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A resposta aos danos da depressão Kristin e a evolução do estado do tempo

Bastonária alerta que próximos três meses são fundamentais para apoio psicológico

Bastonária alerta que próximos três meses são fundamentais para apoio psicológico

RTP /

A bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) alertou hoje que os próximos três meses serão decisivos para acompanhar as populações afetadas pela depressão Kristin, sublinhando que o impacto psicológico surge sobretudo após a fase de emergência.

Neste momento, as populações estão concentradas na proteção física e na salvaguarda dos bens, seguindo as orientações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, disse à agência Lusa Sofia Ramalho.

"Temos em primeiríssimo lugar que salvaguardar a proteção física das próprias pessoas", afirmou a bastonária, destacando que, nesta fase, todas as entidades estão no terreno: Proteção Civil, bombeiros, forças de segurança, exército, uma vez que foi ativado o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil.

Segundo a bastonária, o apoio psicológico é agora direcionado a "situações mais agudas" que possam surgir, como pessoas que descompensam emocionalmente, mas "o mais habitual" é que as pessoas se concentrem na proteção dos seus bens e na sua segurança face até à possibilidades de novas ocorrências ao longo destes dias.

O Centro de Apoio Psicológico de Intervenção em Crise (CAPIC) está ativado para responder a situações de emergência e de 'stress' agudo, em articulação com as Unidades Locais de Saúde (ULS).

As autarquias locais também têm equipas de apoio psicossocial que estão a colaborar no terreno, apoiando tanto os profissionais envolvidos na resposta como os cidadãos afetados.

A bastonária salientou que a intervenção dos psicólogos será necessária numa fase posterior quando as pessoas deixarem de estar tão centradas na proteção física e dos seus bens e começarem a surgir sintomas como 'stress' agudo.

Segundo a bastonária, essas situações tornam-se mais evidentes quando são associadas a perdas de bens materiais, situações de luto ou recuperação de pessoas feridas.

É também nos próximos dias e semanas, quando as pessoas tentam retomar as rotinas, que podem surgir quadros de ansiedade mais intensa, perturbações do sono e outros sintomas ligados à vivência de situações traumáticas.

Sofia Ramalho sublinhou que muitas das populações afetadas já tinham sido atingidas por incêndios no passado, "revivendo traumas e perdas repetidas", o que agrava as dificuldades sociais, económicas e financeiras das famílias e contribui para o aumento da ansiedade e do 'stress' pós-traumático.

"Os próximos três meses são fundamentais para o acompanhamento psicológico das populações do ponto de vista psicológico", alertou Sofia Ramalho, destacando que as ULS estão preparadas para acolher, a qualquer momento, casos de reações emocionais agudas.

A bastonária chamou ainda a atenção para "o impacto significativo" desta situação nas crianças, que tendem a sentir mais medo e ansiedade numa altura em que os adultos de referência - pais, os cuidadores, os professores -- estão focados na resposta à crise.

"Estão a reagir e não têm disponibilidade de tempo para acompanhar o que as crianças possam estar a viver e a sentir e, portanto, de alguma forma são levadas a terem que se organizar emocionalmente sozinhas. (...) Ficam com receio que a qualquer momento possam perder os pais e ser afetadas inclusivamente fisicamente por estas tempestades", disse, salientando que é preciso estar atento a sintomas de ansiedade que possam surgir.

De acordo com Sofia Ramalho, as equipas no terreno estão a monitorizar estas situações, procurando identificar sinais de maior vulnerabilidade emocional na população e encaminhando casos para as ULS quando necessário.
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