"Isto é puro ódio contra mim"

RTP /

“Isto não tem nada que ver com partidos” acrescentou, revelando um choque por ver um dirigente do CDS “que votou contra a Constituição e sempre combateu o socialismo” a afirmar “que ia votar António José Seguro”.

“Isto é puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude”, defendeu.

Vítor Gonçalves criticou-o por se estar a “usar a estratégia da vitimização” e retorquiu que um dirigente do CDS pode votar António José Seguro “se olharem para si como um extremista”.

“Então é um extremista que teve posições muito compatíveis com ele nos últimos anos”, respondeu Ventura. “O CDS esteve de acordo connosco em quase tudo o que nós fizemos”, assim como a Iniciativa Liberal, “em matéria económica”.

Afirmando que os jovens portugueses foram obrigados a emigrar devido aos governos socialistas, “pergunte-lhes agora se faz sentido um país liderado por um socialista”.

Sobre o reforço dos poderes presidenciais, numa futura revisão constitucional, para tornar o presidente “um ator decisivo”, André Ventura explicou que “não quer que o presidente da República seja um corta-fitas e uma espécie de figura simbólica”.

“As pessoas, se quiserem um presidente para atuar, para levar o país no caminho certo, votem em mim”. “Que artigos da Constituição lhe permitem fazer isso?”, questionou Vítor Gonçalves, lembrando a separação de poderes. “Tem que ver com legitimidade democrática”, explicou o candidato. “O presidente da República é o único órgão eleito diretamente”.

“Eu vou ser do lado da exigência”, garantiu, em exemplos como falta de assistência no SNS que levou à morte de pessoas por atraso na assistência.

“Eu nunca permitirei no meu país que um doente urgente esteja 20 horas à espera”, prometeu. “Como o faria?”, perguntou Vítor Gonçalves.

Recordando o programa para a saúde prometido pelo atual executivo, em que “no fim de 2024, 65 por cento dessas medidas não estavam cumpridas e, em 2025, 50 por cento dessas medidas não estão cumpridas”, um presidente “pode ignorar ou chamar o Governo”.

E dizer “meus caros, com a carga de impostos que pagamos em Portugal, eu não aceito que os portugueses estejam sem saúde”. “Ou resolvem isto em dois meses, segundo os dados que vou ter, ou haverá consequências políticas”, que será “a saída da ministra da saúde ou de quem estiver à frente da saúde”.

Vítor Gonçalves lembrou que o presidente “não tem poderes” para fazer isso, com André Ventura a explicar que ninguém pretende um conflito institucional. Além de responsabilidade, “um presidente deve exigir uma governação por resultados”.

“Não tem nada a ver com presidencialismo”, acrescentou, negando que queira um governo presidencialista. “Temos de ter mais exigência do ponto de vista da presidência da República”, defendeu o candidato.

“Eu estou para fazer reformas e quero que o governo responda a essas reformas”, afirmou. “Eu acho que o presidente tem legitimidade para isto”.
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