PS "não contamina" Seguro que só pensa na vitória: "Temos de passar em primeiro"

Numa noite em que voltou a definir-se como o único candidato "moderado" e capaz de representar os eleitores da esquerda e do centro-esquerda numa segunda volta, António José Seguro foi até ao Barreiro, no distrito de Setúbal, insistir no apelo ao voto útil, mas também procurar alargar a base de apoio eleitoral para derrotar André Ventura.

João Alexandre /

Foto: José Coelho, Lusa

"É um dever de todos os democratas, é um dever de todos os moderados, de todos os que querem continuar a viver em democracia, em liberdade", disse o candidato apoiado pelo PS, depois de elevar a fasquia e pedir votos suficientes para vencer a primeira de duas rondas: "Não chega passar à segunda volta. E aqui sou muito exigente. Nós temos de passar à segunda volta em primeiro lugar".

É nesse sentido que Seguro argumenta que permitir uma vitória do líder do Chega na primeira volta seria permitir que, 50 anos após o 25 de abril, haveria uma vitória de um candidato que representa e defende o "extremismo" e o "radicalismo" e que, insiste António José Seguro, quer "dividir e pôr portugueses contra portugueses".

Com a sondagem da Universidade Católica para a Antena 1, RTP e jornal Público a colocarem André Ventura e António José Seguro empatados no primeiro lugar - ainda que com uma ligeira vantagem do presidente do Chega -, o candidato que conta com o apoio do PS - mas também do apoio individual dos deputados do JPP e do PAN - renova o apelo ao voto para que haja uma disputa "equilibrada entre os dois campos políticos" que existem em Portugal: "Esses votos têm de ser todos concentrados no Seguro".

"As sondagens animam-nos", admite Seguro

Na sessão no Barreiro, António José Seguro confessou que as mais recentes sondagens animam a campanha que começou a corrida com números inferiores aos de candidaturas como a de Marques Mendes ou a de Henrique Gouveia e Melo, mas voltou a pedir contenção e trabalho aos apoiantes para garantir a vitória: "As sondagens animam-nos e, como se diz em Portugal, candeia que vai à frente...", disse, no entanto, o candidato.

Já sobre os apoios conseguidos para a candidatura, António José Seguro reconheceu que foi "bom" ter recebido o apoio do PS e salientou que "não contamina" a candidatura, mas acrescentou que também a líder do PAN, Inês Sousa Real ou o deputado único do JPP, Filipe Sousa, se juntaram aos apoiantes que, reitera o candidato, surgem dos mais diversos quadrantes políticos.

Na sessão do Barreiro, onde estiveram presentes vários deputados do PS, mas também ex-deputados e nomes próximos de António José Seguro como o ex-dirigente socialista Miguel Laranjeiro, a noite foi ainda marcada pela atuação de Agir e Milhanas que, num ato político, deram apoio à candidatura e não passaram ao lado das sondagens: "Vamos tocar aqui uma música que se chama 'Constelações', porque parece que os astros se estão a alinhar, não é?".
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