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Sondagem da Católica. "Vitória confortável" de Seguro nas intenções de voto da segunda volta

Sondagem da Católica. "Vitória confortável" de Seguro nas intenções de voto da segunda volta

Se as eleições fossem hoje, mais de 80 por cento dos eleitores ia votar e António José Seguro teria uma vitória evidente com larga margem de diferença de André Ventura. É o que indicam as intenções de voto das 1601 pessoas que, numa amostra aleatória, participaram num inquérito da Universidade Católica Portuguesa.

Inês Moreira Santos - RTP /
Rachel Mestre Mesquita - RTP

São intenções de voto, mas indicam que António José Seguro tem uma larga vantagem comparativamente a André Ventura, nesta segunda volta às eleições presidenciais. De acordo com a sondagem da CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, além do eleitorado socialista e da esquerda, quem votou noutros candidatos a 18 de janeiro tende agora a apoiar mais Seguro que Ventura. 

A somar ao contexto nacional dos últimos dias, a dúvida está nas mãos dos indecisos, o que dificulta a estimativa da participação eleitoral – apesar de os eleitores em geral atribuírem importância a estas votações.

Se as eleições fossem hoje, a maioria dos eleitores ia votar e António José Seguro teria uma vitória evidente, com larga margem de diferença de André Ventura. É o que indicam as intenções de voto das 1601 pessoas que, numa amostra aleatória, participaram neste inquérito.

Desta amostra, 82 por cento diz que vai votar de certeza. Apesar de ser uma larga maioria, não é possível prever o valor para a abstenção e assume-se que “a percentagem de abstencionistas será sempre superior às percentagens que se encontram neste tipo de inquéritos”.

Há ainda dez por cento que diz que “em princípio vai votar” e quatro por cento que ainda não sabe. Só três por cento não vai de todo e um por cento não tenciona ir.
Intenção de voto se “as eleições fossem hoje” 
Os inquéritos foram realizados entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026. E questionados sobre em quem votariam, “se as eleições fossem hoje”, mais de 50 por cento apontou o nome de António José Seguro.

“Os resultados desta sondagem indicam uma vantagem clara de Seguro neste momento”, lê-se no relatório da Católica. “A intenção direta de voto mostra que 56 por cento dos eleitores estarão com este candidato e 25 por cento com Ventura”.

E numa estimativa obtida através do cálculo da percentagem de intenções diretas de voto em cada candidato em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção e não respostas), Seguro teria vencido com cerca de 67 por cento dos votos validamente expressos, contra os 33 por cento de Ventura.

Das intenções diretas de voto em António José Seguro, 63 por cento é de mulheres e 49 de homens. Já em André Ventura há 19 por cento de mulheres com intenção de votar contra 31 por cento de homens.

Na mesma questão observa-se que 70 por cento do eleitorado com intenção de votar em Seguro tem Ensino Superior. Já entre os participantes que têm intenção de votar em Ventura, só 12 por cento têm Ensino Superior.

A vitória de António José Seguro parece não deixar dúvidas, face as estes dados. Está, contudo, em aberto a amplitude da vitória, que será determinada pelo nível de participação e pelo posicionamento dos eleitores que na primeira volta votaram em Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes.

Não se pode ignorar também o número significativo destes inquiridos que permanece indeciso ou diz que votará em branco ou nulo.
Votantes de Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes
Considerando esta sondagem, a vantagem de António José Seguro é evidente, tendo o apoio do PS e dos partidos à esquerda consolidado. Mas desde as eleições da primeira volta, Seguro tem conquistado o eleitorado de João Cotrim de Figueiredo, de Henrique Gouveia e Melo e até de Luís Marques Mendes.

Considerando as intenções de voto também na primeira volta, e os dados apurados na sondagem anterior, tanto Seguro como Ventura conseguem garantir o apoio de quase todos os que votaram em cada um deles na primeira volta. O que muda agora é em que candidato vota o restante eleitorado que até 18 de janeiro apoiavam outros quadrantes políticos.

Nos partidos à esquerda de António José Seguro, ex-líder socialista, não há grande surpresa e o apoio à sua candidatura é quase unânime. Tal como na sondagem anterior, há uma larga maioria de apoiantes de Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes que também se está a decidir a apoiar Seguro e não André Ventura.

Com base nestes inquiridos, 60 por cento dos que votaram em Cotrim de Figueiredo tenciona votar agora em Seguro e só 14 por cento destes aposta em Ventura (há também 17 por cento que votará em branco ou nulo). Do eleitorado de Gouveia e Melo, 63 por cento diz que votará Seguro e 16 por cento em Ventura. Já entre os participantes que votaram por Marques Mendes na primeira volta, 69 por cento tenciona votar no antigo secretário-geral do Partido Socialista e só 11 por cento no líder do Chega

Quem votou noutros candidatos também apoia, em geral, António José Seguro. Destes 89 por cento diz que votará Seguro e apenas 1 por cento em André Ventura. 

Nesta sondagem da Católica também se analisou a intenção de voto em função do voto nas últimas eleições Legislativas, no ano passado.

Há três dados importantes: André Ventura “conquista quase todos os eleitores do Chega”, com 88 por cento dos votos; António José Seguro tem o apoio de quase todos os eleitores do Partido Socialista, conquistando 85 por cento; e do eleitorado da AD, que ganhou as eleições em 2025, há 62 por cento a apoiar Seguro e 15 por cento Ventura
Para além dos “indecisos”
Contrariamente às vésperas da primeira volta das eleições presidenciais, uma larga maioria das pessoas já decidiu em quem vai votar agora e, entre Seguro e Ventura, a decisão não mudará. Com a informação atual divulgada nesta sindagem, a grande maioria já não muda e a diferença final entre os candidatos não dependerá de conquista de votos entre eles, mas sim da capacidade de mobilização de cada um dos candidatos. 

Questionados sobre qual “a possibilidade de alterar o seu sentido de voto até ao dia das eleições”, 80 por cento dos inquiridos respondeu “Nenhuma. Já não muda!”, 11 por cento disse que “é pouco provável que mude” e 5 por cento não sabe bem. Só 1 por cento destes considerou que ainda pode mudar de intenção de voto. 

E destes, 89 por cento dos votantes de Seguro tem a certeza que não mudam de decisão e 83 por cento dos votantes de Ventura dizem o mesmo.
Importância, significado e participação eleitoral
As sondagens indicam que há intenção de voto e um resultado mais decidido. Mas tem de se ter em conta o contexto atual do país, numa altura em que o território continental está a enfrentar mau tempo e consequências das tempestades e inundações. Há acessos cortados, milhares de pessoas sem eletricidades e estas circusntâncias podem influenciar a participação eleitoral no próximo domingo, dia 8 de fevereiro.

Apesar destas condicionantes, verifica-se que os eleitores em geral atribuem elevada importância a estas eleições - os apoiantes de Seguro (86,8 por cento) até um pouco mais do que os de Ventura (83,3 por cento) – o que parece favorável para uma menor abstenção.

De toda a amostra, 40 por cento diz que estas eleições são entre “moderados e extremistas”, 17 por cento diz que é entre “esquerda e direita” e outros 17 por cento entre “democratas e não democratas”. Há uns 13 por cento que acham que é “entre socialistas e não socialistas”. 

Há que ter em conta a perceção que os eleitores têm de uma segunda volta na corrida a Belém, o que não acontecia há 40 anos. Em termos de o que isto representa, muitos eleitores de Seguro percecionam esta segunda volta como um “duelo” entre “moderados e extremistas” (55 por cento) ou “democratas e não democratas” (23 por cento). Já os eleitores de Ventura a consideram que estas eleições são um “confronto” entre “esquerda e direita” (41 por cento) ou “socialistas e não socialistas” (21 por cento). 

Por outras palavras, as representações mais comuns em cada um dos eleitorados refletem as narrativas que os candidatos construiriam para estas eleições. 

Analisando apenas aqueles que votaram anteriormente em Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes, verifica-se que são mais os que veem estas eleições como entre “moderados e extremistas” (47 por cento) do que entre “esquerda e direita” (14 por cento), o que explica a maior aproximação destes eleitores ao voto em Seguro e não ao de Ventura. 


Ficha Técnica

Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal.

Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1601 inquéritos válidos, sendo 45% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 32% da região Norte, 18% do Centro, 34% da A.M. de Lisboa, 8% do Alentejo, 4% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários, região e comportamento de voto com base nos dados do recenseamento eleitoral e nos resultados da primeira volta das eleições presidenciais e das últimas legislativas. A taxa de resposta foi de 40%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1601 inquiridos é de 2,4%, com um nível de confiança de 95%. 

*Foram contactadas 3997 pessoas. De entre estas, 1601 aceitaram participar na sondagem e responderam até ao fim do questionário.
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