Mundo
Guerra na Ucrânia
Mais de mil quenianos recrutados pela Rússia para combater na Ucrânia
Mais de mil quenianos viajaram para a Rússia e acabaram por combater na guerra com a Ucrânia, muitos deles sem saberem o destino que os aguardava, segundo um relatório dos serviços de informação apresentado aos membros do parlamento do país da África Oriental.
Diversos órgãos de comunicação social, incluindo a AFP, mostraram recentemente como centenas de homens quenianos, muitas vezes sem experiência militar prévia, foram forçados a assinar contratos com o exército russo quando chegaram à Rússia e foram rapidamente enviados para a linha da frente na Ucrânia, onde muitos morreram.
Os recrutas deixam o país com vistos de turista para se juntarem ao exército russo via Istambul, na Turquia, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, explicou, acrescentando que alguns estão agora a transitar pelo Uganda, República Democrática do Congo e África do Sul para evitar os controlos fronteiriços.
Os quenianos que trabalham no estrangeiro também viajaram para a Rússia a partir dos países onde vivem, acrescentou o deputado.
Muitos deles foram forçados a assinar contratos militares, explicou.
De acordo com uma contagem de fevereiro, 28 recrutas estão desaparecidos, 35 estão alocados a campos ou bases militares, 89 estão na linha da frente e 39 estão hospitalizados, acrescentou Ichung’wah.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Quénia afirmou na semana passada ter resgatado 27 quenianos que estavam retidos na Rússia depois de terem sido alistados ilegalmente para combater na Ucrânia.
As agências de recrutamento estão a colaborar com funcionários corruptos no aeroporto de Nairobi, bem como com os serviços nacionais de emprego e funcionários da embaixada russa em Nairobi e da embaixada queniana em Moscovo, descreveu o deputado.
Durante uma investigação publicada na semana passada, a AFP conseguiu conversar com quatro quenianos que regressaram da Rússia, três dos quais ficaram feridos nos combates na Ucrânia. Um deles acreditava que se tornaria vendedor, dois esperavam ser seguranças e o outro, um atleta de alta competição.
Todos receberam promessas de salários entre 920 e 2.400 euros por mês na Rússia, feitas por uma agência de recrutamento em Nairobi. Uma fortuna no Quénia, onde muitos trabalhadores ganham pouco mais de 100 euros por mês.A ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi, tem uma visita agendada a Moscovo no próximo mês. O governo queniano condenou o uso dos seus cidadãos como "carne para canhão".
Quatro sul –africanos regressaram a casa
Quatro homens sul-africanos que ficaram retidos na região de Donbass, na Ucrânia, depois de terem sido atraídos para combater ao lado das forças russas, regressaram a casa esta quarta-feira, avançou a emissora pública da África do Sul (SABC).
O Aeroporto Internacional de Tambo vai receber os homens, que fazem parte de um grupo de 17 que enviou pedidos de ajuda ao governo da África do Sul em novembro, acrescentou a SABC.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, abordou o destino dos homens detidos num telefonema com o presidente russo, Vladimir Putin, este mês, após o qual o seu gabinete afirmou que os dois líderes "prometeram apoio ao processo de regresso dos sul-africanos que lutam ao lado das forças russas na Ucrânia".
"Não posso confirmar isso, exceto dizer que o processo para garantir o regresso dos homens está em curso, como discutido pelo presidente Ramaphosa e pelo presidente Putin", afirmou o porta-voz do presidente sul-africano à Reuters.
Os 17 homens que pediram ajuda disseram ter sido enganados e recrutados à força para as forças armadas russas posicionadas na região de Donbass, na Ucrânia, de acordo com um comunicado da presidência divulgado em novembro
De acordo com a lei sul-africana, é ilegal para os cidadãos prestar assistência militar a governos estrangeiros ou participar em exércitos estrangeiros, a menos que sejam autorizados pela África do Sul. Grande parte da região do Donbass é controlada pelas forças russas e os combates têm sido intensos desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.
A África do Sul procura projetar-se como não-alinhada na guerra, ao mesmo tempo que mantém relações cordiais com Moscovo enquanto membro do grupo BRICS de economias emergentes.
A Índia, o Nepal e o Sri Lanka estão entre os outros países que afirmaram que dezenas de cidadãos foram recrutados sob falsos pretextos para se juntarem ao esforço de guerra da Rússia.
Kiev afirmou em novembro ter identificado pelo menos 1.436 cidadãos de 36 países africanos a combater nas fileiras russas.
“Estão a ser tratados como se as suas vidas ou mortes não tivessem qualquer importância”, afirmou à AFP o embaixador ucraniano em Pretória, Oleksandr Shcherba. “Ver africanos a lutar numa guerra colonial contra um país livre é particularmente insensato”, acrescentou.
Acusada pelas famílias dos recrutados de ter participado no recrutamento, Duduzile Zuma-Sambudla, filha do antigo presidente sul-africano Jacob Zuma, demitiu-se do Parlamento da África do Sul.Familiares dos recrutados disseram à imprensa local que a viagem à Rússia lhes foi apresentada como um treino de segurança obrigatório para conseguir um emprego no partido MK, fundado em 2023 pelo ex-presidente Jacob Zuma, que governou o país de 2009 a 2018 e é considerado próximo de Moscovo
"Até à data, mais de mil quenianos foram recrutados e foram combater na guerra russo-ucraniana", disse o deputado Kimani Ichung'wah ao parlamento queniano na terça-feira, citando um relatório conjunto dos serviços de informação e da Direção de Investigação Criminal.
Este número é significativamente superior aos 200 quenianos anteriormente divulgados pelas autoridades.Os recrutas deixam o país com vistos de turista para se juntarem ao exército russo via Istambul, na Turquia, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, explicou, acrescentando que alguns estão agora a transitar pelo Uganda, República Democrática do Congo e África do Sul para evitar os controlos fronteiriços.
Os quenianos que trabalham no estrangeiro também viajaram para a Rússia a partir dos países onde vivem, acrescentou o deputado.
Muitos deles foram forçados a assinar contratos militares, explicou.
De acordo com uma contagem de fevereiro, 28 recrutas estão desaparecidos, 35 estão alocados a campos ou bases militares, 89 estão na linha da frente e 39 estão hospitalizados, acrescentou Ichung’wah.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Quénia afirmou na semana passada ter resgatado 27 quenianos que estavam retidos na Rússia depois de terem sido alistados ilegalmente para combater na Ucrânia.
As agências de recrutamento estão a colaborar com funcionários corruptos no aeroporto de Nairobi, bem como com os serviços nacionais de emprego e funcionários da embaixada russa em Nairobi e da embaixada queniana em Moscovo, descreveu o deputado.
Durante uma investigação publicada na semana passada, a AFP conseguiu conversar com quatro quenianos que regressaram da Rússia, três dos quais ficaram feridos nos combates na Ucrânia. Um deles acreditava que se tornaria vendedor, dois esperavam ser seguranças e o outro, um atleta de alta competição.
Todos receberam promessas de salários entre 920 e 2.400 euros por mês na Rússia, feitas por uma agência de recrutamento em Nairobi. Uma fortuna no Quénia, onde muitos trabalhadores ganham pouco mais de 100 euros por mês.A ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi, tem uma visita agendada a Moscovo no próximo mês. O governo queniano condenou o uso dos seus cidadãos como "carne para canhão".
Quatro sul –africanos regressaram a casa
Quatro homens sul-africanos que ficaram retidos na região de Donbass, na Ucrânia, depois de terem sido atraídos para combater ao lado das forças russas, regressaram a casa esta quarta-feira, avançou a emissora pública da África do Sul (SABC).
O Aeroporto Internacional de Tambo vai receber os homens, que fazem parte de um grupo de 17 que enviou pedidos de ajuda ao governo da África do Sul em novembro, acrescentou a SABC.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, abordou o destino dos homens detidos num telefonema com o presidente russo, Vladimir Putin, este mês, após o qual o seu gabinete afirmou que os dois líderes "prometeram apoio ao processo de regresso dos sul-africanos que lutam ao lado das forças russas na Ucrânia".
"Não posso confirmar isso, exceto dizer que o processo para garantir o regresso dos homens está em curso, como discutido pelo presidente Ramaphosa e pelo presidente Putin", afirmou o porta-voz do presidente sul-africano à Reuters.
Os 17 homens que pediram ajuda disseram ter sido enganados e recrutados à força para as forças armadas russas posicionadas na região de Donbass, na Ucrânia, de acordo com um comunicado da presidência divulgado em novembro
De acordo com a lei sul-africana, é ilegal para os cidadãos prestar assistência militar a governos estrangeiros ou participar em exércitos estrangeiros, a menos que sejam autorizados pela África do Sul. Grande parte da região do Donbass é controlada pelas forças russas e os combates têm sido intensos desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.
A África do Sul procura projetar-se como não-alinhada na guerra, ao mesmo tempo que mantém relações cordiais com Moscovo enquanto membro do grupo BRICS de economias emergentes.
A Índia, o Nepal e o Sri Lanka estão entre os outros países que afirmaram que dezenas de cidadãos foram recrutados sob falsos pretextos para se juntarem ao esforço de guerra da Rússia.
Kiev afirmou em novembro ter identificado pelo menos 1.436 cidadãos de 36 países africanos a combater nas fileiras russas.
“Estão a ser tratados como se as suas vidas ou mortes não tivessem qualquer importância”, afirmou à AFP o embaixador ucraniano em Pretória, Oleksandr Shcherba. “Ver africanos a lutar numa guerra colonial contra um país livre é particularmente insensato”, acrescentou.
Acusada pelas famílias dos recrutados de ter participado no recrutamento, Duduzile Zuma-Sambudla, filha do antigo presidente sul-africano Jacob Zuma, demitiu-se do Parlamento da África do Sul.Familiares dos recrutados disseram à imprensa local que a viagem à Rússia lhes foi apresentada como um treino de segurança obrigatório para conseguir um emprego no partido MK, fundado em 2023 pelo ex-presidente Jacob Zuma, que governou o país de 2009 a 2018 e é considerado próximo de Moscovo