Moscovo oferece intermediação para resolver questão do Estreito de Ormuz
A oferta russa surge após o presidente norte-americano ter dito não a uma oferta de Teerão para a assinatura de um plano de reabertura do Estreito por onde passava, até há uns meses, 20 por cento do petróleo mundial.
A oferta foi colocada em cima da mesa pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros. Sergei Lavrov explicou que Moscovo está disponível para ajudar a estabilizar a situação no estreito por onde passavam, antes do conflito aberto entre Estados Unidos e Irão, cerca de um quinto do petróleo mundial e depois de se saber que Donald trump acaba de rejeitar a oferta de Teerão para restabelecer a circulação de navios dentro de uma semana.
"Precisamos de confiança nas relações entre os Estados do Golfo, os Estados árabes e o Irão. Precisamos de uma arquitetura regional estável", afirmou Lavrov durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre esta semana em Nova Iorque.
Este sábado Donald Trump terá rejeitado a proposta do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, com fonte da Casa Branca a revelar ao Wall Street Journal que o presidente desconfia da capacidade de Teerão para cumprir as exigências norte-americanas.
Entretanto, o presidente iraniano garantia em entrevista à CBS que o país respeitaria qualquer acordo celebrado com os Estados Unidos.
No final desta semana, soube-se esta sexta-feira, o Irão apresentou aos Estados Unidos um plano de sete dias para a reabertura do Estreito de Ormuz. A informação foi avançada pelo ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
A proposta fazia depender a reabertura do Estreito de Ormuz da suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos e das sanções às vendas de petróleo por parte dos Estados Unidos, bem como da observação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, no Líbano.
De acordo com o vice-presidente do Quincy Institute, Trita Parsi, o ministro iraniano apresentou o plano na reunião privada com representantes norte-americanos, na última quinta-feira, à margem do debate na Assembleia-Geral da ONU.
"Ao afirmar explicitamente que esta pode ser a única oportunidade antes das eleições intercalares nos Estados Unidos, o Irão pressiona Donald Trump em relação aos preços do petróleo e do gás", explicou Urban Coningham, investigador do Royal United Services Institute, à Al Jazeera.
O programa de sete dias assemelha-se ao Memorando de Entendimento de junho deste ano, mas com um cronograma mais acelerado, já que o acordo anterior previa um período provisório de 60 dias.
O Irão aceitaria reabrir o Estreito de Ormuz e, ao sétimo dia, Teerão e Washington retomariam as negociações para um acordo final, que incluiria o programa nuclear iraniano.
O bloqueio iraniano à travessia, através do qual circulava 20 por cento do petróleo e gás mundial, tornou-se o principal instrumento de pressão deste conflito e os efeitos têm-se estendido além-fronteiras.
c/ agências