Tribunal de Contas investiga novo buraco na Madeira

O Tribunal de Contas está a investigar um buraco de 220 milhões de euros nas contas da Madeira, resultante de um empréstimo contraído pela Empresa de Electricidade que Alberto João Jardim desviou para pagar despesas de funcionamento da administração pública regional, revela hoje o jornal Público.

RTP /
O Tribunal de Contas já confirmou que está a investigar o novo buraco de 220 milhões Homem de Gouveia, Lusa

O empréstimo, conta o jornal, foi aprovado pela Assembleia Legislativa e está incluído na proposta do segundo orçamento rectificativo para 2011 que aumenta de 250 milhões para 390 milhões a verba destinada à concessão de avales da região, aprovada no final de Junho. Um mês depois, foi aprovado um terceiro orçamento rectificativo que reforçou em 18 milhões a verba destinada ao pagamento de juros da dívida regional.

Segundo o Público, esta não é a primeira vez que Alberto João Jardim recorre a empréstimos para pagar salários. Em 2008, decidiu contrair um empréstimo bancário de curto prazo, no valor de 50 milhões, para pagar ordenados e subsídio de Natal aos públicos. Na resolução sobre este empréstimo, tomada a 23 de Outubro, o governo regional justificou o empréstimo para "fazer face às necessidades de tesouraria".

Explica o Público que "o montante [solicitado em 2008] correspondia ao duplo vencimento (ordenado mais o 13.º mês) a pagar, este mês, aos funcionários da administração pública regional - que representavam uma despesa de 357 milhões de euros em 2008, cerca de 24 por cento do orçamento madeirense".

O Tribunal de Contas já confirmou ao Público que está a fazer uma investigação ao novo buraco de 220 milhões, mas revelou que ainda não tem conclusões, prometendo, no entanto, incluí-las no próximo parecer às contas da região.

Entretanto, ontem, Alberto João Jardim, desafiou segunda-feira o Estado português a divulgar o montante da dívida que perdoou às antigas colónias africanas que se tornaram independentes, desde o 25 de abril. "Desafio o Estado português a pôr cá fora, desde o 25 de abril, qual foi o montante que perdoou de divida aos países africanos, que hoje são independentes, não são portugueses", afirmou o cabeça de lista social-democrata às eleições legislativas de outubro, esta noite.

"Temos que derrotar os poderes económicos, financeiros e políticos de Lisboa. Mostrar ao País que Lisboa pode ser derrotada democraticamente, dando uma lufada de esperança, que a maçonaria pode ser derrotada, não é o tal poder absoluto que tem Portugal na não", proclamou, ao discursar num jantar-comício na freguesia do Caniçal, concelho de Machico, que reuniu aproximadamente 1.300 pessoas.
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