Economia
Guerra na Ucrânia
Sanções europeias com "impacto significativo" na economia russa
Desde 2022, a União Europeia já levou a cabo 19 rondas de sanções contra Moscovo, o que, segundo o enviado especial de Bruxelas, está a ferir significativamente a economia russa.
O enviado da União Europeia para as sanções afirmou que estas estão a ter um “impacto significativo” na economia russa. Para David O'Sullivan, as sanções “não são uma solução milagrosa”, mas estarão a surtir efeito após quatro anos de guerra.
“Estou bastante otimista. Acho que as sanções realmente tiveram um impacto significativo na economia russa”, disse numa entrevista ao Guardian divulgada esta quinta-feira.
“Podemos chegar, ao longo de 2026, a um ponto em que tudo se torne insustentável, porque grande parte da economia russa foi muito distorcida pela construção da economia de guerra em detrimento da economia civil. Acho que desafiar as leis da gravidade económica só pode durar até certo ponto”, elaborou.
As declarações chegam após semanas de intensos ataques russos contra infraestruturas energéticas ucranianas e numa altura em que esse país enfrenta um inverno duro, com as temperaturas na capital, Kiev, a chegarem aos -20 graus Celsius esta semana. Segundo responsáveis ucranianos, a Rússia lançou no mês passado o dobro de drones e mísseis em comparação com janeiro de 2025.
A máquina de guerra de Vladimir Putin está, no entanto, a representar um custo elevado para a economia em geral, que analistas acreditam estar sob a maior pressão desde o início da guerra. As receitas do petróleo estão a cair, a inflação está em cerca de seis por cento e as taxas de juro em 16 por cento.
O cenário é agravado pelas 19 rondas de sanções da União Europeia desde 2022 até ao momento, visando mais de 2.700 indivíduos e entidades e suspendendo o comércio em áreas como a energia, aviação, tecnologias de informação, bens de luxo, diamantes ou ouro.
Além disso, Bruxelas tem procurado persuadir outros países a não permitirem a revenda de produtos europeus à Rússia, especialmente componentes que possam ser usados na indústria militar.
Segundo O'Sullivan, a UE teve algum sucesso em “impedir a reexportação direta de produtos críticos para armas” através da Ásia Central, do Cáucaso, da Turquia, da Sérvia, dos Emirados Árabes Unidos e, “em menor escala”, através da Malásia.
A China, porém, “está claramente a apoiar e a fornecer apoio à Rússia, embora não sob a forma de fornecimento direto de equipamento militar”, disse ao Guardian o enviado especial. David O'Sullivan, que possui mais de quatro décadas de experiência nas instituições da UE, foi nomeado enviado para as sanções em dezembro de 2022, com a missão de combater a evasão e a burla em torno das mesmas.
O responsável frisou ainda que a UE tomou medidas bem-sucedidas para combater a frota fantasma russa, composta por navios antigos que transportam petróleo russo para os mercados de exportação na China e na Índia. Em dezembro, quase 600 embarcações enfrentavam sanções europeias.
“Temos sido muito bem-sucedidos em conseguir que Estados removam as suas bandeiras de navios sancionados. Penso que apertámos bastante o cerco a essa forma específica de evasão. Acho que os russos estão a ter dificuldades em manter o fluxo de petróleo”, afirmou.
As receitas do orçamento federal da Rússia provenientes do petróleo e do gás caíram para metade em janeiro, atingindo o nível mais baixo desde julho de 2020, de acordo com o Ministério russo das Finanças.
c/ agências
“Estou bastante otimista. Acho que as sanções realmente tiveram um impacto significativo na economia russa”, disse numa entrevista ao Guardian divulgada esta quinta-feira.
“Podemos chegar, ao longo de 2026, a um ponto em que tudo se torne insustentável, porque grande parte da economia russa foi muito distorcida pela construção da economia de guerra em detrimento da economia civil. Acho que desafiar as leis da gravidade económica só pode durar até certo ponto”, elaborou.
As declarações chegam após semanas de intensos ataques russos contra infraestruturas energéticas ucranianas e numa altura em que esse país enfrenta um inverno duro, com as temperaturas na capital, Kiev, a chegarem aos -20 graus Celsius esta semana. Segundo responsáveis ucranianos, a Rússia lançou no mês passado o dobro de drones e mísseis em comparação com janeiro de 2025.
A máquina de guerra de Vladimir Putin está, no entanto, a representar um custo elevado para a economia em geral, que analistas acreditam estar sob a maior pressão desde o início da guerra. As receitas do petróleo estão a cair, a inflação está em cerca de seis por cento e as taxas de juro em 16 por cento.
O cenário é agravado pelas 19 rondas de sanções da União Europeia desde 2022 até ao momento, visando mais de 2.700 indivíduos e entidades e suspendendo o comércio em áreas como a energia, aviação, tecnologias de informação, bens de luxo, diamantes ou ouro.
Além disso, Bruxelas tem procurado persuadir outros países a não permitirem a revenda de produtos europeus à Rússia, especialmente componentes que possam ser usados na indústria militar.
Segundo O'Sullivan, a UE teve algum sucesso em “impedir a reexportação direta de produtos críticos para armas” através da Ásia Central, do Cáucaso, da Turquia, da Sérvia, dos Emirados Árabes Unidos e, “em menor escala”, através da Malásia.
A China, porém, “está claramente a apoiar e a fornecer apoio à Rússia, embora não sob a forma de fornecimento direto de equipamento militar”, disse ao Guardian o enviado especial. David O'Sullivan, que possui mais de quatro décadas de experiência nas instituições da UE, foi nomeado enviado para as sanções em dezembro de 2022, com a missão de combater a evasão e a burla em torno das mesmas.
O responsável frisou ainda que a UE tomou medidas bem-sucedidas para combater a frota fantasma russa, composta por navios antigos que transportam petróleo russo para os mercados de exportação na China e na Índia. Em dezembro, quase 600 embarcações enfrentavam sanções europeias.
“Temos sido muito bem-sucedidos em conseguir que Estados removam as suas bandeiras de navios sancionados. Penso que apertámos bastante o cerco a essa forma específica de evasão. Acho que os russos estão a ter dificuldades em manter o fluxo de petróleo”, afirmou.
As receitas do orçamento federal da Rússia provenientes do petróleo e do gás caíram para metade em janeiro, atingindo o nível mais baixo desde julho de 2020, de acordo com o Ministério russo das Finanças.
c/ agências