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Têxtil reclama intervenção do Governo na defesa face às grandes plataformas de consumo

Têxtil reclama intervenção do Governo na defesa face às grandes plataformas de consumo

A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) defendeu hoje uma "postura mais ativa" do Governo na defesa do setor face às grandes plataformas de comércio eletrónico, cujo impacto negativo na indústria tem levado vários Estados-membros a intervir.

Lusa /

"A nível europeu, alguns Estados-membros - com a França a liderar e outros a seguirem o exemplo - têm adotado uma postura mais ativa na responsabilização das plataformas de comércio eletrónico e na defesa dos consumidores, enquanto em Portugal, apesar do diálogo mantido com o Governo sobre estas matérias, ainda não se conhecem medidas concretas com impacto comparável", lamentou a diretora-geral da ATP em declarações à agência Lusa.

Segundo Ana Dinis, as dificuldades que têm vindo a ser sentidas pela indústria têxtil e do vestuário em Portugal "estão fortemente influenciadas pelas dinâmicas de consumo a nível europeu, o principal mercado do setor".

Conforme explicou, estas dinâmicas estão atualmente a ser "marcadas por alterações nos padrões de comportamento dos consumidores e pela crescente penetração de plataformas de comércio eletrónico que promovem produtos de muito baixo preço, baixa qualidade e reduzida responsabilidade social e ambiental".

"Esta realidade levanta questões relevantes sobre a repartição de responsabilidades ao longo da cadeia de valor e sobre a necessidade de uma maior responsabilização das plataformas e dos modelos de consumo, sob pena de se ir destruindo uma indústria europeia que investe em qualidade, conformidade e sustentabilidade", alertou.

A dirigente associativa enfatiza que, em muitos casos, "os ganhos ambientais alcançados pela indústria ao longo dos últimos anos acabam por ser em parte neutralizados por modelos de consumo assentes na rápida rotatividade de produtos de baixo valor e curta duração, colocando desafios à eficácia global das políticas ambientais e à competitividade industrial".

No que respeita às medidas de apoio que o setor tem vindo a reclamar para fazer face à atual conjuntura -- como o regresso do `lay-off` simplificado e dos programas de formação em contexto de trabalho - a ATP afirma que "não foram adotadas respostas extraordinárias ou específicas" dirigidas à indústria têxtil e do vestuário.

"Os instrumentos disponíveis são de natureza transversal e, em muitos casos, pouco ajustados a quebras de procura de curto prazo", lamenta.

Em 2025, as exportações portuguesas de têxteis e vestuário caíram 0,8% para 5.499 milhões de euros face a 2024, destacando a ATP que, "apesar das dificuldades", a indústria manteve "volumes relativamente estáveis, ainda que com pressão sobre o valor".

"Os dados das exportações relativos a 2025 mostram que, apesar das dificuldades, o setor tem revelado resiliência em termos globais", afirmou Ana Dinis.

Segundo destacou, as exportações "mantiveram volumes relativamente estáveis, ainda que com pressão sobre o valor, refletindo ajustamentos de preços e de `mix` de produto num contexto de procura mais frágil".

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