Economia
Sócrates confirma pedido de ajuda a Bruxelas
O primeiro-ministro demissionário anunciou que foi endereçado um pedido de ajuda financeira à Comissão Europeia para “garantir as condições de financiamento” do país. José Sócrates justifica a sua mudança de posição com o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República e a degradação “de forma dramática a situação financeira” portuguesa.
"O Governo decidiu hoje mesmo dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira por forma a garantir as condições de financiamento do nosso país, ao nosso sistema financeiro e à nossa economia. Fizemo-lo nos termos que têm em conta a situação política nacional e as limitações constitucionais do Governo, como Governo de gestão", declarou o primeiro-ministro demissionário à comunicação social.
José Sócrates sublinhou que, no Parlamento, “a rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento agravou de forma dramática a situação financeira do país. Foi o sinal mais errado que o país podia ter dado aos mercados financeiros. Foi o sinal errado no momento errado".
O chumbo da quarta versão do PEC motivou a subida acentuada das taxas de juro em todos os prazos e a descida do rating dos principais bancos “para níveis muito perigosos”. Deste modo, argumentou o primeiro-ministro demissionário, a rejeição do PEC IV na Assembleia da República acentuou as dificuldades de financiamento da República Portuguesa.
Na sua justificação para o recurso ao mecanismo de ajuda financeira da Comissão Europeia, José Sócrates referiu estar convicto que “avaliadas todas as alternativas e depois de todos os contactos que fiz, [a situação] tenderá a agravar-se ainda mais se nada for feito".
Depois de notar que sempre viu “um pedido de ajuda externa como último recurso”, José Sócrates considera que este “é o momento para todos assumirmos as nossas responsabilidades no país” e prometeu empenho “para que a negociação deste pedido de ajuda tenha os menores custos possíveis para Portugal”.
Sócrates acrescentou que a decisão foi comunicada ao Presidente da República.
Cortes de rating e altos juros para financiamento
Como tem acontecido nos últimos dias, esta quarta-feira verificou-se uma nova vaga de cortes nas notas de “rating” em bancos e empresas públicas portugueses. A Moody’s ajustou as avaliações de risco de crédito, depois de ontem ter baixado a nota do Estado.
As descidas de rating colocaram o Santander Totta no nível “A3” e a Caixa Geral de Depósitos em “BAA-1”. Um nível abaixo aparecem o BES e o BPI e logo abaixo está o BCP. O Montepio Geral foi despromovido para um nível já considerado "lixo".
A mesma agência de notação financeira baixou também a classificação atribuída a empresas de participação pública. A REN passou para “BAA2”, enquanto a Parpública, a CP e a RTP foram colocadas mais abaixo e num nível também considerado "lixo".
José Sócrates apontou que as taxas de juro hoje obtidas nos mercados constituem um sinal da gravidade da situação.
O Estado português conseguiu financiar-se no mercado em cerca de mil milhões de euros, com maturidade a 6 e 12 meses. No entanto, a taxa de juro cobrada pelos investidores disparou em relação à última emissão semelhante e ficou acima dos 5 por cento em qualquer das linhas de maturidade.
De acordo com os dados do Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público, o Estado colocou cinco milhões de euros acima do máximo indicativo para a operação desta manhã, com 550 milhões na linha com maturidade a 21 de outubro (taxa de juro de 5,117 por cento) e 455 milhões na linha com maturidade a 23 de março de 2012 (juro de 5,902 por cento).
Cronologia de um pedido de ajuda
O cenário de pedido de recurso ao fundo europeu de resgate começou a ser desenhado durante a tarde, com o ministro dos Assuntos Parlamentares a dizer que “se tiver que agir em matéria de financiamento externo, o Governo agirá patrioticamente como sempre em defesa do interesse nacional". Dirigindo críticas a todas as forças políticas na oposição, Jorge Lacão apontou que “dificilmente poderíamos imaginar um quadro mais grave para o país, mas houve quem reiteradamente tenha chamado a atenção para essa gravidade e houve quem não quisesse ouvir".
Uma hora depois, o presidente da bancada parlamentar socialista justificava um eventual pedido de ajuda no quadro de excecional degradação das condições de financiamento. “Digo que situações excecionais exigem respostas excecionais. Se, porventura, em teoria, se colocar uma situação dessa natureza, todos deveremos fazer um esforço de consenso nacional", disse Francisco Assis.
No final da tarde, o ministro das Finanças havia avançado ao “Jornal de Negócios” considerar, dado o quadro atual, ser necessário que o país recorra de imediato aos mecanismos de ajuda financeira (ver notícia relacionada).
Bruxelas disposta “para examinar” pedido português
Durão Barroso confirmou ter recebido “a intenção de Portugal pedir a ativação dos mecanismos de auxílio financeiro”. Este pedido será tratado "da forma mais expedita possível, de acordo com as regras pertinentes", declarou o presidente da Comissão Europeia, numa comunicação escrita.
"O presidente da Comissão Europeia reitera nesta ocasião a sua confiança na capacidade de Portugal superar as dificuldades atuais, com a solidariedade dos seus parceiros", lê-se ainda na nota.
A União Europeia já "tem instrumentos operacionais, o fundo europeu de estabilização financeira (FEEF) e no mecanismo europeu de estabilização financeira (MEEF), para os quais as condições de acesso são bem conhecidas, dizia ao final da tarde o porta-voz do comissário dos Assuntos Económicos e Monetários.
Para recorrer ao mecanismo de resgate, com a participação do Fundo Monetário Internacional, o Governo europeu tem de fazer esse pedido de ajuda aos países da Zona Euro e em seguida negociar um programa de ajustamento económico que é a principal condição para que este seja aprovado.
José Sócrates sublinhou que, no Parlamento, “a rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento agravou de forma dramática a situação financeira do país. Foi o sinal mais errado que o país podia ter dado aos mercados financeiros. Foi o sinal errado no momento errado".
O chumbo da quarta versão do PEC motivou a subida acentuada das taxas de juro em todos os prazos e a descida do rating dos principais bancos “para níveis muito perigosos”. Deste modo, argumentou o primeiro-ministro demissionário, a rejeição do PEC IV na Assembleia da República acentuou as dificuldades de financiamento da República Portuguesa.
Na sua justificação para o recurso ao mecanismo de ajuda financeira da Comissão Europeia, José Sócrates referiu estar convicto que “avaliadas todas as alternativas e depois de todos os contactos que fiz, [a situação] tenderá a agravar-se ainda mais se nada for feito".
Depois de notar que sempre viu “um pedido de ajuda externa como último recurso”, José Sócrates considera que este “é o momento para todos assumirmos as nossas responsabilidades no país” e prometeu empenho “para que a negociação deste pedido de ajuda tenha os menores custos possíveis para Portugal”.
Sócrates acrescentou que a decisão foi comunicada ao Presidente da República.
Cortes de rating e altos juros para financiamento
Como tem acontecido nos últimos dias, esta quarta-feira verificou-se uma nova vaga de cortes nas notas de “rating” em bancos e empresas públicas portugueses. A Moody’s ajustou as avaliações de risco de crédito, depois de ontem ter baixado a nota do Estado.
As descidas de rating colocaram o Santander Totta no nível “A3” e a Caixa Geral de Depósitos em “BAA-1”. Um nível abaixo aparecem o BES e o BPI e logo abaixo está o BCP. O Montepio Geral foi despromovido para um nível já considerado "lixo".
A mesma agência de notação financeira baixou também a classificação atribuída a empresas de participação pública. A REN passou para “BAA2”, enquanto a Parpública, a CP e a RTP foram colocadas mais abaixo e num nível também considerado "lixo".
José Sócrates apontou que as taxas de juro hoje obtidas nos mercados constituem um sinal da gravidade da situação.
O Estado português conseguiu financiar-se no mercado em cerca de mil milhões de euros, com maturidade a 6 e 12 meses. No entanto, a taxa de juro cobrada pelos investidores disparou em relação à última emissão semelhante e ficou acima dos 5 por cento em qualquer das linhas de maturidade.
De acordo com os dados do Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público, o Estado colocou cinco milhões de euros acima do máximo indicativo para a operação desta manhã, com 550 milhões na linha com maturidade a 21 de outubro (taxa de juro de 5,117 por cento) e 455 milhões na linha com maturidade a 23 de março de 2012 (juro de 5,902 por cento).
Cronologia de um pedido de ajuda
O cenário de pedido de recurso ao fundo europeu de resgate começou a ser desenhado durante a tarde, com o ministro dos Assuntos Parlamentares a dizer que “se tiver que agir em matéria de financiamento externo, o Governo agirá patrioticamente como sempre em defesa do interesse nacional". Dirigindo críticas a todas as forças políticas na oposição, Jorge Lacão apontou que “dificilmente poderíamos imaginar um quadro mais grave para o país, mas houve quem reiteradamente tenha chamado a atenção para essa gravidade e houve quem não quisesse ouvir".
Uma hora depois, o presidente da bancada parlamentar socialista justificava um eventual pedido de ajuda no quadro de excecional degradação das condições de financiamento. “Digo que situações excecionais exigem respostas excecionais. Se, porventura, em teoria, se colocar uma situação dessa natureza, todos deveremos fazer um esforço de consenso nacional", disse Francisco Assis.
No final da tarde, o ministro das Finanças havia avançado ao “Jornal de Negócios” considerar, dado o quadro atual, ser necessário que o país recorra de imediato aos mecanismos de ajuda financeira (ver notícia relacionada).
Bruxelas disposta “para examinar” pedido português
Durão Barroso confirmou ter recebido “a intenção de Portugal pedir a ativação dos mecanismos de auxílio financeiro”. Este pedido será tratado "da forma mais expedita possível, de acordo com as regras pertinentes", declarou o presidente da Comissão Europeia, numa comunicação escrita.
"O presidente da Comissão Europeia reitera nesta ocasião a sua confiança na capacidade de Portugal superar as dificuldades atuais, com a solidariedade dos seus parceiros", lê-se ainda na nota.
A União Europeia já "tem instrumentos operacionais, o fundo europeu de estabilização financeira (FEEF) e no mecanismo europeu de estabilização financeira (MEEF), para os quais as condições de acesso são bem conhecidas, dizia ao final da tarde o porta-voz do comissário dos Assuntos Económicos e Monetários.
Para recorrer ao mecanismo de resgate, com a participação do Fundo Monetário Internacional, o Governo europeu tem de fazer esse pedido de ajuda aos países da Zona Euro e em seguida negociar um programa de ajustamento económico que é a principal condição para que este seja aprovado.