parecer elenca depois os impactos da alta velocidade nos municípios da Região de Leiria para onde está projetada e enumera as condições essenciais para garantir que o projeto "contribua de forma estruturante para a mobilidade e o desenvolvimento regional".

Entre essas condições estão o planeamento intermodal que potencie a articulação da linha de alta velocidade com a Linha ferroviária do Oeste, a criação de redes de transporte público eficiente e de mobilidade suave, e a garantia de acessibilidades rodoviárias otimizadas para todas as cidades envolvidas.

A Comunidade Intermunicipal salienta a necessidade de um "planeamento ambiental rigoroso, evitando impactes em zonas sensíveis, como aquíferos e vales agrícolas", além do "reforço da intermodalidade em Pombal [servido pela Linha ferroviária do Norte], permitindo a maximização do potencial logístico e ferroviário".

Para a Região de Leiria, "a implementação da linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa constitui um projeto estruturante, capaz de impulsionar a mobilidade, a economia e a competitividade regional".

Porém, "a sua viabilização está condicionada à adoção de medidas que garantam um desenvolvimento equilibrado, uma mobilidade eficiente e a preservação ambiental", avisa.

A comunidade reforça "a importância de uma articulação entre todos os atores regionais e nacionais", para que "esta infraestrutura seja um verdadeiro motor de transformação territorial e desenvolvimento sustentável para a região".

O parecer da Comunidade da Região de Leiria foi submetido na plataforma participa.pt após consensualização com os 10 municípios que a integram.

A consulta pública desencadeou 920 participações.

A linha de alta velocidade Porto - Lisboa, em via dupla eletrificada, vai permitir uma velocidade máxima de 300 quilómetros por hora e destina-se exclusivamente a tráfego de passageiros.

O troço Soure - Carregado insere-se na fase 2, dando sequência aos projetos da fase 1, com declarações de impacte ambiental emitidas, respetivamente, em agosto de 2023 para Aveiro (Oiã) - Porto (Campanhã) e em novembro do mesmo ano para Soure - Aveiro (Oiã).

Já a fase 3 diz respeito ao troço Carregado - Lisboa.

De acordo com o resumo não técnico, este troço tem um custo estimado de dois mil milhões de euros e a duração previsível dos trabalhos de construção é de quatro anos.

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