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Sondagem da Católica. AD só alcança maioria absoluta com o Chega

por Andreia Martins - RTP
A Aliança Democrática volta a surgir como força política mais votada na mais recente sondagem da Universidade Católica. Foto: Tiago Petinga - Lusa

Com base na mais recente sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público, as intenções de voto dos portugueses traduzem-se num resultado eleitoral que dá a maioria parlamentar aos partidos de direita, com vitória para a Aliança Democrática. No entanto, a coligação liderada por Luís Montenegro não alcança maioria absoluta sozinha e irá necessitar de se aliar pelo menos ao Chega para obter o número necessário de mandatos. Destaque ainda, neste inquérito, para o elevado número de indecisos em várias categorias demográficas, isto quando faltam menos de duas semanas para as eleições legislativas.

Tal como na sondagem divulgada a 23 de fevereiro, a Aliança Democrática volta a surgir na linha da frente. Segundo o inquérito conhecido esta quarta-feira, a coligação liderada por Luís Montenegro alcança 33 por cento, na conversão da intenção direta de voto em estimativas de resultados eleitorais.

São ainda assim menos dois por cento do que na sondagem divulgada na semana passada.

De seguida surge o PS, com 27 por cento de votos, também abaixo do resultado anterior (menos dois por cento). O Chega permanece como terceira força política e mantém-se nos 17 por cento.



A Iniciativa Liberal mantém os 6 por cento que trazia da sondagem anterior. Bloco de Esquerda (5 por cento), Livre (4 por cento), CDU (3 por cento) e PAN (2 por cento), têm, respetivamente, mais um por cento do que na anterior sondagem.
Maioria absoluta para AD só com outros partidos

A sondagem recorre às estimativas eleitorais para distribuir os mandatos da Assembleia da República aos vários partidos. Segundo estas estimativas, haverá uma maioria parlamentar de direita após as eleições de 10 de março, ainda que a Aliança Democrática fique distante de atingir sozinha a maioria absoluta.

Na melhor das hipóteses, a coligação que junta PSD, CDS-PP e PPM tem entre 86 e 96 deputados. Num eventual acordo pós-eleitoral para assegurar a maioria absoluta no Parlamento, apenas o Chega serve à AD.
A sondagem da Católica estima que a Aliança Democrática pode ter entre 86 a 96 mandatos. O PS alcança entre 69 a 79 deputados, enquanto o Chega pode ter entre 33 e 41 deputados. Seguem-se a Iniciativa Liberal (entre seis e dez deputados), o Bloco de Esquerda (entre cinco e sete mandatos) e o Livre (entre 3 e 4 deputados). Por fim, a CDU pode alcançar entre três e sete mandatos e o PAN elege dois deputados.
Mesmo com o melhor resultado possível de Aliança Democrática e Iniciativa Liberal (num total de 106 deputados), os dois partidos não conseguem alcançar a maioria necessária, tendo o Parlamento um total de 230 deputados.

Por outro lado, o pior resultado estimado por esta sondagem para AD e Chega (119 deputados no total) é mais do que suficiente para assegurar essa maioria.



Segundo esta sondagem, o Partido Socialista não consegue alcançar uma maioria com coligações à esquerda em nenhuma das hipóteses. No mais favorável dos cenários, alcançaria no máximo apenas 96 deputados num entendimento entre PS, Bloco de Esquerda, Livre, CDU e PAN.
Indecisos e tendências demográficas
Nesta sondagem da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, os dados foram recolhidos entre os dias 22 e 26 de fevereiro, na reta final dos vários debates entre candidatos que decorreram durante o último mês.
Segundo a intenção direta de voto desta sondagem, 20 por cento dos inquiridos não sabe em quem irá votar. São mais 3 por cento do que no inquérito anterior.

Na caracterização sociodemográfica do voto (por sexo, idade e nível de escolaridade), destaca-se nesta sondagem, em vários quadrantes, o elevado número de indecisos que ainda não sabe como votaria.

Por exemplo, com base neste inquérito, o voto das mulheres distribui-se entre Aliança Democrática (24 por cento) e Partido Socialista (22 por cento), mas a percentagem de quem “não sabe” em quem irá votar sobrepõe-se à de qualquer partido (26 por cento).

A maioria dos votos dos homens vai para a AD (25 por cento), com o PS e o Chega a surgirem empatados (19 por cento). Há 12 por cento de inquiridos do sexo masculino que não sabem em quem irão votar.

Na divisão pelas várias faixas etárias, os mais jovens (entre os 18 e os 34 anos) preveem votar na Aliança Democrática (24 por cento), Seguem-se o Chega (18 por cento), Iniciativa Liberal (10 por cento) e só depois Partido Socialista (8 por cento). Há no entanto uma elevada percentagem (21 por cento) que “não sabe”, o que fica à frente dos números de Chega, IL e PS.

Verifica-se praticamente o mesmo resultado para a faixa etária entre os 35 e os 64 anos. A maioria vota na AD (24 por cento), mas há 23 por cento dos inquiridos entre estas idades que não sabe como irá votar. De seguida, PS e Chega são os que recolhem mais intenções de voto (19 e 14 por cento, respetivamente).

Por fim, entre os eleitores acima dos 65 anos, o PS assegura a vantagem, com 32 por cento de intenção de voto. Segue-se a AD com 27 por cento dos votos e só depois os indecisos (13 por cento dos votos). O Chega alcança 8 por cento.

Em relação ao nível de escolaridade, o PS ganha entre os eleitores que têm até ao 3.º ciclo (27 por cento votariam PS). Destes inquiridos, 22 por cento expressaram preferência de voto na AD e 18 por cento assumem que não sabe em quem votaria.

Entre os inquiridos que têm o ensino secundário, a AD leva vantagem (24 por cento), seguida de perto pelo número de indecisos (23 por cento). O PS obteria 19 por cento logo seguido pelo Chega, com 14 por cento.

Na categoria de inquiridos com formação no ensino superior, a grande maioria opta pela Aliança Democrática (29 por cento). Há ainda 20 por cento que não sabe como vota e 17 por cento destes eleitores inquiridos afirmaram votar no PS. O terceiro partido mais votado desta categoria é a Iniciativa Liberal (8 por cento).
Transferência de voto desde as últimas eleições
Há ainda alguns dados a assinalar desta sondagem que dizem respeito à transferência de votos desde as legislativas de 2022. Ou seja, procura-se apurar se há grandes flutuações entre os vários partidos desde a última eleição até à atualidade.

De forma esperada, os inquiridos que votaram no PSD e CDS há dois anos vão agora votar na Aliança Democrática, que junta os dois partidos em coligação. Há ainda assim 15 por cento de inquiridos que votaram no PSD e não sabem ainda em quem vão votar a 10 de março. Neste inquérito, 10 por cento dos eleitores que votaram PSD admitem transitar para o Chega.

Entre os inquiridos que votaram no PS, 52 por cento dizem que irão votar da mesma forma, mas 23 por cento assumem que não sabem a quem irá entregar o seu voto. Quem votou no Chega em 2022 deverá maioritariamente repetir o voto (88 por cento) e quem votou na Iniciativa Liberal admite votar de novo na IL (53 por cento), mas também na AD (30 por cento).

À esquerda, o voto no BE mantém-se (49 por cento) ou transita para o PS (16 por cento) ou Livre (12 por cento). Já o voto dos inquiridos na CDU mantém-se na CDU (51 por cento) ou passa para o PS (13 por cento).

Os inquiridos que votaram no PAN afirmam manter o voto (33 por cento) mas assumem, em igual número, entregar o seu voto à AD (33 por cento). Por fim, os inquiridos que votaram no Livre em 2022 pretendem manter o seu voto este ano (64 por cento), mas há ainda muitos indecisos (19 por cento).

Por fim, dos inquiridos que não votaram em 2022, a grande maioria não sabe em quem deverá votar este ano (28 por cento) ou irá entregar o seu voto à Aliança Democrática (23 por cento) ou ao Chega (20 por cento).

Quanto à probabilidade de voto em vários partidos, é notória a linha que divide a esquerda e a direita. Quem votou PS em 2022 deverá votar PS de novo (41 por cento) e considera “nada provável” votar Chega ou IL ou CDU.

Já quem votou PSD/CDS deverá votar AD (54 por cento) e considera nada provável votar CDU, BE, Livre, PAN ou PS.

Entre os inquiridos que pretendem votar mas ainda estão indecisos, admite-se que o voto poderá ir para PS ou AD, os dois partidos com percentagens mais elevadas nas categorias “provável” ou “muito provável”.

Ficha Técnica

Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público entre os dias 22 e 26 de fevereiro de 2024. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1207 inquéritos válidos, sendo 43% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 32% da região Norte, 22% do Centro, 32% da A.M. de Lisboa, 7% do Alentejo, 3% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários e região com base nos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 43%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1207 inquiridos é de 2,8%, com um nível de confiança de 95%.

*Foram contactadas 2815 pessoas. De entre estas, 1207 aceitaram participar na sondagem e responderam até ao fim do questionário.
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