Segurança entra na campanha de Seguro: "Não sou uma pessoa que alimenta estigmas"

Foi um tema que demorou a entrar na campanha de António José Seguro, mas que promete dar ao candidato presidencial motivos de reflexão. Primeiro, porque o tema o exige. Depois, porque também ao ex-líder do PS e agora candidato a Belém se exigem posições claras.

João Alexandre /

Foto: José Coelho, Lusa

"O que eu quero assinalar hoje, verdadeiramente, é expressar a gratidão pelo trabalho que as mulheres e os homens da PSP, da GNR e de todas as forças de segurança do país fazem", disse, numa primeira incursão pelo tema, após visitar - sem aviso prévio - uma esquadra da PSP no centro de Vila Franca de Xira, onde foi recebido pelo subintendente Bruno Pereira, o mediático presidente do sindicato dos oficiais da PSP.

A visita aconteceu no final de uma arruada e de uma breve passagem pelo Mercado Municipal, mas também poucas horas após a sondagem da Universidade Católica para a Antena 1, RTP e Público ter colocado António José Seguro em segundo lugar, logo atrás de André Ventura.

Questionado sobre as possibilidades de obter votos junto do eleitorado do presidente do Chega, António José Seguro acredita que é possível alargar a base eleitoral: "Eu não considero nenhum eleitor perdido", disse o candidato, que diz confiar no "bom senso" dos portugueses no dia das eleições.

"Eu combato a divisão, o ódio, o extremismo e o radicalismo. E sou um defensor da Constituição, sou um defensor da saúde pública, da escola pública e da democracia", acrescentou.

"Quero dados, quero compreender", diz Seguro

Num momento em que o Governo - e, em particular, o primeiro-minsitro Luís Montenegro - continua a recorrer à expressão "perceções" para justificar algumas das medidas anunciadas em áreas como a segurança ou a imigração, António José Seguro prefere sublinhar,que o importante é recolher informação e estudar cada um dos temas.

"Quero dados, quero compreender, mas, às vezes, é aquilo que se julga que é e que as pessoas têm essa ideia. Outra coisa é mesmo a realidade", argumentou o candidato, na ação de campanha que marcou para a Amadora.

Pelas ruas do concelho - que é um dos mais associados às questões da segurança e da criminalidade na área metropolitana de Lisboa -, António José Seguro rejeitou falar em percepções e quis, sobretudo, garantir que, se for eleito, Belém não irá seguir o caminho da estigmatização.

"Eu não sou uma pessoa que alimenta estigmas. Eu considero que é importante que se resolvam as questões de segurança, mas não as associo a determinados territórios", disse ainda o ex-líder do PS, numa ação de campanha em que participou também Eva Cruzeiro.

Em declarações à Antena 1, a deputada eleital pelo PS - e uma das vozes mais visíveis no parlamento no combate à estigmatização de determinadas zonas e populações - defende Seguro como o candidato certo para agarrar o tema. 

"Que possa olhar para os dados reais e pensar em propostas reais ou pensar numa abordagem à realidade real. Temos também que combater na base aquilo que cria os estigmas", disse, no dia em que António José Seguro foi a jogo num dos temas mais destacados pela candidatura de André Ventura.
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