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Sindicato desafia construtoras a cederem operários qualificados para a reconstrução

Sindicato desafia construtoras a cederem operários qualificados para a reconstrução

O Sindicato da Construção de Portugal alertou hoje para os perigos da reconstrução das áreas afetadas pelo mau tempo por operários não qualificados, defendendo que as grandes empresas do setor se articulem e cedam trabalhadores para assegurar os trabalhos.

Lusa /

"O que podia e devia acontecer era os empresários de grande dimensão juntarem-se todos na associação [patronal] e decidirem ceder [cada um] cinco, 10 ou 20 trabalhadores, e vão para lá operários qualificados", afirmou o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, em declarações à agência Lusa.

Salientando a importância de ter no terreno "gente que conhece bem o setor e sabe reconstruir com qualidade", o dirigente sindical alertou que, "se não houver cuidado, podem morrer mais pessoas a reconstruir telhados e outras coisas que foram danificadas".

"Porque é que aquelas pessoas morreram por estarem em cima dos telhados? E podem morrer outras mais. Se forem para lá pessoas que nunca trabalharam no setor - e é o que temos, infelizmente, em Portugal, porque faltam mais de 100.000 trabalhadores qualificados -- aquilo vai ser um perigo", avisou.

Certo de que "há empresários [da construção] que aceitariam" integrar um "movimento de solidariedade" com este objetivo, Albano Ribeiro garantiu conhecer "mais de 20 empresas capazes de o fazer".

Antecipando que "para reconstruir tudo o que está destruído", desde fábricas a habitações, "serão precisos no mínimo 100 trabalhadores", o presidente do sindicato salientou que o setor continua a sofrer um grave problema de falta de mão de obra qualificada, porque "não há ninguém a formar trabalhadores", sejam carpinteiros, pintores ou manobradores.

E, sendo já Portugal "um país de passagem" de trabalhadores imigrantes, o recente anúncio da regularização extraordinária de 500.000 imigrantes que vivem de forma irregular em Espanha poderá atrair ainda mais operários para o outro lado da fronteira.

A agência Lusa noticiou hoje que 20 trabalhadores de uma empresa de engenharia e construção de Felgueiras estão a ajudar a reparar telhados na Boa Vista, uma localidade a 10 quilómetros de Leiria onde muitas casas ficaram sem telhas e ainda há falhas de energia e de comunicações.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2.500 milhões de euros.

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