PSD garante “primeira vitória do ciclo eleitoral”

por RTP
A líder do PSD "é a grande vencedora" e o secretário-geral do PS sofreu "uma derrota pessoal", afirmou Rangel Miguel A. Lopes, Lusa

O PSD garantiu este domingo a "primeira vitória" de um ciclo eleitoral que compreende três actos, europeias, autárquicas e legislativas. Foi com esta ideia que o cabeça-de-lista dos sociais-democratas nas eleições para o Parlamento Europeu, Paulo Rangel, pautou a leitura da vitória do partido de Manuela Ferreira Leite sobre os socialistas no primeiro escrutínio de 2009.

Os resultados do primeiro combate eleitoral do ano reflectem a vitória de uma "política substantiva", de uma "campanha de proximidade" e de uma "linguagem de verdade". Traduzem também "a primeira vitória do ciclo eleitoral" que agora se inicia. A leitura pertence a Paulo Rangel, o rosto de uma noite eleitoral que, a um só tempo, sorriu ao partido que se propõe derrubar em Outubro a maioria absoluta de cor socialista e deixou antever tempos aziagos para a formação do Governo.

Quando faltava apurar os números de apenas sete freguesias, o PSD batia o PS com 31,71 por cento dos votos, elegendo oito deputados ao Parlamento Europeu. Os socialistas quedavam-se pelos 26,57 por cento, garantindo um corpo de eurodeputados de sete elementos. Para a cúpula da São Caetano à Lapa, "venceu a democracia".

"Esperamos que aqueles que recorreram à insinuação, à suspeição, à política rasteira e à política baixa tenham hoje aprendido a lição", lançou Paulo Rangel a partir do púlpito instalado na sede nacional dos sociais-democratas. De baterias apontadas ao cabeça-de-lista do PS, Rangel trataria ainda de assinalar o facto de não ter recebido do Rato qualquer contacto institucional a felicitá-lo pela vitória.

A derrota dos socialistas, reforçou Paulo Rangel, tem em José Sócrates a figura de proa: "Todos sabem que o engenheiro Sócrates se envolveu nesta campanha de forma absolutamente total, a ponto de ter fugido às suas responsabilidades no Parlamento português para estar na campanha a toda a hora".

"Aliás, ele hoje fez questão de falar ao mesmo tempo que falou o candidato cabeça-de-lista e, ao fazê-lo, pura e simplesmente assinou que esta é uma derrota pessoal do engenheiro Sócrates e é uma derrota política do Partido Socialista e isso tem que ser sublinhado hoje", afirmou.

Manuela Ferreira Leite foi a "grande vencedora"

Paulo Rangel deixaria, depois, a Manuela Ferreira Leite o título de "grande vencedora" da jornada eleitoral, "pela sua determinação, pela forma como levou o partido ao caminho de uma política de verdade que, naturalmente, os portugueses entenderam hoje, de forma expressiva, nas urnas pelo seu voto".

Se Rangel entregou a Ferreira Leite os louros pela conquista dos sociais-democratas, a líder do partido fez questão de sublinhar o papel desempenhado pelo dirigente que agora transita da liderança do bancada na Assembleia da República para o fórum do Parlamento Europeu.

Quanto aos resultados do escrutínio, os números, vincou a presidente do PSD, "provam que o partido recuperou o nítido estatuto de verdadeira e única alternativa ao PS".

"Temos de sublinhar que o PSD consolidou essa posição de clara alternativa partindo de uma posição de maioria absoluta do PS. É o melhor dos sinais de que os portugueses nos estão a ouvir e de que vale a pena continuar no caminho da verdade", sustentou Manuela Ferreira Leite.

A líder do maior partido da Oposição divisa mesmo um "anseio por uma alternativa séria" à maioria socialista. "E os resultados consolidam essa realidade".

"O nosso trabalho vai continuar já a amanhã, em direcção aos próximos actos eleitorais, com uma determinação ainda maior por temos podido confirmar que os portugueses acolheram a nossa mensagem e que o nosso caminho está certo", concluiu.

Sócrates e Vital juntos na gestão da derrota

Na hora de tomar em mãos a leitura e a primeira gestão de danos infligidos ao partido do Governo, o secretário-geral socialista surgiu ao lado do cabeça-de-lista para dizer que os resultados das eleições europeias tornam "mais exigente" a tarefa de evitar um colapso da maioria absoluta nas legislativas.

"Os resultados destas eleições europeias tornam a nossa tarefa para as próximas eleições legislativas mais exigente e mais difícil, mas isso só reforça o nosso ânimo e a nossa vontade para uma preparação vitoriosa", afiançou José Sócrates perante os militantes chamados ao quartel-general do PS.

Antes do discurso do primeiro-ministro, Vital Moreira assumira já "pessoalmente" a responsabilidade "desta derrota". O constitucionalista não deixou de insistir na tese de uma "fragmentação partidária em Portugal", que disse alimentar receios em torno da "governabilidade do país no futuro". E fez questão de trazer para a primeira linha do seu discurso a taxa de abstenção, que desta feita ultrapassou os 62 por cento.

Os resultados do escrutínio para o Parlamento Europeu, frisou Vital Moreira, revelam "três aspectos que não são positivos: em primeiro lugar a elevada taxa de abstenção, a elevada votação da esquerda anti-europeísta, num momento em que precisamos de mais Europa, e a redução dos resultados cumulativos do PS e do PSD".

A "componente nacional" das eleições europeias

Ao ponto final nas palavras do cabeça-de-lista, seguiu-se um exercício análogo do secretário-geral. José Sócrates disse querer "assumir com frontalidade a responsabilidade política por estes resultados do PS".

"Estas eleições foram disputadas em condições muito difíceis para o PS e não são bons para o partido, mas são resultados para o Parlamento Europeu", propugnou o líder socialista. Já na pele de chefe do Executivo, Sócrates afirmou querer "garantir aos portugueses que estes resultados em nada diminuem a determinação do PS para estar à altura das suas responsabilidades na governação do país".

O esforço de separação entre aquilo que o PSD descreve como ponto de partida para uma vitória em toda a linha no ano de todas as decisões e o combate das legislativas, no Outono, esteve sempre presente no discurso do primeiro-ministro.

O ensejo para "avaliar o Governo", insistiu José Sócrates, "é dentro de alguns meses". Ainda assim, o secretário-geral socialista reconheceu que as eleições europeias "têm sempre uma componente nacional".

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