2025 foi o ano mais letal para os civis ucranianos desde 2022
A ONU denunciou hoje que 2025 foi o ano mais letal para os civis ucranianos - 2.514 mortes - desde 2022, ano em que a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia.
Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Ucrânia, a subsecretária-geral Rosemary DiCarlo apontou para as conclusões da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas no país, que verificou a morte de 2.514 civis e o ferimento de 12.142 no passado.
Segundo a Missão, o número total de civis mortos e feridos em 2025 foi 31% maior do que em 2024, quando se registaram 2.088 mortos e 9.138 feridos e 70% superior a 2023 (1.974 mortos e 6.651 feridos).
No total, desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia por Moscovo em fevereiro de 2022, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos verificou que pelo menos 14.999 civis foram mortos, incluindo 763 crianças, e 40.601 civis ficaram feridos, sendo que 2.486 eram menores.
"Os números reais são provavelmente maiores", destacou Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz.
Na reunião de hoje do Conselho de Segurança, DiCarlo denunciou "um padrão bem estabelecido e profundamente preocupante" da parte da Rússia, que tem intensificado os ataques contra a Ucrânia quando as condições meteorológicas se agravam e a necessidade de aquecimento da população se torna mais urgente.
"O impacto destes ataques é sentido com mais força pelos mais vulneráveis: idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida", lamentou.
Os recentes ataques russos, incuindo com recurso ao míssil balístico Oreshnik, mataram e feriram dezenas de civis e privaram milhões de ucranianos de eletricidade, aquecimento e água durante períodos prolongados.
Num dos mais recentes bombardeamentos de grande escala, durante a noite de quinta para sexta-feira passada, Moscovo lançou 242 drones e 36 mísseis contra a Ucrânia, frisou DiCarlo.
Ainda na reunião de hoje, o chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Genebra, Ramesh Rajasingham, explicou que o que torna os recentes ataques russos tão devastadores é o facto de que paralisam os sistemas que mantêm os civis vivos durante o inverno.
"Em Kryvyi Rih (cidade no centro da Ucrânia), as famílias estão a derreter neve para lavar e cozinhar. Também estão a aquecer água com velas após cortes de energia que duram mais de um dia", contou.
Com a escalada das hostilidades na Ucrânia prestes a entrar no quinto ano, 10,8 milhões de ucranianos necessitam urgentemente de assistência humanitária, afirmou o representante do OCHA.
Nesse sentido, na terça-feira as Nações Unidas e parceiros humanitários lançarão o "Plano de Necessidades e Resposta Humanitária de 2026", que procura 2,31 biliões de dólares (1,98 mil milhões de euros) para prestar assistência vital a 4,12 milhões de pessoas que enfrentam as necessidades mais graves no país.
"Os civis que estão a sofrer com estes ataques precisam de mais do que declarações de preocupação deste Conselho. Precisam de ações concretas para reduzir os danos e garantir que o apoio humanitário continua a chegar às pessoas quando estas mais precisam", concluiu Rajasingham.