Gouveia e Melo afirma que tem boa relação com Montenegro mas promete exigência

O candidato presidencial Gouveia e Melo afirmou hoje que tem boa relação com o primeiro-ministro e que acredita que fará "boa equipa" com ele, com uma atitude exigente face à governação e desde que haja lealdade institucional.

Lusa /
José Sena Goulão - Lusa

 

"Das vezes que falei com o senhor primeiro-ministro tive sempre uma boa relação com ele. Portanto, não tenho nenhum problema", declarou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada aos jornalistas no final de uma ação de campanha na Feira de Espinho, cidade de onde é natural Luís Montenegro.

Logo a seguir, porém, Henrique Gouveia e Melo salientou que uma boa relação institucional entre Presidente da República e primeiro-ministro "não significa uma falta de exigência".

"Um Presidente da República que exige uma boa governação ajuda à própria governação. Muitas vezes, quando temos de passar uma barreira, superamo-nos. E a Presidência [da República] é essa barreira", justificou.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o candidato presidencial manifestou-se mesmo confiante de que "fará uma boa equipa" com o primeiro-ministro, "desde que haja lealdade institucional".

"Claro que faremos uma boa equipa. Farei uma boa equipa com qualquer primeiro-ministro, porque toda a minha vida trabalhei em equipa. Ninguém consegue ir com um navio de um lado para o outro sem ser em equipa", argumentou o almirante.

Neste ponto, porém, fez uma nova ressalva sobre o estilo de relações institucional que advoga entre Presidente da República e primeiro-ministro.

"Só preciso que a pessoa que trabalhe comigo tenha lealdade institucional e tenhamos todos vontade de fazer progredir o país. Se tivermos essa vontade de fazer progredir o país, podem ter certeza que vou trabalhar em equipa. Não vou estar a contrariar", declarou.

Gouveia e Melo reforçou depois que, nas relações institucionais, é preciso exigência.

"Agora, vou exigir, porque é para isso que a Presidência da República também existe. A Presidência tem de exigir o bom funcionamento das instituições democráticas", frisou, antes de deixar um conjunto de questões:

"O que é o bom funcionamento das instituições democráticas? É só o formalismo das instituições? Ou é a resposta que a democracia deve dar à população?", perguntou.

Uma vez mais, também em Espinho, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a defendeu que um Presidente da República deve ser isento no exercício das funções, não servindo nem para ser oposição.

"Não usarei o Palácio de Belém como plataforma contra o Governo. A Presidência da República não é uma plataforma partidária. Um Presidente da República não deve ter nenhum objetivo partidário a partir de Belém. Deve ajudar o Governo com exigência e, claro, também, quando puder, com conselhos", reiterou.

Nas suas declarações, Gouveia e Melo afirmou que pretende passar nesta campanha uma mensagem de "esperança, apesar das dificuldades, apesar do túnel e de alguma escuridão no nosso futuro".

"Não é uma esperança vã, uma coisa proclamativa. Temos de construir a nossa esperança", rematou, antes de procurar estabelecer uma diferença entre si e os outros candidatos presidenciais.

"Outros, quando foram postos em situações em que tinham de construir qualquer coisa, não construíram. Portanto, o que eu posso dizer é que eu estou cá se os portugueses me aceitarem e me escolherem para tentar construir essa esperança. E há motivos para conseguirmos construir", acrescentou.

 

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