Envio de tropas europeias para a Ucrânia equivaleria a "uma guerra contra a Rússia"

Envio de tropas europeias para a Ucrânia equivaleria a "uma guerra contra a Rússia"

O Presidente russo, Vladimir Putin, avisou na sexta-feira que qualquer envio de tropas europeias para a Ucrânia equivaleria a "uma guerra contra a Rússia", ao mesmo tempo que afirmou que Moscovo não "ameaça" os países europeus.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia - Handout via Reuters

"Atualmente, eles (os líderes europeus) dizem estar a analisar como enviar tropas para o território ucraniano. Isto significa uma guerra contra a Rússia", declarou Putin, citado pelas agências de notícias russas, a partir de Nova Deli, onde se encontra para uma cimeira dos BRICS.

"Não ameaçamos nem temos a intenção de ameaçar os países europeus. Porque o faríamos? Ninguém se apercebe sequer de que não temos qualquer motivo para entrar em conflito com a Europa", acrescentou.

Putin avaliou ainda que os líderes europeus "assustam as suas populações com uma ameaça imaginária (proveniente) da Rússia", acrescentando que "essa ameaça não existe nem nunca existiu".

Putin vai participar numa cimeira dos BRICS a partir deste sábado, na Índia, juntamente com o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian.A Rússia, que lançou as suas tropas contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, sempre apresentou o envio de tropas ocidentais para território ucraniano como uma "linha vermelha" que não deve ser ultrapassada.

A Rússia justifica a sua ofensiva contra a Ucrânia, em particular, pela ameaça que representa para ela a expansão da NATO — aliança militar ocidental à qual Kiev aspira aderir — até as suas fronteiras.

Vitória da AfD na Alemanha é resultado de “erros sistemáticos”
O Presidente russo afirmou ainda que os acontecimentos na Europa, incluindo a vitória da extrema-direita numa eleição estadual alemã, foram o resultado de "erros sistémicos" cometidos por globalistas no Ocidente.

O presidente russo disse que não iria comentar o resultado expressivo obtido no domingo pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no Estado alemão da Saxónia-Anhalt, mas acrescentou que as elites ocidentais eram as culpadas pelos acontecimentos no continente, incluindo a eleição.
"Penso que tudo o que está a acontecer na Europa neste momento é basicamente o resultado de erros sistémicos do chamado Ocidente... dos globalistas ocidentais na política, na segurança e na economia", sublinhou Putin.

Os países ocidentais, segundo ele, também ignoraram a oposição da Rússia à expansão da NATO para leste.

Depois de um presidente favorável à Rússia ter sido forçado a fugir da Ucrânia em 2014, o Ocidente "estabeleceu imediatamente o objetivo de arrastar a Ucrânia para a NATO. E esta acabou por ser a principal razão para os trágicos acontecimentos de hoje na Ucrânia".

"São as elites globalistas ocidentais que têm culpa por isso, embora continuem a transferir a culpa para nós a todo o momento."

"As pessoas na Europa, creio, compreendem o que está a acontecer", disse aos jornalistas. "Daí os resultados de hoje na Alemanha e as tendências na Europa como um todo".

O AfD ficou em primeiro lugar nas eleições do passado domingo, depois de prometer conter a migração e restabelecer os laços com Moscovo. Agora, o partido precisa de atrair dissidentes de outros partidos ou chegar a um acordo com o pequeno partido de extrema-esquerda BSW para formar governo.
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