TotalEnergies anuncia apoio de 2,6 milhões de euros face a cheias em Moçambique
O presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, anunciou hoje um apoio adicional de 200 milhões de meticais (2,6 milhões de euros) da petrolífera francesa às vítimas das cheias em Moçambique.
"A TotalEnergies expressa a sua total solidariedade com o Governo e o povo de Moçambique por este infeliz acontecimento que afeta as províncias de Gaza, Maputo e Sofala", disse Pouyanné, durante o ato que marcou a retoma oficial da construção do megaprojeto de gás natural em Afungi, Cabo Delgado, norte do país.
"Em estreita coordenação com o Governo, mobilizámos algum apoio durante este período difícil e tenho o prazer de vos anunciar hoje uma ajuda adicional no valor de 200 milhões de meticais para ajudar a responder às necessidades humanitárias urgentes", acrescentou, na mesma cerimónia, juntamente com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, que marca a retoma de um projeto de 20 mil milhões de dólares (17,5 milhões de euros), interrompido durante quase cinco anos devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado.
O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu hoje para 22, com 700 mil afetados, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Segundo os dados atualizados hoje pelo INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 15:47 (13:47 de Lisboa), as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram 700.006 pessoas, equivalente a 165.533 famílias, ainda com 22 mortos - mais sete face a quarta-feira -, havendo ainda 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas.
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 45 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, numa altura em que famílias ainda aguardam socorro no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 820.984 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados de hoje, estão atualmente ativos 94 centros de acomodação, com 94.208 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas desde 09 de janeiro 229 unidades sanitárias e 355 escolas, quatro pontes e 1.424 quilómetros de estrada.
O registo do INGD aponta ainda para 440.246 hectares de área agrícola afetados, dos quais 261.185 dados como perdidos, atingindo a atividade de 312.790 agricultores, além da morte de 430.972 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
Prosseguem ações e tentativas de socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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