Ex-ministra do PS aponta "falta de coerência" a Montenegro sobre pacote laboral: "Vai fazer a discussão à direita"

Ex-ministra do PS aponta "falta de coerência" a Montenegro sobre pacote laboral: "Vai fazer a discussão à direita"

Depois das respostas dadas aos deputados, a ex-ministra Marina Gonçalves acusa Luís Montenegro de se estar a preparar para aprovar o pacote laboral do Governo com o Chega e com a Iniciativa Liberal. Na Antena 1, a socialista defende que o PSD mostra "falta de coerência" e mostra-se cética em relação a entendimentos entre os socialistas e os sociais-democratas.

João Alexandre /

Fotos: Sofia Vicente

"Não contam com o PS para fazer uma reforma laboral contra os trabalhadores. Tal como não contariam para o fazer contra os empregadores. Mas, esta reforma laboral só olha para uma das partes e não para o prejuízo e a precariedade para os trabalhadores", afirmou a deputada, no programa Entre Políticos.

Para Marina Gonçalves, não restam dúvidas sobre com quem quer o Governo da AD aprovar as alterações que a ministra do Trabalho já disse querer colocar em prática com ou sem acordo na Concertação Social.

"Quando o primeiro-ministro diz, de forma taxativa, que não vai abdicar da reforma laboral, está a dizer ao PS que vai abdicar do diálogo com o PS. Vai fazer essa discussão à direita. Por isso, lamento a fala de coerência do PSD", diz ainda a ex-governante, que insiste: "Não me deixa descansada o que o primeiro-ministro disse no parlamento".

No mesmo sentido, a deputada e vice-presidente do grupo parlamentar socialista afirma que a prática da AD na atual legislatura "não é um diálogo com todos" os partidos, mas uma preferência pelo diálogo à direita nos temas "mais estruturantes" que têm sido levados à Assembleia da República.

"Por mais que o Partido Socialista tente esse diálogo para encontrar pontos de equilíbrio, esse diálogo tem sido sempre feito à direita", lamenta.
Chega admite "caminho" para entendimentos, mas exige mudanças ao pacote laboral
Apesar das criticas ao PSD e a Luís Montenegro motivadas pelo posicionamento do primeiro-ministro sobre a segunda volta das eleições presidenciais, o Chega garante que está disponível para continuar a dialogar com o Governo da AD em matérias como a legislação laboral.

No programa Entre Políticos, a deputada e dirigente Rita Matias deixa clara a disponibilidade, mas avisa que é preciso que o líder social-democrata tenha abertura para fazer cair algumas propostas que constam do anteprojeto que o Executivo leva à Concertação Social.

"Pode haver caminho [para entendimentos], mas a postura de Luís Montenegro foi de muito pouca negociação. Não quis ceder em nada no Orçamento do Estado. Agora, neste pacote laboral, tem uma opção: senta-se com o Chega e deixa cair tudo aquilo que são atentados aos direitos das mulheres trabalhadoras, garante que não há despedimentos coletivos e que não tornará a vida dos trabalhadores mais difícil", assinala a deputada.
Na Antena 1, a deputada Rita Matias defendeu ainda que a posição do Chega nesta matéria não se baseia em ideologia, mas em medidas concretas: "Não queremos saber se isto é de direita ou esquerda, queremos é respostas para os portugueses".
PSD avança com pacote laboral: "Nós queremos reformar"
Pelo PSD, Cristóvão Norte, deputado e líder da distrital de Faro, avisa que a reforma laboral é para avançar, mas acrescenta que as respostas não se encontram exclusivamente na Assembleia da República e no diálogo com a oposição, ou seja, com o PS e com o Chega.

"É na concertação social que se deve encontrar o sentido de compromisso que garanta uma legislação moderna, avançada, que responda às novas realidades, que proteja os trabalhadores, mas que não seja um empecilho ao crescimento e à flexibilidade e dinamização económica no mercado de trabalho", argumenta.

Para o deputado do PSD, o Governo e o partido têm de ter "abertura de espírito" na discussão, mas acusa Chega e PS de, por diversas vezes, se terem "aliado um ao outro" para aprovar medidas: "Não quer dizer que não tenham sido erráticas", diz o deputado, que desvaloriza as dúvidas dos candidatos presidenciais em relação ao pacote laboral.
"É legítimo mostrarem reservas em relação ao pacote laboral. O que eu digo, uma vez mais, é que é preciso ter coerência nas posições e que ao presidente da República, seja ele quem for, cabe um comportamento que seja consentâneo com a estabilidade política do país, com a ideia de não dividir o país e com a magistratura de influência essencial para criar condições para que o país avance".

O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre. 
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