Política
Presidenciais 2026
"Vim despertar leões". Ventura assume-se o líder da direita contra a "tralha socrática"
André Ventura foi o entrevistado desta noite na Grande Entrevista na RTP. O candidato às eleições Presidenciais deixou claro que a escolha na segunda volta é "entre socialismo e não socialismo" e assumiu-se o líder da direita contra a "tralha socrática".
Os primeiros minutos da entrevista foram os mais tensos, com Ventura a mostrar indignação com as questões relativas ao grupo neonazi 1143.
Questionado sobre os militantes do Chega com ligações ao grupo neonazi, Ventura disse que não tinha conhecimento e que não sabe quem são os militantes em causa. “Nem sei se estes elementos ainda são do Chega”, disse, garantindo que procurou afastar os elementos “que tinha de afastar”.
"Espero que também questione António José Seguro sobre isto", criticou, afirmando que veio para a entrevista enquanto candidato à Presidência e não líder do Chega.
“Eu sou intolerável à violência”, disse. “Não quero que Portugal continue a receber imigrantes islâmicos como tem recebido mas quero fazê-lo sem violência, com debate e democracia”, garantiu.
André Ventura deixou claro que a escolha na segunda volta das eleições Presidenciais “é entre socialista e não socialista” e disse estar confiante de que vai contar com o voto do eleitorado social-democrata.
“Eu sei que o povo social-democrata vai votar em mim”, até porque “agora os eleitores só têm duas escolhas”, declarou Ventura.
André Ventura revelou um choque por ver um dirigente do CDS “que votou contra a Constituição e sempre combateu o socialismo” a afirmar “que ia votar António José Seguro”.
“Isto não tem nada que ver com partidos. Isto é puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude”, disse.
Vítor Gonçalves criticou-o por estar a “usar a estratégia da vitimização” e retorquiu que um dirigente do CDS pode votar António José Seguro “se olharem para si como um extremista”.
“Então é um extremista que teve posições muito compatíveis com ele nos últimos anos”, respondeu Ventura. “O CDS esteve de acordo connosco em quase tudo o que nós fizemos”, assim como a Iniciativa Liberal, “em matéria económica”.
"Eu vim despertar leões"
Sobre o reforço dos poderes presidenciais, numa futura revisão constitucional, para tornar o presidente “um ator decisivo”, André Ventura explicou que “não quer que o presidente da República seja um corta-fitas e uma espécie de figura simbólica”.
“As pessoas, se quiserem um presidente para atuar, para levar o país no caminho certo, votem em mim”. “Que artigos da Constituição lhe permitem fazer isso?”, questionou Vítor Gonçalves, lembrando a separação de poderes. “Tem que ver com legitimidade democrática”, explicou o candidato. “O presidente da República é o único órgão eleito diretamente”.
“Eu vou ser do lado da exigência”, garantiu, em exemplos como falta de assistência no SNS que levou à morte de pessoas por atraso na assistência.
“Eu nunca permitirei no meu país que um doente urgente esteja 20 horas à espera”, prometeu. “Como o faria?”, perguntou Vítor Gonçalves.
Recordando o programa para a saúde prometido pelo atual executivo, em que “no fim de 2024, 65 por cento dessas medidas não estavam cumpridas e, em 2025, 50 por cento dessas medidas não estão cumpridas”, nestes casos, um presidente “pode ignorar ou chamar o Governo”.
E dizer “meus caros, com a carga de impostos que pagamos em Portugal, eu não aceito que os portugueses estejam sem saúde”. “Ou resolvem isto em dois meses, segundo os dados que vou ter, ou haverá consequências políticas”, que será “a saída da ministra da saúde ou de quem estiver à frente da saúde”.
Vítor Gonçalves lembrou que o presidente “não tem poderes” para fazer isso, com André Ventura a explicar que ninguém pretende um conflito institucional. Além de responsabilidade, “um presidente deve exigir uma governação por resultados”.
“Não tem nada a ver com presidencialismo”, acrescentou, negando que queira um governo presidencialista. “Temos de ter mais exigência do ponto de vista da presidência da República”, defendeu o candidato.
“Eu estou para fazer reformas e quero que o governo responda a essas reformas”, afirmou. “Eu acho que o presidente tem legitimidade para isto”.
Questionado sobre a elevada taxa de rejeição que lhe é atribuída na última sondagem da Universidade Católica para a RTP, o candidato apoiado pelo Chega disse que isso acontece porque diz “a verdade” e porque “o país se habituou a proteger canalhas e a não defender a verdade”.
“Neste país, quem diz que não podemos continuar a viver de subsídios (…) quando outra parte do país precisa de ajuda – sejam pensionistas, sejam pais [de filhos] com necessidades especiais – isto não cai bem nalgum eleitorado, mas isto é a verdade”, defendeu.
“Eu não vim guiar cordeiros, eu vim despertar leões”, afirmou André Ventura. “Vim despertar as pessoas para uma mudança”.
“Tralha socrática”
O candidato apoiado pelo Chega deixou várias críticas ao seu adversário, afirmando que António José Seguro representa a “tralha socrática”.
Ventura afirmou que Seguro nunca criticou “o estado em que António Costa deixou o país” e que nunca disse uma palavra “contra a corrupção”, não apresentando ainda medidas para as pensões baixas ou para a saúde.
“Quero apelar a todos”, nomeadamente empresários e pensionistas, “se querem voltar para esse passado do Partido Socialista”, afirmou Ventura.
Segundo o candidato a Belém, Seguro “pode fingir que passou ao lado e que não tem nada a ver com os últimos governos do PS, mas ele esteve num Governo socialista de António Guterres” e disse “num congresso que estava ao lado do José Sócrates e que iam caminhar juntos para a transformação do país”.
“É isto que o dr. António José Seguro representa: é a tralha socrática, a tralha de António Costa”, atirou.
Ao elencar os males que o socialismo trouxe ao país, Ventura falou em bancarrotas, indicando que também uma existiu no governo de António Guterres.
“Com Guterres houve um pântano, não uma bancarrota”, lembrou Vítor Gonçalves. “Que nos levou a seguir à bancarrota”, retorquiu Ventura. “Isso foi noutro Governo. Uma coisa era o pântano, a impossibilidade de governar”, observou Vítor Gonçalves.
“Em 2002, Portugal estava com um problema de dívida pública e de financiamento quando caiu o Governo de António Guterres”, lembrou o candidato a Belém, referindo que “nesse Governo estava António José Seguro”. “Depois esteve José Sócrates, que António José Seguro também apoiou” acrescentou.
Questionado sobre os militantes do Chega com ligações ao grupo neonazi, Ventura disse que não tinha conhecimento e que não sabe quem são os militantes em causa. “Nem sei se estes elementos ainda são do Chega”, disse, garantindo que procurou afastar os elementos “que tinha de afastar”.
"Espero que também questione António José Seguro sobre isto", criticou, afirmando que veio para a entrevista enquanto candidato à Presidência e não líder do Chega.
“Eu sou intolerável à violência”, disse. “Não quero que Portugal continue a receber imigrantes islâmicos como tem recebido mas quero fazê-lo sem violência, com debate e democracia”, garantiu.
André Ventura deixou claro que a escolha na segunda volta das eleições Presidenciais “é entre socialista e não socialista” e disse estar confiante de que vai contar com o voto do eleitorado social-democrata.
“Eu sei que o povo social-democrata vai votar em mim”, até porque “agora os eleitores só têm duas escolhas”, declarou Ventura.
André Ventura revelou um choque por ver um dirigente do CDS “que votou contra a Constituição e sempre combateu o socialismo” a afirmar “que ia votar António José Seguro”.
“Isto não tem nada que ver com partidos. Isto é puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude”, disse.
Vítor Gonçalves criticou-o por estar a “usar a estratégia da vitimização” e retorquiu que um dirigente do CDS pode votar António José Seguro “se olharem para si como um extremista”.
“Então é um extremista que teve posições muito compatíveis com ele nos últimos anos”, respondeu Ventura. “O CDS esteve de acordo connosco em quase tudo o que nós fizemos”, assim como a Iniciativa Liberal, “em matéria económica”.
"Eu vim despertar leões"
Sobre o reforço dos poderes presidenciais, numa futura revisão constitucional, para tornar o presidente “um ator decisivo”, André Ventura explicou que “não quer que o presidente da República seja um corta-fitas e uma espécie de figura simbólica”.
“As pessoas, se quiserem um presidente para atuar, para levar o país no caminho certo, votem em mim”. “Que artigos da Constituição lhe permitem fazer isso?”, questionou Vítor Gonçalves, lembrando a separação de poderes. “Tem que ver com legitimidade democrática”, explicou o candidato. “O presidente da República é o único órgão eleito diretamente”.
“Eu vou ser do lado da exigência”, garantiu, em exemplos como falta de assistência no SNS que levou à morte de pessoas por atraso na assistência.
“Eu nunca permitirei no meu país que um doente urgente esteja 20 horas à espera”, prometeu. “Como o faria?”, perguntou Vítor Gonçalves.
Recordando o programa para a saúde prometido pelo atual executivo, em que “no fim de 2024, 65 por cento dessas medidas não estavam cumpridas e, em 2025, 50 por cento dessas medidas não estão cumpridas”, nestes casos, um presidente “pode ignorar ou chamar o Governo”.
E dizer “meus caros, com a carga de impostos que pagamos em Portugal, eu não aceito que os portugueses estejam sem saúde”. “Ou resolvem isto em dois meses, segundo os dados que vou ter, ou haverá consequências políticas”, que será “a saída da ministra da saúde ou de quem estiver à frente da saúde”.
Vítor Gonçalves lembrou que o presidente “não tem poderes” para fazer isso, com André Ventura a explicar que ninguém pretende um conflito institucional. Além de responsabilidade, “um presidente deve exigir uma governação por resultados”.
“Não tem nada a ver com presidencialismo”, acrescentou, negando que queira um governo presidencialista. “Temos de ter mais exigência do ponto de vista da presidência da República”, defendeu o candidato.
“Eu estou para fazer reformas e quero que o governo responda a essas reformas”, afirmou. “Eu acho que o presidente tem legitimidade para isto”.
Questionado sobre a elevada taxa de rejeição que lhe é atribuída na última sondagem da Universidade Católica para a RTP, o candidato apoiado pelo Chega disse que isso acontece porque diz “a verdade” e porque “o país se habituou a proteger canalhas e a não defender a verdade”.
“Neste país, quem diz que não podemos continuar a viver de subsídios (…) quando outra parte do país precisa de ajuda – sejam pensionistas, sejam pais [de filhos] com necessidades especiais – isto não cai bem nalgum eleitorado, mas isto é a verdade”, defendeu.
“Eu não vim guiar cordeiros, eu vim despertar leões”, afirmou André Ventura. “Vim despertar as pessoas para uma mudança”.
“Tralha socrática”
O candidato apoiado pelo Chega deixou várias críticas ao seu adversário, afirmando que António José Seguro representa a “tralha socrática”.
Ventura afirmou que Seguro nunca criticou “o estado em que António Costa deixou o país” e que nunca disse uma palavra “contra a corrupção”, não apresentando ainda medidas para as pensões baixas ou para a saúde.
“Quero apelar a todos”, nomeadamente empresários e pensionistas, “se querem voltar para esse passado do Partido Socialista”, afirmou Ventura.
Segundo o candidato a Belém, Seguro “pode fingir que passou ao lado e que não tem nada a ver com os últimos governos do PS, mas ele esteve num Governo socialista de António Guterres” e disse “num congresso que estava ao lado do José Sócrates e que iam caminhar juntos para a transformação do país”.
“É isto que o dr. António José Seguro representa: é a tralha socrática, a tralha de António Costa”, atirou.
Ao elencar os males que o socialismo trouxe ao país, Ventura falou em bancarrotas, indicando que também uma existiu no governo de António Guterres.
“Com Guterres houve um pântano, não uma bancarrota”, lembrou Vítor Gonçalves. “Que nos levou a seguir à bancarrota”, retorquiu Ventura. “Isso foi noutro Governo. Uma coisa era o pântano, a impossibilidade de governar”, observou Vítor Gonçalves.
“Em 2002, Portugal estava com um problema de dívida pública e de financiamento quando caiu o Governo de António Guterres”, lembrou o candidato a Belém, referindo que “nesse Governo estava António José Seguro”. “Depois esteve José Sócrates, que António José Seguro também apoiou” acrescentou.
“O historial de António José Seguro é estar sempre do lado da bancarrota e da corrupção. Eu estive ao lado daqueles que queriam fazer reformas”, disse, referindo que o “património político de cada um também vai estar em disputa” no dia 8 de fevereiro, na segunda volta das eleições presidenciais.
E no plano internacional?
Na cena internacional, André Ventura prometeu “um mandato diferente dos meus antecessores todos”.
E no plano internacional?
Na cena internacional, André Ventura prometeu “um mandato diferente dos meus antecessores todos”.
“Não deixarei que Portugal volte a ser humilhado na esfera internacional”, especificando que “eu quero dizer isto aos países africanos de língua portuguesa, que nos acusem de toda a corrupção que eles têm de toda a pobreza que eles têm”. “Portugal vai passar a andar de cabeça erguida outra vez”, garantiu.
À pergunta sobre como vê a pretensão do presidente dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, Ventura considerou-a “um disparate”. “E nós na Europa e em Portugal temos de ser firmes naquilo que é a nossa integridade”, defendeu.
Seja qual for a ameaça, “venha de onde vier”, André Ventura põe Portugal em primeiro lugar e “defender os interesses portugueses e europeus”. “Se os nossos aliados não compreenderem isso, paciência, temos pena”.
Sobre o apoio a Trump, Ventura desviou. Os EUA “são nossos aliados históricos”, referiu. “Quer que nos aliemos a quem, à Venezuela?”. Vítor Gonçalves insistiu na pergunta, ao que Ventura retorquiu “o presidente Trump passará”.
“Temos de manter as alianças” com a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, Espanha, os países de língua portuguesa, reconheceu.
“Quando o interesse nacional está em causa, eu não tenho ideologia”, afirmou. “Não me entusiamo com líderes internacionais, só me entusiasmo com Portugal”.
“Quando está em causa a corrupção de esquerda e há alguém que a põe em causa, se me perguntarem entre os ditadores cubanos, venezuelanos ou norte-coreanos, eu prefiro os americanos, os ingleses e os franceses”, disse.
“Na Europa temos exemplo de bons líderes à direita”, rematou, dando como exemplo a italiana Georgia Meloni. “Eu quero combater as ditaduras em todo o lado onde elas aconteçam”, asseverou.
Defendendo que “na situação em que Portugal está, devemos evitar enviar portugueses para situações de guerra”, André Ventura deu como exemplo a situação da Ucrânia, referindo que Portugal deve continuar a apoiar Kiev pela paz, mas “deve ser exigente com o dinheiro que manda para lá”, mas não enviar tropas enquanto houver guerra.
“Se Portugal for ameaçado, se a Europa for ameaçada, isso é toda uma outra história”, acrescentou. “Portugal deve estar equipado com Forças Armadas modernas, capazes e com condições”. “Eu quero recuperar a dignidade das Forças Armadas, o estatuto, o profissionalismo, e os meios que elas precisam”.
“Portugal vai continuar a participar na cena internacional”, garantiu.
A sua missão “neste mandato”, concluiu, é fazer com que os que emigraram regressem e que os jovens portugueses encontrem no país condições de vida dignas.
À pergunta sobre como vê a pretensão do presidente dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, Ventura considerou-a “um disparate”. “E nós na Europa e em Portugal temos de ser firmes naquilo que é a nossa integridade”, defendeu.
Seja qual for a ameaça, “venha de onde vier”, André Ventura põe Portugal em primeiro lugar e “defender os interesses portugueses e europeus”. “Se os nossos aliados não compreenderem isso, paciência, temos pena”.
Sobre o apoio a Trump, Ventura desviou. Os EUA “são nossos aliados históricos”, referiu. “Quer que nos aliemos a quem, à Venezuela?”. Vítor Gonçalves insistiu na pergunta, ao que Ventura retorquiu “o presidente Trump passará”.
“Temos de manter as alianças” com a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, Espanha, os países de língua portuguesa, reconheceu.
“Quando o interesse nacional está em causa, eu não tenho ideologia”, afirmou. “Não me entusiamo com líderes internacionais, só me entusiasmo com Portugal”.
“Quando está em causa a corrupção de esquerda e há alguém que a põe em causa, se me perguntarem entre os ditadores cubanos, venezuelanos ou norte-coreanos, eu prefiro os americanos, os ingleses e os franceses”, disse.
“Na Europa temos exemplo de bons líderes à direita”, rematou, dando como exemplo a italiana Georgia Meloni. “Eu quero combater as ditaduras em todo o lado onde elas aconteçam”, asseverou.
Defendendo que “na situação em que Portugal está, devemos evitar enviar portugueses para situações de guerra”, André Ventura deu como exemplo a situação da Ucrânia, referindo que Portugal deve continuar a apoiar Kiev pela paz, mas “deve ser exigente com o dinheiro que manda para lá”, mas não enviar tropas enquanto houver guerra.
“Se Portugal for ameaçado, se a Europa for ameaçada, isso é toda uma outra história”, acrescentou. “Portugal deve estar equipado com Forças Armadas modernas, capazes e com condições”. “Eu quero recuperar a dignidade das Forças Armadas, o estatuto, o profissionalismo, e os meios que elas precisam”.
“Portugal vai continuar a participar na cena internacional”, garantiu.
A sua missão “neste mandato”, concluiu, é fazer com que os que emigraram regressem e que os jovens portugueses encontrem no país condições de vida dignas.