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Como a extrema-direita alemã seduz perto de 20 por cento dos jovens eleitores

por Carla Quirino - RTP
"Agora AfD". É o apelo ao voto do partido de extrema-direita, na corrida das eleições europeias de junho. Lisi Niesner - Reuters

Nas mais recentes sondagens eleitorais europeias, a Alemanha regista entre 14 e 22 por cento de menores de 30 anos a votarem no partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha. Quem são estes jovens e qual a mensagem que os seduz?

O cientista político dos Países Baixos Cas Mudde – talvez o mais conhecido observador da extrema-direita europeia – explica que este pensamento combina nativismo (ideologia que promove o interesse da população nativa de um país contra os imigrantes), autoritarismo e populismo. Mudde acrescenta que o nativismo se apresenta como uma “forma xenófoba de nacionalismo”.

Na Alemanha, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD na sigla original, de Alternative für Deutschland) tem aproveitado e explorado o apoio sobretudo de quem está descontente com os partidos do centro político.
Orgulho alemão
Dois dos candidatos da AfD, Alexander Sell e Mary Khan-Holoch, espalham argumentos em que apelam ao orgulho nacional e como o partido espera fazer com que os alemães se “orgulhem de ser alemães novamente”.

Khan-Holoch tem 30 anos e explica o que torna a AfD tão atraente para a geração de eleitores mais jovem: “Os alemães têm medo de se tornar estrangeiros no seu próprio país”.

“Especialmente os nossos jovens são confrontados com isto diariamente, seja nas piscinas públicas ou nas grandes cidades. Temos muitas escolas onde o alemão já não é falado nos parques infantis”, acrescentou a candidata de extrema-direita, citada na Euronews.

Acredita também que a política da ex-chanceler Angela Merkel - ao abrir as fronteiras em 2015 para permitir a entrada de refugiados da Síria num cenário de guerra -, terá desencadeado esta “atração dos jovens à AfD”.

Por sua vez, o partido de extrema-direita soube explorar e despertar o sentimento de orgulho nacional. “Eu digo aos jovens: tenham orgulho de ser alemães”, exalta Khan-Holoch.

O teor dos argumentos expressados em discursos de Mary Khan-Holoch e de Alexander Sell assenta na tentativa de se distanciarem do capítulo nazi na Segunda Guerra Mundial.
Sociedade multicultural “fracassada”, diz AfD
Os candidatos de extrema-direita dizem-se a favor da imigração, mas defendem “casos individuais e não uma imigração em massa”.

Defendem que a "inclusividade" da Alemanha permitiu o avanço de movimentos pró-islâmicos em território nacional e acenam com mensagens de que “o conceito de sociedade multicultural falhou”, espalhando a dúvida da coexistência pacífica entre os recém-chegados e a população alemã.

Khan-Holoch e Sell insistem em medidas como existência de mais cursos de alemão para estrangeiros.
AfD no panorama europeu

Se dentro do território alemão o partido está a somar apoio, no exterior denota-se uma tendência contrária.

Os aliados da AfD na UE expulsaram o partido da família da extrema-direita Identidade e Democracia (ID) do Parlamento Europeu, após os principais candidatos se verem envolvidos em várias polémicas.

Maximilian Krah expressou opiniões sobre a Waffen-SS de Adolf Hitler, nomeadamente que os membros da SS não eram automaticamente “criminosos”. Também o número dois enfrenta acusações de receber dinheiro da Rússia de Vladimir Putin - alegações que ele nega. 

O grupo Identidade e Democracia deixou claro não querer ter nada a ver com a AfD, descartando-a.
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