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Guerra na Ucrânia
Rússia "quer esgotar sistema da defesa antiaérea" da Ucrânia
"O exército russo quer esgotar o sistema da defesa antiaérea" da Ucrânia. Quem o afirma é o general ucraniano Serguii Naev, para alertar que só com a ajuda ocidental é que as reservas de munições podem ser reabastecidas. Perante a intensidade dos ataques de Moscovo neste início de 2024, o militar avisa que, a médio prazo, a defesa móvel do país invadido só conseguirá repelir "alguns" ataques.
A Rússia marcou a época do fim do ano com aqueles que estão a ser descritos como os maiores ataques aéreos desde o início da invasão da Ucrânia, que está prestes a completar dois anos. De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, Moscovo lançou pelo menos 500 mísseis e drones contra alvos em toda a Ucrânia em apenas cinco dias, desde 29 de dezembro do ano passado.
“Mas a médio e longo prazo precisamos, claro, da ajuda dos países ocidentais para reabastecer o stock de mísseis”, vinca Naev, que é o responsável por estas unidades, em particular, pela defesa dos céus da capital.
O militar deixa claro que “a prioridade é, portanto, obter mais munições” face a um exército russo que “quer, efetivamente, esgotar o sistema de defesa antiaérea” da Ucrânia.
Naïev acrescenta que as unidades antiaéreas de defesa estão equipadas com sistemas móveis e não com os equipamentos mais avançados como os Patriots norte-americanos, capazes de abater os mísseis hipersónicos russos Kh-47M2 Kinzhal. “É claro que gostaríamos de mais mísseis como os Patriot, assim como os próprios sistemas”, observa.
Eficiência
Durante estes últimos ataques russos, a defesa ucraniana registou uma “taxa de eficiência de cerca de 90 por cento” na proteção dos céus, acentuou Naïev.
“Nenhum outro sistema de defesa aérea no mundo é capaz de apresentar tais resultados, especialmente quando se trata de combater a Rússia”, alega o comandante.
“Todos os cidadãos ucranianos devem estar convencidos de que as autoridades militares estão a fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir a sua paz”. E promete, por sua vez, que “melhorar a eficácia do sistema de defesa aérea é a nossa tarefa e estamos a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, para isso”, argumenta Naïev, perante algum descontentamento da população que perdeu as casas nos bombardeamentos.
“Mísseis com engodo”
O comandante descreve que na terça-feira um primeiro míssil russo foi intercetado com o sistema Stinger ucraniano - um lançador de mísseis portátil. Porém, “seis minutos depois, um segundo míssil passou acima de nós”. “O pessoal da nossa unidade, recorrendo a uma arma antiaérea, a ZU-23, apontou ao segundo míssil, que também neutralizou, com precisão”, garante o militar.
Um dos soldados das unidades de defesa, conhecido por Roman, explica que a Rússia está a inovar nas táticas de ataque aéreo: “Os russos estão agora a disparar mísseis que lançam foguetes chamariz em voo, como os de aviões ou helicópteros. Isso nunca aconteceu antes e é um problema para os Stingers” e o seu sistema de mira de infravermelhos.
Estes “iscos são muito mais quentes do que os gases de exaustão do míssil e podem, portanto, enganar esses sistemas de defesa”, argumenta.
Durante o ataque de terça-feira, “este engodo não funcionou, felizmente”, concluiu Roman.