Sindicato dos Jornalistas acusa RTP de desmantelar serviço público e contesta rescisões
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou hoje "oposição terminante" ao plano da administração da RTP de avançar com novos cortes e rescisões, acusando a estação de promover o "desmantelamento do serviço público".
"A direção do SJ opõe-se terminantemente à intenção da administração da RTP em proceder a mais um desmantelamento do serviço público da rádio e televisão de Portugal", lê-se no comunicado divulgado hoje.
O sindicato considerou que "é um ataque ao serviço público de jornalismo, com propostas de cortes de pessoas que tornam praticamente impossível fazer o trabalho diário, quanto mais cumprir com a exigência de qualidade que deve ser apanágio de qualquer serviço público".
Com as saídas ao abrigo das rescisões voluntárias em 2025, o sindicato questiona como é que a administração da estação pública pretende manter em funcionamento as redações da rádio e da televisão, estando já a ser preparado um novo plano de 200 rescisões.
Neste sentido, "o SJ opõe-se, também, às sinergias que estão a ser preparadas, às escondidas dos trabalhadores e das organizações representativas dos trabalhadores, entre as redações de televisão e rádio, lembrando que as tarefas, as ferramentas e os tempos de trabalho são distintos".
O sindicato relembrou o mau exemplo das sinergias de 2012 entre as redações, para referir que "não é possível fazer bom jornalismo com menos pessoas e menos meios".
O SJ criticou ainda os elogios da administração da RTP "ao serviço público da Rádio Antena 1, o serviço noticioso fulcral durante o apagão de abril de 2025, na cobertura que fez e ainda faz das tempestades que têm assolado o país nas últimas semanas, se depois não respeita os seus trabalhadores e a sua marca per si, pretendendo aglutiná-la com a RTP".
O sindicato referiu que serviço público de rádio e televisão é indispensável à democracia e à coesão social, através de informação plural, rigorosa e independente, reforçando a diversidade de vozes, a autonomia editorial e a valorização do trabalho jornalístico, princípios que não podem ser sacrificados em nome de opções de gestão que empobrecem o serviço público.
"O Sindicato dos Jornalistas reafirma que a defesa de um serviço público forte, diferenciado e plural é inseparável da defesa da democracia e continuará a opor-se a qualquer medida que fragilize essa missão e desvalorize quem nela trabalha diariamente", rematou o SJ.