Sócrates viaja para Bruxelas sem Orçamento de 2011

O primeiro-ministro José Sócrates estará esta quinta-feira em Bruxelas para participar num Conselho Europeu onde a Alemanha e a França se preparam para impor novas regras aos parceiros da União Europeia para que sejam asseguradas garantias de estabilidade financeira do grupo dos 27. Sem Orçamento para 2011, Sócrates está já a merecer particular atenção dos jornais alemães.

RTP /
O primeiro-ministro recebeu no Palácio de São Bento os líderes dos vários partidos para preparar o Conselho Europeu Mário Cruz, Lusa

O fracasso no acordo entre o Governo e o PSD para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011 não passou despercebido na Europa, em particular na Alemanha, o principal motor da União e o país que mais contribui financeiramente para a estrutura dos 27.

A imprensa germânica lê a incapacidade de levar as conversações a bom porto como um retrocesso no combate à crise das dívidas soberanas europeias.

De acordo com a revista de imprensa da Agência Lusa, a edição alemã do Financial Times titula que "As negociações em Portugal sobre o Orçamento fracassaram", considerando tratar-se de um "retrocesso" para a superação da crise das dívidas na Europa.

"Em Portugal, também um país em crise, o pacote de austeridade oscila", aponta o Frankfurter Allgemeine, num artigo em que emparelha a condição portuguesa com as da Irlanda e Grécia.

"Oposição trava pacote de austeridade", coloca em título o jornal económico Handelsblatt, prevendo que à crise na economia portuguesa venha a juntar-se uma crise política, e secundando a análise do FT: o insucesso negocial de Lisboa é "um retrocesso" no combate à "crise das dívidas soberanas europeias".

Portugal na linha de fogo de Berlim
A deslocação de José Sócrates a Bruxelas não podia acontecer em pior altura para o chefe do Governo português e a própria agenda do Conselho Europeu em nada beneficia a folha portuguesa: Berlim e Paris pretendem colocar no papel as pressões que vêm fazendo junto dos parceiros europeus para estabelecer regras mais apertadas para os incumpridores do défice.

A chanceler Ângela Merkel e o Presidente Nicolas Sarkozy vão tentar convencer os 27 da necessidade de introduzir novas reformas nos tratados europeus com vista a evitar novas rupturas nas economias do Euro, mas as economias mais fracas têm vindo a manifestar desacordo para com as propostas alemãs.

Se existe por parte dos 27 abertura para instituir o reforço das regras do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento) no sentido da aplicação de sanções mais severas para os membros incapazes de manter as suas finanças na linha, é com forte sentimento de repulsa que está a ser encarada a proposta que vai no sentido da perda de direito de voto desses “maus alunos” nas instituições europeias.
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