Kiev simulou morte de comandante russo em operação de contra-espionagem

Os serviços de informação ucranianos, GUR, confirmaram esta quinta-feira que o anúncio da morte de um comandante russo, a combater pela Ucrânia, foi um estratagema para identificar agentes da Rússia. Denis Kapustin, que tinha a cabeça a prémio por 500 mil dólares, está vivo, afirmaram.

RTP /
Militares ucranianos em treinos perto da linha da frente na região de Zaporizhzhia Exército da Ucrânia - Reuters

Dia 27 de dezembro, o Corpo de Voluntários Russos (RDK) anunciou que o seu comandante, Denis Kapustin, tinha sido morto na linha da frente, no setor de Zaporizhzhia (sul), durante um ataque de drones russos.

O GUR confirmou que a divulgação da morte do general foi fictícia e fazia parte de uma "operação especial" conduzida durante cerca de um mês.

"Parabéns pelo seu regresso à vida, é sempre um prazer", disse o responsável do GUR, Kyrylo Budanov, numa videoconferência com Denis Kapustin, divulgada pelo seu gabinete. Denis Kapustin afirmou estar pronto para "regressar à área de operações" na linha da frente e reassumir o comando da sua unidade.

Segundo o GUR, a morte forjada permitiu identificar membros dos serviços especiais russos que tinham oferecido uma recompensa pela cabeça de Kapustin e queriam assassiná-lo.

"Recebemos também a quantia em dinheiro atribuída pelos serviços especiais russos para a execução deste crime", ou seja, 500 mil dólares, declarou um oficial anónimo do GUR no vídeo.

Figura conhecida nos círculos dos hooligans e da extrema-direita russos, Denis Kapustin já foi acusado de professar ideias neonazis.

Conhecido por vários pseudónimos, como Nikitin ou White Rex, instalou-se na Ucrânia antes da invasão russa de fevereiro de 2022, onde organizava combates de MMA e era dono de uma marca de roupa.

Depois de pegar em armas para combater por Kiev, ganhou destaque na primavera de 2023. A sua unidade realizou incursões na fronteira da Ucrânia com a Rússia.

Esta não é a primeira vez que Kiev realiza este tipo de operação.

No final de maio de 2018, os serviços especiais ucranianos orquestraram a "falsa morte" de um jornalista russo opositor ao Kremlin, Arkady Babchenko, para, segundo as autoridades, impedir uma tentativa de assassinato por parte de Moscovo contra ele.

As autoridades ucranianas simularam o seu assassinato durante 24 horas, enganando a imprensa, um acontecimento encenado que foi amplamente criticado na época.

com agências
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