Pureza adverte para riscos da "parede de betão de Bruxelas"

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Pureza adverte para riscos da parede de betão de Bruxelas

José Manuel Pureza coloca a ênfase nos compromissos que os socialistas assumiram à esquerda. Com avisos à navegação. O vice-presidente da Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda foi entrevistado na Antena 1 por Maria Flor Pedroso.

Nesta entrevista, Pureza garante que, “enquanto se concretizarem os acordos à esquerda, não será o Bloco a partir este acordo assinado na perspetiva de uma legislatura”. Mas alerta: “O principal risco que vem da eventualidade de o centro político se reconstituir como pólo governativo em Portugal”.

Afirma não estar em causa um Bloco Central formal, sobretudo por causa dos “protagonistas políticos que existem ou que venham a existir e tendo em conta a pressão que venha de Bruxelas”.

José Manuel Pureza não lê as declarações do primeiro-ministro sobre os consensos mais alargados com o PSD (na entrevista ao Expresso) como perigo de retorno ao Bloco Central. Nem se inquietou com as declarações de António Costa.

Diz Pureza que “se destina a chamar à razão todos os protagonistas políticos, em especial porque temos visto uma direita desnorteada”. E quanto aos consensos com o PSD, “desde que esses consensos não ponham em causa os pressupostos deste acordo à Esquerda, nada a opor”.

Constata-se assim que o vice-presidente da AR não partilha da leitura que Catarina Martins, porta voz do BE, fez da entrevista do primeiro-ministro ao Expresso.
“Uma parede de betão”
No seguimento desta ideia, José Manuel Pureza deixa outro alerta, considerando que há “uma parede de betão que pode pôr em causa os pressupostos nas bases dos quais se estabeleceu este entendimento”.

Se o Governo se deixasse ir, esses pressupostos estariam em causa. Mas não foi o que aconteceu, “por isso é tão importante que o Governo e a maioria tenham consciência disto e, como aconteceu desta vez, que o Governo se articule com os partidos o que permitiu apresentar em Bruxelas uma proposta forte”.

Pureza considera que, em parte, a proposta de Orçamento foi descaracterizada, mas “não fora o acordo com os partidos à esquerda e teríamos hoje um OE muito mais negativo”.

Ainda sobre o Orçamento, José Manuel Pureza exemplifica com a proposta do Bloco da taxa social da EDP, medida “neutra do ponto de vista orçamental”. Questionado sobre se não for possível ao PS deixar passar a proposta, o bloquista diz “que será negativo e que o compromisso [entre as Esquerdas] sairia reforçado” se a taxa social da EDP fosse aprovada na discussão na especialidade.

Pureza não avança o sentido de voto final para o Orçamento do Estado. Mas também não esconde que considera que o documento respeita os acordos firmados e que isso é que é essencial.

Na véspera do Conselho Europeu, José Manuel Pureza, também professor catedrático da Universidade de Coimbra e especialista em Relações Internacionais, lamenta que haja uma cimeira “que vai tomar decisões sobre o avanço da xenofobia na Europa, pensávamos que isto era impossível mas aí está, porque a extrema-direita tomou conta da Europa”.

Pureza diz que não há hoje qualquer construção europeia, “há cada Estado a tomar a sua decisão”.

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