Teerão aguarda "posição definitiva" dos EUA sobre plano para reabrir Ormuz

Teerão aguarda "posição definitiva" dos EUA sobre plano para reabrir Ormuz

O Irão confirmou estar ciente da postura negativa dos Estados Unidos (EUA) em relação à proposta para reabrir o estreito de Ormuz dentro de sete dias, mas sublinhou que continua "a aguardar" uma "posição definitiva".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que rejeitou o plano de sete dias apresentado pelo Irão para reabrir a passagem marítima pelo estreito de Ormuz, que está bloqueada pela guerra.

"Vimos a primeira reação do Presidente dos Estados Unidos, mas ainda não recebemos nada dos mediadores", disse, horas mais tarde, o chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araqchi, numa publicação nas redes sociais.

"É claro que o Presidente disse muitas coisas boas, assim como muitas contraditórias, algo que, infelizmente, ouvimos frequentemente dele. Estamos à espera que os mediadores nos transmitam a sua posição definitiva", declarou Araqchi.

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que Teerão "nunca fechou a porta à diplomacia e às negociações" perante uma situação que se encontra, segundo as suas palavras, "num impasse".

"Não há ninguém no mundo hoje que possa acusar o Irão de não ter tentado a via diplomática. Encontramo-nos numa posição política superior a este respeito", sublinhou Araqchi.

"Só uma solução negociada pode tirá-los [os Estados Unidos] deste impasse. Esta é a nossa posição. Muitos países partilham esta posição connosco e compreendem-na", assegurou o ministro.

Além disso, o diplomata sustentou que a República Islâmica se manteve firme sempre que os seus "inimigos decidiram optar por outro caminho" que não a diplomacia.

Na sexta-feira, Araqchi, anunciou, a partir da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, que Teerão apresentou a Washington um plano de sete dias para restabelecer o tráfego marítimo normal através do estreito de Ormuz.

O plano inclui, entre outras medidas, um cessar-fogo de sete dias no Médio Oriente, o levantamento do bloqueio naval dos EUA contra o Irão, o fim das sanções ao petróleo iraniano e a libertação de bens iranianos congelados.

Posteriormente, o Irão aceitaria reabrir o estreito de Ormuz e, ao sétimo dia, Teerão e Washington retomariam as negociações para um acordo final, que incluiria o programa nuclear iraniano.

Araqchi explicou que Teerão transmitiu a proposta a Washington através do Qatar, um dos mediadores do conflito, e sugeriu que poderia avançar se "o lado norte-americano levasse a sério a possibilidade de se chegar a um acordo".

"Eles fizeram uma proposta, mas eu rejeitei-a", disse o Presidente dos EUA, Donald Trump, aos jornalistas, no Jardim das Rosas da Casa Branca, antes de embarcar num helicóptero.

Apesar do bloqueio do estreito, Trump afirmou que os EUA têm "controlo total" de Ormuz e que "grandes quantidades" de petróleo fluem pela via navegável todos os dias, com 29 petroleiros a passarem por lá na noite de sexta-feira para sábado.

"Querem fazer um acordo, o que é ótimo, eu gosto de acordos. Mas esse acordo não seria aceitável", acrescentou o chefe de Estado norte-americano.

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