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Mísseis balísticos russos matam 12 pessoas em Kiev

Mísseis balísticos russos matam 12 pessoas em Kiev

A Força Aérea da Ucrânia revelou que a Rússia lançou dezenas de mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersónicos, além de 168 drones, durante um ataque noturno ao país.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Gleb Garanich - Reuters

Mísseis balísticos russos mataram 12 pessoas e feriram mais de 30 em Kiev na madrugada desta quinta-feira.

As unidades de defesa aérea ucraniana abateram 145 drones e a maioria dos mísseis de cruzeiro, mas nenhum dos mísseis de trajetória balística. A região de Kiev foi o principal alvo do ataque.Os ataques danificaram edifícios e interromperam o fornecimento de energia elétrica em algumas partes da capital ucraniana.

Um incêndio deflagrou e os andares superiores de um edifício residencial de nove andares foram destruídos no distrito de Solomonsky, na capital, onde morreram sete pessoas, disse o presidente da câmara, Vitali Klitschko, pedindo que na próxima sexta-feira fosse assinalada como dia de luto.

Outros dois distritos também sofreram danos, disse Klitschko na aplicação de mensagens Telegram, com instalações não residenciais, armazéns, uma escola e um hospital pediátrico atingidos.A empresa elétrica DTEK disse que restabeleceu a energia a mais de metade das cerca de 90 mil casas que ficaram sem luz na capital após o ataque.

A Rússia intensificou os ataques aéreos contra a Ucrânia nos últimos meses, tentando explorar a grave escassez de intercetores do seu vizinho mais pequeno para abater mísseis balísticos.

O Ministério russo da Defesa afirmou que Kiev e a região circundante foram atingidas por ataques aéreos e drones, nomeadamente instalações de produção de componentes para drones, um depósito militar e um centro logístico, além de outros alvos.


O serviço de emergência da Ucrânia divulgou um vídeo de militares a combater um incêndio num edifício e a ajudar pessoas a escapar de instalações destruídas durante a noite em Kiev.Rússia atacou infraestruturas de gás na região de Chernihiv
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia atacou infraestruturas de gás na região de Chernihiv, no norte da Ucrânia, bem como uma passagem fronteiriça com a Moldávia, na região de Odessa, no sul.

“Foi um ataque maciço – os russos já se preparavam há muito tempo, combinando diferentes tipos de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones, com o objetivo de causar o máximo de danos possível às infraestruturas civis", escreveu Zelensky no X.


Zelensky afirmou ainda que Moscovo está a "investir" em mísseis balísticos e a "agravar" a situação na Ucrânia e pede uma resposta internacional.

"Infelizmente, enquanto Moscovo investe em mísseis balísticos e agrava a situação, o mundo nem sempre responde adequadamente a estes ataques", acrescentou o presidente ucraniano, lamentando a falta de capacidade antimíssil balístico.
"Cada míssil [antimíssil] adicional salva a vida do nosso povo. Agradeço a todos os que compreendem isto, procuram e encontram formas de ajudar", concluiu.
A Rússia intensificou os ataques com mísseis balísticos contra a capital para esgotar as reservas de defesa aérea de Kiev.


A capital ucraniana dispõe de sistemas limitados capazes de intercetar ameaças balísticas, enquanto o fornecimento de mísseis para os seus sistemas de defesa aérea Patriot, de fabrico norte-americano, permanece cronicamente limitado.Drones ucranianos abatidos em Moscovo
A Ucrânia também intensificou os seus ataques contra a Rússia, visando instalações petrolíferas e infraestruturas logísticas, numa tentativa de minar a capacidade de Moscovo para travar uma guerra.

O presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou esta quinta-feira que 250 drones foram lançados em direção à região da capital russa desde a noite anterior e que a maioria deles foi destruída por defesas externas. Segundo Sergei Sobyanin, 28 foram abatidos na região de Moscovo.

Na região do Tartaristão um ataque com um drone ucraniano provocou uma interrupção num complexo industrial na cidade de Nizhnekamsk, avançou informou a agência de notícias estatal TASS, acrescentando que alguns apartamentos residenciais também foram danificados.

Nizhnekamsk fica a aproximadamente a mil quilómetros a leste de Moscovo.

Na aldeia de Volna, onde se situa o porto de Taman, no Mar Negro, destroços de um drone caíram sobre uma empresa
. Segundo as autoridades locais o incidente causou um incêndio, que foi rapidamente controlado.

Taman, que lida com produtos petrolíferos, cereais, carvão e outras mercadorias, tem sido frequentemente alvo de drones ucranianos.

Já a central nuclear de Zaporizhzhia, controlada pela Rússia, na Ucrânia, passou a operar com geradores a diesel de emergência depois de danos numa linha de alta tensão terem provocado a perda de energia externa, informou a administração da central esta quinta-feira.

"A equipa da central está a monitorizar os parâmetros de funcionamento dos equipamentos. Todas as medidas necessárias para manter a segurança das unidades de energia estão a ser tomadas na íntegra", disse a administração instalada em Moscovo, acrescentando que os níveis de radiação eram normais.

A central, a maior da Europa, com seis reatores, não produz eletricidade, mas necessita de energia fornecida por duas linhas exteriores para manter o combustível nuclear arrefecido.


A Rússia tomou a central nas primeiras semanas da guerra que começou em 2022, tanto Moscovo como Kiev têm-se acusado mutuamente de ações militares que comprometem a segurança nuclear.Esforços diplomáticos falharam
Mais de quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia, os ataques aéreos intensificaram-se em ambos os lados da frente, resultando num número crescente de vítimas civis.

As autoridades dos dois países acusam-se mutuamente de atacarem deliberadamente civis.

Os esforços diplomáticos falharam até agora em produzir um cessar-fogo duradouro na guerra, que começou com a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

A Ucrânia entregou propostas aos negociadores norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, para um plano para pôr fim à guerra, disse o presidente Volodymyr Zelensky este mês, e também solicitou repetidamente mísseis intercetores para repelir ataques com mísseis.

A Rússia não recebeu propostas específicas para possíveis novas reuniões com negociadores norte-americanos, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, ao jornal Izvestia, acrescentando que Moscovo estaria pronta para organizar uma reunião a curto prazo.

Witkoff e Kushner estiveram em Moscovo pela última vez em janeiro passado e ainda não visitaram Kyiv.Países vizinhos mobilizam Força Aérea
A Polónia mobilizou a sua força aérea dentro do seu espaço aéreo para prevenir eventuais incidentes relacionados com a ofensiva aérea russa na Ucrânia e garantir a segurança da sua população.

Na Roménia, outro país vizinho da Ucrânia, dois caças espanhóis e um helicóptero do exército romeno levantaram voo durante a noite para monitorizar "alvos" perto da fronteira entre a Ucrânia e a Roménia.

Um drone acabou por entrar no espaço aéreo romeno antes de se despenhar numa área desabitada perto de Grindu (oeste da Roménia).

c/ agências 
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