Especiais
Ministra do Ambiente. Cheia está a ser "lenta" mas "vamos ter de ser super-prudentes" e a vigiar
"Esta tarde às 18h30, o caudal no açude de Coimbra atingiu 2.100 metros cúbicos por segundo", acima do ponto crítico de dois mil metros cúbicos por segundo", confirmou a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
"Tivemos uma rotura do lado direito do dique", "parcial, de 10 metros de largura", "no prumo da Autoestrada A1", o que levou a Proteção Civil a cortar o trânsito nesse troço. "só por uma questão de precaução".
"Tudo aconteceu como previsto pelos técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente", frisou a ministra, destacando a importância da "confiança na tecnologia, na ciência e na nossa Administração Pública", por parte dos autarcas para seguirem as recomendações da APA e as transmitirem às populações.
A ministra destacou a lentidão da cheia que se seguiu à rotura do dique e o facto de apenas campos agrícolas estarem a ser afetados. "Dois pontos positivos".
"Mas o caudal vai espraiar até Montemor-o-Velho", acautelou, referindo que a malha urbana nessa área está protegida por dois diques.
"O trabalho mais urgente da APA é monitorizar estes dois diques" referiu a responsável, avisando que os caudais não desceram e se mantém constantes nos 2.000 metros cúbicos por segundo.
Devido ao pouco encaixe das barragens de Fronhos e da Aguieira, pelo que, enquanto a chuva continuar, até ao pequeno alívio previsto para sexta-feira, "vamos ter de ser super-prudentes" e continuar a vigilância dos diques.
Maria da Graça Carvalho apelou ainda à população para continuar a seguir as recomendações da Proteção Civil.
Vivemos um período "excecional que já dura há três semanas", sustentou a ministra do Ambiente.
"Só nestes dois dias, a precipitação é equivalente a 20 por cento da precipitação média de Portugal do ano inteiro", revelou.
A responsável destacou a gestão preventiva de cheias aplicadas pela APA. "Desde janeiro, as descargas das barragens e albufeiras corresponderam a cerca de um ano de consumo de água de todo o país", quantificou.
A ministra sublinhou a construção "desde já" de uma terceira barragem no Mondego, lembrando que as duas barragens existentes no rio "não são suficientes para controlar os caudais do Mondego num cenário de alterações climáticas com eventos extremos com o que estamos agora a presenciar".
"O ponto crítico de referência" para o Mondego corresponde a "um caudal no Açude de Coimbra de dois mil metros cúbicos por segundo", referiu Maria da Graça Carvalho, acrescentando que, terça-feira, "o caudal atingiu três fatores" em acumulação.
"Atingiu 1,800 metros cúbicos por segundo, com pouco encaixe nas duas barragens do rio, e uma previsão de muita precipitação até sexta-feira", afirmou, o que levou a APA e a ministra a recomendar aos autarcas da área a evacuação das zonas em risco de cheias.