O debate televisivo entre Passos e Costa em cinco capítulos

| Eleições Legislativas 2015

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O debate decisivo tornou-se num confronto sem ideias novas, com um frente-a-frente fortemente focado no passado, nas pensões e com poucos dados concretos. Costa acusou Passos de ir além da troika e criticou os quatro anos de governação da coligação. Do outro lado, Passos procurou colar Costa ao legado socialista e ao Syriza. Sem espanto, a sombra de Sócrates pairou sobre todo o debate. A surpresa foi ter sido o próprio Costa a abordar a situação do ex-primeiro-ministro para com a Justiça.

A austeridade de Passos versus o “milagre das rosas” de Costa. O “plafonamento horizontal” contra o “plafonamento vertical”. O passado e as pensões acabaram por marcar o debate desta quarta-feira. Pedro Passos Coelho começou por pedir a confiança dos portugueses, garantindo que não tem “gosto pela austeridade”.


Veja aqui o debate entre Passos Coelho e António Costa  na íntegra

Esta, defende, “foi trazida pela crise”. Primeira resposta de Passos, primeira opinião diferenciada face a António Costa. O secretário-geral socialista acusa Passos de ter ido além do memorando e insistiu que Passos queria que a troika viesse para Portugal. “O senhor gosta tanto da troika que quis ir além da troika”, acusou o dirigente do Partido Socialista.

“O senhor gosta tanto da troika que quis ir além da troika”, acusou o dirigente do Partido Socialista. O atual primeiro-ministro relembra que não foi o PSD que chamou as instituições internacionais.

Passos considera esta ideia uma “mistificação” e traz a debate o nome do ministro das Finanças de José Sócrates. Já tinha referido Sócrates por causa do aumento da dívida, voltaria a fazê-lo ao longo do debate.
A sombra de Sócrates
O regresso ao passado e a culpa à herança socialista foram frequentes no discurso de Pedro Passos Coelho. Um instrumento que mereceu o comentário dos jornalistas que moderaram o debate. João Adelino Faria, Clara de Sousa e Judite de Sousa pediram que se falasse “mais do futuro e menos do passado”. António Costa foi mais incisivo no comentário.

“Eu percebo que tenha saudades de debater com o engenheiro Sócrates. Mas terá de debater comigo”, lançou o secretário-geral socialista. “Não é muito diferente”, retorquiu Passos.
O regresso ao passado e a culpa à herança socialista foram frequentes no discurso de Pedro Passos Coelho. Um instrumento que mereceu o comentário dos jornalistas que moderaram o debate.

O primeiro-ministro colou várias vezes António Costa às políticas de José Sócrates. Passos acusou o PS de se preparar para aumentar a despesa do Estado.

 “Mais uma vez a abordagem de Sócrates”, nas palavras do líder da coligação Portugal à Frente.

Perante as referências à governação de Sócrates, António Costa lançou uma das frases que marcou o debate, ao referir diretamente a atual situação do ex-primeiro-ministro.

O secretário-geral do Partido Socialista aconselhou o líder da coligação a debater diretamente com o ex-governante.


“O senhor engenheiro José Sócrates, agora, até já está em melhores condições para debater consigo”, lançou o secretário-geral socialista, numa referência à transferência do ex-primeiro-ministro para prisão domiciliária.
“O senhor engenheiro José Sócrates, agora, até já está em melhores condições para debater consigo”

Para além das referências de Passos, Sócrates viria ainda a ser chamado ao debate por Judite de Sousa. A jornalista perguntou a Costa se este pretendia agradecer pessoalmente o apoio declarado pelo ex-primeiro-ministro.

“Agradeço o apoio de todos os portugueses”, referiu, mas esclareceu que não tem “previsto” visitar o seu antigo secretário-geral.

Os números dos programas
A falta de números do programa da coligação, que a oposição tem atacado ao longo das últimas semanas, voltou a estar em cima da mesa. António Costa acusa mesmo Passos de não ter programa.

Mas também o líder socialista foi pressionado para apresentar os objetivos concretos das suas propostas. António Costa justificou que não se compromete com números concretos sem conhecer toda a realidade primeiro.

Uma decisão para que “quando estiver a debater com o sucessor de Passos Coelho”, gracejou, não seja acusado de não cumprir o prometido. Assim foi sobre a calendarização e quantificação da redução das taxas moderadoras na saúde, bem quanto ao emprego a criar na próxima legislatura.

“Todos aprendemos com os nossos erros. Não ouvirá da minha boca uma proposta quantificada”, respondeu Costa sobre o emprego. O secretário-geral socialista apresentou a mesma justificação para não calendarizar uma alteração dos escalões do IRS.


Por sua vez, o primeiro-ministro defendeu que foram criadas, durante o seu mandato, condições para tornar a economia mais competitiva, tendo exemplificado com a redução da taxa de desemprego e o aumento das exportações.

Questionado sobre se acredita que quem emigrou vai regressar a Portugal, Passos não chega a responder.

António Costa acusou ainda Passos de ser o primeiro chefe de Governo a deixar Portugal com uma Produto Interno Bruto inferior ao do princípio do mandato.


Segurança Social
António Costa colocou a sustentabilidade da Segurança Social no crescimento do emprego, defendendo que foi o desemprego que criou o buraco. De fora das cartas de Costa, garante, está a poupança de 600 milhões de euros inscritas pelo executivo no Programa de Estabilidade e Crescimento.

O PS fecha assim a porta a um diálogo, mas Passos manifesta esperança que o consenso seja possível depois das eleições.
“As pessoas só podem ter confiança na Segurança Social se corrigirmos esta situação"

Os dois candidatos confrontaram as suas duas propostas para a Segurança Social, os dois promovendo que a sua é mais segura.

“Segurança na Segurança Social é com o programa que nós temos”, defende o PS. Para a coligação, “as pessoas só podem ter confiança na Segurança Social se corrigirmos esta situação”.

O primeiro-ministro defendeu que a proposta de diversificação de fontes de financiamento da Segurança Social é o admitir que há um buraco nas contas da Segurança Social. Passos apelida a proposta socialista de “plafonamento vertical”, contra o “plafonamento horizontal” proposto pela coligação.

António Costa acusa o Governo de querer privatizar a Segurança Social. “O senhor está a dizer às pessoas para ir para a aventura dos lesados do BES”, rematou Costa.
BES, “azedume” e arrependimento

O caso BES acabou por ser abordado diretamente já na reta final do debate. Pedro Passos Coelho insistiu que não haverá custos para os contribuintes, uma vez que o Novo Banco não foi nacionalizado. O primeiro-ministro assume que possa haver custos para a Caixa Geral de Depósitos.O chefe de Governo criticou ainda “o milagre das rosas” do PS que, apontou Passos, promete sempre fazer mais com menos dinheiro.

Numa mensagem aos lesados do papel comercial, que se manifestaram perto do Museu da Eletricidade durante o debate, Passos lamentou a falta de entendimento entre o Banco de Portugal e a CMVM. O primeiro-ministro aconselhou mesmo os lesados a avançarem para os tribunais.

Durante os 90 minutos de debate, Pedro Passos Coelho garantiu ainda que não defende um modelo de baixos salários e colou a abordagem do PS ao discurso do Syriza.

O primeiro-ministro lamentou o “azedume” dos socialistas perante os resultados do Governo e criticou “o milagre das rosas” do PS que, apontou Passos, promete sempre fazer mais com menos dinheiro.
Perguntas Rápidas
Questionado sobre um eventual arrependimento depois de quatro anos à frente do Governo, Passos afirma que “não há nada que teria feito inteiramente diferente” no Governo. Também António Costa se diz de consciência tranquila quanto ao seu papel enquanto líder da oposição.

Os dois líderes partidários foram ainda questionados em relação aos casos judiciais que envolvem figuras que lhes são próximas. O caso dos Vistos Dourados e Miguel Macedo para Passos. José Sócrates e a Operação Marquês para Costa. Em ambos os casos, respostas semelhantes.


Sobre o pós-eleições, nenhum respondeu diretamente. Passos considera que só depois das eleições se poderá avaliar a vontade dos portugueses.Passos afirma que “não há nada que teria feito inteiramente diferente” no Governo. Também António Costa se diz de consciência tranquila Costa mantém que “não faz sentido mudar de política e continuar com as mesmas pessoas”.

Os dois candidatos também não quiseram especificar se se manteriam na liderança dos respetivos partidos caso percam as eleições.Uma questão que também não se espera seja esclarecida no próximo debate.

Os dois líderes parlamentares voltam a encontrar-se na manhã de 17 de setembro, num frente a frente radiofónico que será transmitido, em direto, pela Antena 1, TSF e Rádio Renascença.

Os portugueses votam depois a 4 de outubro.

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