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Putin saúda "retorno à pátria" de territórios ocupados na Ucrânia

por Lusa

O Presidente russo, Vladimir Putin, saudou hoje o "retorno à pátria" dos territórios ocupados na Ucrânia, perante uma multidão reunida na Praça Vermelha em Moscovo, após a sua vitória nas eleições presidenciais realizadas no último fim de semana.

O Presidente russo, de 71 anos, compareceu num concerto na praça icónica de Moscovo em comemoração do 10.º aniversário da anexação da península ucraniana da Crimeia, no que constituiu o primeiro ato do conflito entre Moscovo e Kiev.

Na sua primeira aparição pública desde a vitória eleitoral e saudado pela multidão com gritos de "Rússia! Rússia!", segundo o relato da agência France Presse (AFP), Putin surgiu acompanhado no palco pelos seus três adversários presidenciais.

"O regresso à pátria acabou por ser mais difícil, mais trágico. "Mas, mesmo assim, conseguimos e isso também é um grande marco na história do nosso Estado. Agora avançamos e vamos juntos, ombro a ombro", proclamou o líder russo num breve discurso, antes de cantar o hino em uníssono com a multidão, junto das muralhas do Kremlin.

Vladimir Putin obteve o seu quinto mandato como Presidente russo com mais de 87% dos votos, um número recorde, nas eleições presidenciais, indicou hoje a Comissão Eleitoral Central.

As eleições prolongaram-se por três dias, entre sexta-feira e domingo, sob críticas da oposição, denúncias de um clima de intimidação e a ausência de observação eleitoral independente, numa votação em que apenas foram autorizadas a concorrer outras três candidaturas, classificadas amigáveis em relação Kremlin.

Sob forte condenação dos países ocidentais, Putin assegurou um novo mandato até 2030, numa eleição que foi alargada a territórios ucranianos que a comunidade internacional não reconhece que pertençam a Moscovo: a península da Crimeia, anexada em 2014, e as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, parcialmente ocupadas pelas forças russas desde a invasão iniciada em fevereiro de 2022.

"A Crimeia não é apenas um território importante do ponto de vista estratégico, não é apenas a nossa história, a nossa tradição (...) A Crimeia é principalmente o seu povo", afirmou hoje Putin na Praça Vermelha.

Putin disse que a Crimeia é conhecida como "um porta-aviões indestrutível" e que os habitantes da península nunca esqueceram os seus laços históricos com a "mãe Rússia", apesar de desde 1954 pertencerem à Ucrânia.

Entre a assistência deste concerto patriótico, muitos russos expressaram o seu apoio a Putin, depois de mais de dois anos de ofensiva militar na Ucrânia e de pesadas sanções ocidentais.

"Todos os cidadãos que respeitam o nosso país votaram em Putin", disse à AFP Elena, uma economista de 64 anos que vive em Moscovo.

Ivan Tregubov, um assistente social de 30 anos, acredita que "sob a sua liderança, o país só ficará mais forte", acrescentando: "Esperamos sucessos ainda maiores".

"Vladimir Putin é a base do nosso país. Confio nele", declarou por sua vez Victoria, de 23 anos, que nasceu quando o líder russo já estava no poder.

O Kremlin fez das presidenciais uma eleição feita à medida, destinada a demonstrar a confiança dos russos no seu Presidente: os outros três candidatos estavam todos na mesma linha, a respeito da Ucrânia ou da repressão que culminou com a morte do opositor Alexei Navalny numa prisão no Ártico, em fevereiro.

A oposição conseguiu, no entanto, mostrar-se durante esta eleição presidencial, reunindo-se nas assembleias de voto ao meio-dia de domingo, anulando os boletins de voto ou invalidando-os escrevendo o nome "Navalny".

Embora tenha garantido publicamente que não o faria, Putin alterou a Constituição em 2020 para permitir a sua reeleição, o que poderá fazer novamente dentro de seis anos e, assim, permanecer no Kremlin até 2036.

Vladimir Putin, que está no poder desde 2000, também ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 2008 e 2012.

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