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Kremlin confirma que Trump pediu suspensão temporária de ataques

Kremlin confirma que Trump pediu suspensão temporária de ataques

Questionado sobre a resposta da Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusou fazer comentários.

Cristina Sambado - RTP /
Ramil Sitdikov - Reuters

O Kremlin confirmou esta sexta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu um pedido pessoal do homólogo norte-americano, Donald Trump, para suspender os ataques a Kiev até 1 de fevereiro, de forma a criar um ambiente favorável às negociações de paz.

Donald Trump revelou na quinta-feira que tinha pedido "pessoalmente" a Vladimir Putin para suspender os ataques aéreos contra Kiev e outras cidades ucranianas "durante uma semana" e afirmou que o presidente russo "concordou em fazê-lo", enquanto a Ucrânia enfrenta uma forte vaga de frio.
No entanto, a Casa Branca não forneceu detalhes sobre os termos exatos desta trégua surpresa. 
Donald Trump disse que fez este pedido devido ao frio "excecional" na Ucrânia, onde o país enfrenta extensos cortes de energia e aquecimento causados pelos ataques aéreos russos que têm vindo a atingir as infraestruturas energéticas do país vizinho há semanas.

A Ucrânia afirmou que retribuirá o pedido caso a Rússia suspenda os ataques às infraestruturas energéticas do país no meio de um período de frio intenso. As temperaturas na capital ucraniana deverão descer até aos -26 graus Celsius no domingo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantiu esta sexta-feira que Kiev não vai atacar instalações de fornecimento de energia na Rússia, se Moscovo fizer o mesmo na Ucrânia, recordando que não há tréguas formais entre os dois países.

Zelensky disse que a oportunidade de reduzir a escalada do conflito foi proposta pelos Estados Unidos durante as conversações de paz trilaterais em Abu Dhabi, no passado fim de semana.


"Os norte-americanos disseram que querem levantar a questão da redução da escalada, com ambos os lados a demonstrarem certas medidas para evitar o uso de armas de longo alcance, a fim de criar mais espaço para a diplomacia", frisou Zelensky aos jornalistas em Kiev, em declarações divulgadas pelo seu gabinete esta sexta-feira."Neste momento, esta é uma iniciativa do lado americano e, pessoalmente, do presidente dos Estados Unidos. Consideramos que se trata de uma oportunidade, e não de um acordo", realçou.

A próxima ronda de conversações de paz trilaterais entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos estava prevista para decorrer em Abu Dhabi no domingo, mas o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, revelou esta sexta-feira que a data ou o local poderiam ser alterados.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tinha declarado na quarta-feira que os principais enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, que participaram na ronda anterior de negociações, não participariam na reunião deste fim de semana em Abu Dhabi.

Zelensky considera importante que as mesmas delegações estivessem presentes na próxima ronda de negociações, para monitorizar o progresso do que foi discutido anteriormente.

"Mas a data ou o local podem mudar, porque, na nossa opinião, algo está a acontecer na situação entre os Estados Unidos e o Irão. E estes desenvolvimentos provavelmente afetarão o calendário", disse Zelensky.
Ataques russos após apelo de Trump
Esta sexta-feira, porém, a Força Aérea Ucraniana afirmou que a Rússia lançou um míssil balístico Iskander-M e 111 drones num ataque noturno contra a Ucrânia.

Os ataques noturnos da Rússia tiveram como alvo 15 locais diferentes tendo a Força Aérea ucraniana abatido 80 drones.

Na noite de quinta-feira, o governador da região de Zaporizhia (centro-leste da Ucrânia) relatou um ataque russo à capital regional, que danificou um edifício.

Esta sexta-feira, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) vai convocar o seu Conselho de Governadores a pedido dos Estados-membros preocupados com a situação nuclear na Ucrânia, após os ataques russos.
Inverno rigoroso

Desde o outono que a Rússia intensificou os seus ataques ao sector energético da Ucrânia, mergulhando Kiev na escuridão e no frio no meio de um dos Invernos mais rigorosos da última década. De acordo com os serviços de meteorologia ucranianos, de domingo a terça-feira, "prevê-se um frio intenso" na Ucrânia: "as temperaturas noturnas deverão descer para -20 a -27°C e, em algumas regiões, (...) para -30°C".

A rede elétrica ucraniana foi severamente afetada nos últimos meses por uma série de ataques aéreos russos de grande escala que danificaram centrais elétricas, transformadores e o sector do gás do país.

Estes ataques provocaram extensos cortes de energia e aquecimento numa altura em que as temperaturas já são gélidas, particularmente na capital, Kiev (-6°C durante a noite), e nas principais cidades de Kharkiv (nordeste), Odessa (sul) e Dnipro (centro).

As autoridades ucranianas afirmam estar a realizar trabalhos de emergência para restabelecer a rede elétrica e abriram áreas designadas onde os residentes se podem aquecer e ter acesso à eletricidade. Na quinta-feira, a câmara municipal de Kiev informou que 613 edifícios na capital ainda estavam sem aquecimento.

c/ agências
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