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"Uma nova era". Von der Leyen saúda fim da dependência europeia do gás russo

"Uma nova era". Von der Leyen saúda fim da dependência europeia do gás russo

A presidente da Comissão Europeia assinalou a entrada "na era da plena independência energética da Europa em relação à Rússia", depois de alcançado um acordo que prevê o fim dessas importações até 2027.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Yves Herman - Reuters

A presidente da Comissão Europeia saudou esta quarta-feira o acordo alcançado entre os eurodeputados e os Estados europeus para proibir todas as importações de gás russo para a União Europeia até ao outono de 2027. "É o início de uma nova era, a da independência energética total da Europa em relação à Rússia", vincou Ursula von der Leyen.

"Hoje é realmente um dia histórico para a nossa união. Ontem (terça-feira) à noite, chegámos a um acordo provisório sobre a proposta da Comissão de eliminar totalmente os combustíveis fósseis russos", referiu a chefe da Comissão Europeia em declarações em Bruxelas.
"Estamos a virar essa página e estamos a virá-la para sempre. Este é o início de uma nova era, a era da verdadeira independência energética da Europa em relação à Rússia", acrescentou.

Na terça-feira, os eurodeputados e os Estados europeus concordaram em proibir as importações de gás natural russo a partir da entrada em vigor do regulamento, no início de 2026, para o gás natural liquefeito (GNL) no mercado spot, e a partir de 30 de setembro de 2027 para o gás transportado por gasoduto. A responsável lembrou que "muitos pensavam que isto seria impossível", mas que agora "os números falam por si".

"As importações de gás russo, tanto GNL como por gasoduto, baixaram de 45% no início da guerra para 13%; as importações de carvão baixaram de 51% no início da guerra para zero atualmente; e as importações de petróleo bruto baixaram de 26% para 2% atualmente", elencou a líder do executivo comunitário.

"No início da guerra, pagávamos (na UE) à Rússia 12 mil milhões de euros por mês por combustíveis fósseis e, agora, reduzimos para 1,5 mil milhões por mês, o que ainda é demasiado. O nosso objetivo é reduzir esse valor para zero", explicou.

Numa nota da Comissão Europeia, referiu que o Plano REPowerEU, lançado em 2022 para eliminar gradualmente as importações russas de combustíveis fósseis, "produziu resultados".

"Protegeu-nos da pior crise energética em décadas e ajudou-nos a fazer a transição dos combustíveis fósseis russos a uma velocidade recorde. Hoje, interrompemos estas importações de forma permanente. Ao esgotar os recursos financeiros de Putin, estamos solidários com a Ucrânia e estamos atentos a novas parcerias energéticas e oportunidades para o setor energético", afirmou.Portugal terá de encontrar alternativas
Apesar de serem admitidas algumas exceções para os Estados-membros que enfrentem dificuldades para atingir os níveis de armazenamento exigidos, o mais tardar até novembro de 2027 a UE vai eliminar todas as importações de gás russo.

Portugal é um dos oito Estados-membros da UE que terão de encontrar alternativas às importações de gás russo, dado que o país ainda importa GNL da Rússia, embora em proporções relativamente pequenas.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e, desde então, a UE tem tentado reduzir a sua dependência do gás russo através da diversificação do abastecimento e do armazenamento.

Em 2024, Portugal importou cerca de 49.141 GWh (gigawatt-hora) de gás natural, dos quais aproximadamente 96% eram GNL. Do total do GNL, cerca de 4,4% teve origem na Rússia.

Além disso, a quota russa nas importações de GNL em Portugal caiu de cerca de 15% em 2021 para 5% em 2024.

c/ Lusa
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