Escalada da guerra. NATO teme "incidente" após ataques russos perto da Polónia

Escalada da guerra. NATO teme "incidente" após ataques russos perto da Polónia

Uma perigosa escalada da guerra na Ucrânia é o cenário admitido por fontes da NATO ouvidas pela imprensa espanhola. Isto na sequência do bombardeamento da madrugada de domingo contra uma base militar ucraniana a 25 quilómetros da Polónia. Teme-se que o alargamento das frentes de guerra à região mais ocidental da antiga república soviética venha a dar lugar, por exemplo, à queda de um míssil russo em solo defendido pela Aliança Atlântica.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
O ataque russo a uma base militar na região mais ocidental da Ucrânia, na madrugada de domingo, acendeu alarmes na estrutura da Aliança Atlântica Roman Pilipey - EPA

Como observa o diário espanhol El País, acidental ou não, qualquer projétil que caísse em território polaco confrontaria quer a NATO, quer a União Europeia, com a premência de uma decisão crítica: responder militarmente.

Fontes da NATO, citadas pelo mesmo jornal, admitem que o facto de a invasão russa ter estado concentrada, nas últimas duas semanas, no leste da Ucrânia vinha a ser encarado com relativo alívio.

“Quanto mais próximo da fronteira ocidental, maior o risco de que um simples erro de cálculo provoque um incidente”, fazem notar as fontes ouvidas pelo jornal. Por outro lado, à medida que a guerra vai perdurando, a Rússia ver-se-á na contingência de ter de empregar armas menos precisas, pelo que o risco de um erro de cálculo é assim maior”.

Na passada sexta-feira, um drone de fabrico russo caiu num parque público de Zagreb, na Croácia, depois de cruzar o espaço aéreo de três Estados-membros da NATO – Roménia, Hungria e Croácia. “Um incidente”. Assim o classificou a Aliança Atlântica.

Também na sexta-feira as forças russas atacaram a base aérea ucraniana de Lutsk, a cerca de 80 quilómetros da fronteira da Polónia. O presidente norte-americano, Joe Biden, avisou no mesmo dia que um ataque da Rússia a qualquer dos aliados da NATO poderia constituir o início de uma III Guerra Mundial.

No domingo, Washington reiterou que a NATO retaliará “com toda a sua força”, caso a ofensiva russa chegue a território da Aliança. Tratar-se-á de acionar o artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, repetiu o assessor de segurança nacional dos Estados Unidos Jake Sullivan.
A contribuir para a escalada está igualmente a ameaça, por parte de Moscovo, de atingir qualquer comboio ocidental que faça chegar armas às forças ucranianas - Polónia e Roménia são os dois Estados-membros da NATO detentores das maiores linhas de fronteira com a Ucrânia; a Hungria, outro dos aliados próximos do território ucraniano, não permite a passagem de armamento e a linha de fronteira da Eslováquia tem menos de 100 quilómetros.

Por agora, a NATO mantém a posição oficial: não tenciona intervir com tropas no teatro de guerra e continua a fechar a porta ao pedido do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea.

“Temos a responsabilidade de assegurar que este conflito não tenha uma escalada para lá da Ucrânia”, frisava na sexta-feira o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em mensagem remetida à Polónia, por ocasião dos 23 anos da entrada deste país na Aliança Atlântica.
O ataque à base no oeste da Ucrânia
Na madrugada de domingo, caíram 30 mísseis russos sobre uma base militar da Ucrânia em Yavoriv, na região de Lviv, a 25 quilómetros da fronteira polaca. O alvo foi o denominado Centro para a Manutenção da Paz e da Segurança Internacionais, um complexo de treino militar que recebeu visitas de sucessivas delegações da NATO.
Morreram, em Yavoriv, pelo menos 35 pessoas. Há notícia de mais de 130 feridos. O ministro ucraniano da Defesa, Oleksii Reznikov, adiantou que estavam na base “instrutores estrangeiros”. Perto de mil combatentes estrangeiros terão recebido ou estariam em treino naquelas instalações.

As tropas ucranianas têm sido treinadas por militares ocidentais em Yavoriv desde 2015.
Responsáveis ocidentais, citados pelo jornal norte-americano The New York Times, afirmaram que o ataque de domingo não foi apenas uma expansão geográfica da invasão russa. Constituiu, antes, uma alteração de tática.

Ao 18.º dia da invasão russa da Ucrânia, estima-se em pelo menos 596 o número de civis mortos, entre os quais 43 crianças. Outros 1.067 ficaram feridos. Estes são os dados das Nações Unidas. Já as autoridades ucranias apontam para 2.187 mortes só na cidade de Mariupol.
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