Restrições à mão-de-obra trava esforços para diversificar economia de Macau
A agência de notação financeira Fitch alertou hoje que as restrições à mão-de-obra vinda do exterior e a falta de pessoal qualificado estão a travar a diversificação da economia de Macau, capital mundial dos casinos.
Num relatório divulgado hoje, a Fitch disse esperar que o crescimento do turismo ligado ao jogo "abrande, mas permaneça sólido em 2026, impulsionado por políticas de vistos favoráveis, ofertas culturais e de entretenimento alargadas e investimentos contínuos" fora dos casinos.
A instituição manteve o `rating` de Macau em `AA`, o terceiro nível mais alto, lembrando que é a única jurisdição sem qualquer dívida externa e que conta com uma reserva financeira no valor de 663,2 mil milhões de patacas (69,4 mil milhões de euros).
Num comunicado, a Autoridade Monetária de Macau defendeu que a classificação da cidade "se deveu, principalmente, à situação muito estável das finanças públicas e da balança de pagamentos".
Mas a Fitch admitiu que o `rating` da região não é mais elevado devido à "elevada dependência" dos casinos e dos apostadores vindos da China continental e "vulnerabilidade a alterações de políticas" por parte de Pequim.
Em dezembro, a agência previu que o crescimento da economia de Macau irá desacelerar para 4% em 2026, porque as condições económicas mais fracas" irão "pesar cada vez mais sobre os turistas chineses".
A Fitch espera que o Governo local continue a impulsionar o desenvolvimento de outros setores, nomeadamente "aprofundando a integração" entre Macau e a vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha).
Mas a instituição alertou que os recursos humanos "irão restringir a capacidade de Macau de construir uma vantagem competitiva em setores emergentes não relacionados com o jogo a curto prazo".
A região empregava no final de 2025 quase 184 mil trabalhadores migrantes, um aumento de quase 32 mil desde o fim da política `zero covid`, em janeiro de 2023, mas ainda longe do pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019.
As autoridades da região administrativa especial chinesa têm apontado as relações económicas com os países de língua portuguesa como uma das prioridades para reduzir a dependência dos casinos.
No entanto, Macau não aceita desde agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o "exercício de funções técnicas especializadas", permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.
As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.
Aos portugueses resta a emissão de um `blue card`, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.
A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados.