Na Presidência, Cotrim de Figueiredo quer ser um "chato de morte"

A Manulena, fábrica que produz velas e produtos de cosmética em Mira de Aire, cheira a flores e a frutos, mas Cotrim de Figueiredo deteta outro aroma no ar: "cheira a futuro!", exclama.

Oriana Barcelos /

Foto: Oriana Barcelos

O candidato liberal está convencido de que vai à segunda volta e promete regressar aqui para inaugurar, enquanto Presidente da República, a expansão da unidade fabril.

As ações de campanha do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal foram atropeladas, todo o dia, pelos casos de saúde que estão a marcar a semana: três mortes, em dois dias, por alegados atrasos no socorro e pela falta de ambulâncias no país. Incidentes com gravidade suficiente para fazer com que o governo - o primeiro-ministro Luís Montenegro e a ministra da Saúde Ana Paula Martins, em particular - se pronunciem e deem "respostas e esclarecimentos rápidos", no entender de Cotrim de Figueiredo.

Já no que diz respeito à ação de Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato apoiado pela IL é menos claro. João Cotrim de Figueiredo tem evitado, por estes dias, fazer balanços sobre os mandatos do Presidente da República e não clarifica se, na sua opinião, Marcelo deveria, ou não, pressionar o Governo, publicamente, para uma solução. Cotrim de Figueiredo acredita que o primeiro nível de atuação do Chefe de Estado deve ser discreto. Mas uma coisa é certa, para o liberal: "É muito importante que o Presidente da República nunca se torne uma espécie de governo sombra ou um contrapoder, porque isso, normalmente, é sempre um prelúdio para guerrilhas institucionais de todo úteis para a democracia", considerou.

Noutra ação de campanha, à tarde, numa associação de terceira idade em Vagos, a Associação Extragenária, Fernanda, na plateia, desabafa com o candidato: acha que, na reforma, o Estado vê as pessoas como um peso. Ela quer ter qualidade de vida, quer poder fazer exames quando precisa. E Alexandre Valente, da associação, complementa: há mesmo quem tenha medo de ir ao hospital. Cotrim de Figueiredo responde: não, Fernanda não é um peso; e, sim, há quem tenha medo de ir ao hospital, porque há problemas no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente na rede de emergência. Para o liberal, o presidente pode ajudar a construir soluções. Como? Sendo um "chato de morte". E ele acredita que pode sê-lo.

"Tenho, em toda a minha vida, feito questão de tomar decisões sobre assuntos sobre os quais não tenho uma experiência desde jovem: inteiro-me dos dossiês, das matérias, dos assuntos a fundo e com velocidade. Sou capaz de discutir com alguns especialistas, não para dar as respostas certas, mas para fazer as perguntas certas", exemplifica. Cotrim de Figueiredo acha que o elogio "em boca própria" não fica "particularmente bem", mas opta, para já, por ignorar essa crença. Por agora, é preciso usar todas as armas - essa também - para convencer os eleitores.
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